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Política

Serra, 25 de junho de 2019 às 16:16

30 anos depois, direita conservadora ascende e quer comandar a Serra

Por Yuri Scardini
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Da direita para esquerda: Amaro Neto, Vandinho Leite, Carlos Manato, Cabo Porto e Pastor Aílton.

O último prefeito ‘de direita’ da Serra foi Adalto Martinelli, que era filiado ao antigo PDS (ex-Arena). E mesmo assim é dúbio fazer tal afirmação já que objetivamente falando, mesmo filiado a um partido pertencente ao espectro político de direita, isso não necessariamente quer dizer que de fato foi um político notadamente de direita. Feito a ressalva, vale destacar que Martinelli não foi eleito na condição de prefeito, e sim de vice, entretanto assumiu a cargo após o ex-prefeito José Maria Miguel Feu Rosa ser assassinado numa emboscada no sul da Bahia em 1990.

Esclarecido o contexto, após 30 anos, políticos autointitulados de direita se movimentam fortemente no município em busca de encerrar um ciclo de prefeitos localizados nas proximidades do espectro da esquerda: João Batista da Motta/PSDB (1993-1996); Sérgio Vidigal/PDT (1997-2004 e 2009-2012); Audifax Barcelos/PDT, PSB e Rede (2005-2008 e 2013-2020).

Este movimento de cabo de guerra ideológico na Serra é espelhado por meio de personagens que ascenderam nacionalmente nos últimos anos, como o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) o governador paulista João Dória (PSDB) e o carioca Wilzon Witzel (PSC), além de correntes ideológicas como o ‘olavismo’, para citar.

Ainda não há clareza de como será o cenário eleitoral na Serra em 2020, mas próximos à direita, estão cotados para serem candidatos a prefeito: o ex-deputado Carlos Manato (PSL); o vereador Cabo Porto (PSB, porém com convite para se filiar no PSL); o deputado estadual Vandinho Leite (PSDB); o vereador Pastor Ailton (PSC); e o federal Amaro Neto (PRB).

Embora este último nunca tenha de fato demonstrado inclinação efetiva à direita – que não pode ser confundido com suas características tipicamente populistas, onde Amaro reina, ele também não tem lastro algum no campo da esquerda. No entanto é representante da ala conservadora, filiado ao PRB, braço político da Igreja Universal e advindo de um programa policialesco. Mesmo que sua atuação na TV contrasta eventualmente com sua ação legislativa, para não inseri-lo no limbo ideológico e apenas a título didático, a reportagem decidiu por relacionar o apresentador na direita conservadora.

Na tarde de ontem o TEMPO NOVO buscou Amaro Neto para uma entrevista, no entanto, ele tem evitado tratar do tema ‘eleição’ e orientou que falaria “mais a frente”. Também discreto, mas muito vivo no tabuleiro está o deputado Vandinho Leite (PSDB). Se espelhando em Dória, Vandinho é o presidente dos tucanos no ES; ele defende tolerância zero no partido ao que tange a questão ética e demonstrou essa tendência ao afastar sumariamente a prefeita de Presidente Kennedy acusada de corrupção. Se o PSDB pode ressurgir pelas mãos de Dório, no ES quem vai conduzir esse processo é Vandinho.

Admirador confesso do ministro Sérgio Moro (algoz de Lula) e defensor da Lava Jato, o deputado vem levando a cabo políticas que agradam a direitistas. Recentemente, por exemplo, um de seus projetos aprovado na CCJ da Assembleia, proíbe o que ele chama de “ideologia de gênero”. Ao TEMPO NOVO, ele disparou: “Dizer que uma criança não nasce menino nem menina é uma aberração”. Além disso, ele é um forte crítico a ícones do campo da esquerda, como o ex-deputado Jean Wyllys e o líder do MST João Stédille, da qual Vandinho manobrou uma articulação para vetar que a homenagem a ambos na Assembleia.

Já Manato, líder bolsonarista no ES fará um encontro estadual no próximo dia 29, na Assembleia Legislativa. Animado, ele disse que será uma oportunidade para apresentar pré-candidatos a prefeito no pleito do ano que vem.

Perguntado se a Serra estaria inclusa ele respondeu: “a Serra ainda está indefinido”. A reportagem devolveu questionando se o partido estaria entre o nome dele (Manato) ou do vereador Cabo Porto – em consonância ao que ele próprio já tinha anunciado há duas semanas. O ex-deputado confirmou e concluiu dizendo que seria uma opção para o PSL ser vice numa possível chapa com Amaro Neto: “Amaro vindo, trabalharemos a vice”.

Manato foi candidato a governador em 2018, começou pequeno nas pesquisas de intenção de votos e terminou na 2º colocação, quase levando a briga para o segundo turno. Pautou toda a campanha numa espécie de ‘guerra’ contra a esquerda, da qual ele classificava jocosamente de “vermelhos” numa clara alusão ao PT e no sentimento anti-petista que dominou uma expressiva parcela do eleitorado.

Agora ele é o regente do PSL no ES e o responsável por articular o partido do presidente na eleição de 2020. Manato tem muita influência dentro da Igreja Maranata e é um crítico fervoroso do ‘socialismo’ e também de políticas para aborto, legalização da maconha e afins. Entretanto, quando o assunto e facilitação do acesso a armas, Manato é favorável.

O outro personagem é Cabo Porto. Militar linha dura, crítico dos direitos humanos, já chegou a dizer em vídeo que iria “meter chumbo na cabeça” de um “traficante” que segundo ele teria pichado um muro de uma escola municipal. Embora ideologicamente distante do socialismo, Porto se elegeu pelo PSB por conta da proximidade com o deputado licenciado Bruno Lamas. Resta saber até quando essa proximidade vai sobrepor às tendências ideológicas e aos planos do vereador de deslanchar politicamente.

Correndo por fora está o vereador Pastor Aílton (PSC). Pela imersão nos temas que tange a Serra, Aílton aparentemente, tem pouca passagem de debates ideológicos. No entanto, já se pegou discutindo em plenário com o vereador petista, Aécio Leite, que inclusive é aliado no que tangue ao movimento ‘anti-Audifax’ na Câmara. O Pastor é um expoente da corrente religiosa na Câmara, tem feito cultos a céu aberto nos bairros da Serra. Ele é do mesmo partido do governador carioca Wilzon Witzel, mas carece a informação se há alguma proximidade entre ambos.     




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