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Política

Serra, 3 de maio de 2019 às 9:46

“A gente precisa que o Estado melhore essa questão das especialidades”

Por Yuri Scardini
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Alexandre disse que a Prefeitura cuida do espaço público, mas a dengue também está nas casas e morador precisa ajudar. Foto: Divulgação

A área de Saúde na Serra é a segunda maior pasta em orçamento e servidores, atrás apenas da Educação. Para se ter uma ideia, somente em 2018 foram três milhões de atendimentos, sendo 670 mil consultas. Nesta entrevista, o secretário Alexandre Viana aborda os principais temas como superlotação de UPAs e aumento nos casos de dengue; mas também detalha os planos da Prefeitura em contornar os gargalos, que, segundo ele, passam pela gestão compartilhada com Organizações Sociais e suporte do Governo do Estado para atendimento de médicos especialistas.

Qual é a estrutura que a Secretaria de Saúde dispõe?

Temos 33 unidades de saúde e mais seis regionais. Três UPAs, sendo que duas estão funcionando – Serra Sede e Carapina -, e uma que vai inaugurar em outubro, que é a de Castelândia. Temos uma unidade de saúde itinerante, que vai às regiões mais distantes; 48 academias populares; um laboratório municipal de diagnósticos; uma farmácia central; três centros de atenção psicossocial; um centro odontológico, dentre outros.

E em termos orçamentários e de servidores?

Nosso orçamento próprio é de mais de R$ 160 milhões ao ano; global de aproximadamente R$ 215 milhões. Temos 2.300 servidores, entre enfermeiros, técnicos, agentes de saúde e pessoal de apoio administrativo. Médico é o que mais tem rotatividade; passa na residência, procura outra atividade, enfim. São 110 médicos, mas a meta é dobrar isso. Com todo esse arranjo, fizemos três milhões de atendimentos na atenção básica em 2018, sendo 670 mil consultas.

Já que citou os médicos, a Serra conseguiu repor os cubanos que deixaram o Programa Mais Médicos?

Quando cheguei, eram 33 cubanos; aí teve a quebra do convênio e eles voltaram. O Ministério da Saúde repôs os 30 médicos, só que no início de janeiro 18 saíram e até agora não foi reposto. O Governo pediu até o meio do ano para reestruturar o programa; estamos esperando.

E os salários dos médicos, são menores em relação a outras cidades?

A gente paga o preço de mercado. O que estamos fazendo é criar atrativos para os médicos, como concurso público para mais 80 profissionais, que é diferente do temporário. Pois o médico pensa na carreira, em se aposentar. Então, estanca essa rotatividade. Vamos também reestruturar todas as unidades de saúde. O morador, que vai chegar à unidade pintadinha, bonitinha, limpinha; e o médico também, um consultório bacana, jaleco. Parece que não, mas se você estudar os atrativos que mantêm as pessoas, o salário está em terceiro ou quarto.

As UPAs têm sido foco de críticas, especialmente por conta de recentes casos de superlotação. O que explica isso e quais as soluções para melhorar o atendimento?

É pronto-atendimento. Quer dizer: é urgência e emergência.Hoje,95% das pessoas que procuram a UPA não precisariam estar ali; deveriam ir para as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Então, começa por aí a superlotação; mas o município não pode negar atendimento. Estamos disponibilizando carros para levar pessoas das UPAs para as UBS; é facultativo. O segundo motivo é que, diariamente, atendemos a mais de 120 pacientes de outros municípios; a maioria, vindas da capital.

Creio que essas situações já ocorrem há tempo e, sozinhas, não explicariam as recentes superlotações…

Momentaneamente, estamos com superlotação por conta da dengue, que também pode ser atendida nas unidades de saúde. A dengue não gera apenas uma consulta. Em média, o paciente com dengue é consultado cinco vezes. Então, você vê o tanto de sobrecarga por conta da dengue. 

Se a dengue é fator determinante para a qualidade no atendimento, o que a Serra faz para mitigar a proliferação da doença?

Primeiro, temos que estabelecer o contexto. Somos o maior município em habitantes e temos uma extensão rural grande também; criam-se muitos focos, aumentando o número de infectados. Teve a questão do novo tipo da doença (o tipo 2), para o qual a população não estava imunizada. A inconstância climática potencializou a dengue; chuva, sol… juntou tudo. Desde dezembro, estamos intensificando as ações. Fizemos uma força-tarefa com os agentes comunitários, aumentamos o número de armadilhas e a quantidade de passadas do fumacê, e fizemos campanha junto à população. O papel da população é o principal.

Em qual sentido? Dengue é um problema de saúde pública.

O número de entulho é impressionante no município. A gente limpa, mas no dia seguinte está tudo lá de novo, criando focos do mosquito. A Prefeitura cuida do espaço público, mas a dengue também está no quintal das casas das pessoas, em água parada, vaso, piscina, caixas d’água sem tampa.

No entanto, a Prefeitura designou agentes de endemias para entregar carnês do IPTU. Isso teve impacto na dengue?

Posso te afirmar, com certeza: nenhum impacto, foram poucos agentes. De um total de 233 agentes, 20 atuaram na distribuição dos carnês e foi por pouco tempo. Não teve impacto nenhum no combate à dengue. Essa doença é um problema em todo o Brasil.

Ainda sobre a UPA, o município está em processo de terceirização na Saúde. Começou pela Unidade de Pronto-Atendimento de Carapina. Por que optou por esse formato de gestão? O que muda para o usuário e para a Prefeitura?

Primeiro, não é terceirizar. Estamos fazendo uma gestão compartilhada. A gente contratou uma OS, mas não entregou a chave. Temos controle de qualidade, de opinar e decidir. Essa mudança vai redundar em maior rapidez e menos burocracia, e estabelecemos um teto orçamentário. Vou dar um exemplo: o número de médicos é limitado por lei; se o médico falta, temos muita dificuldade de repor de última hora. A OS já tem uma reserva técnica, não fica sem médico. O serviço público é engessado, mas eles não. É muito mais rápido, mais perene e o custo é controlado. 

Essa gestão compartilhada será exportada para outras UPAs?

Até outubro, estará na de Serra Sede; a de Castelândia já vai nascer nesse formato. Em princípio, o Hospital Materno Infantil também será nesse formato.

Isso pode ser estendido às unidades de saúde?

Não. Aí é a prefeitura que tem que manter essa gestão.

E o que pensam os servidores? Há muita resistência?

Toda mudança gera resistência; com o tempo, ele [o servidor] vai ver que será melhor. Vai ter um ambiente de trabalho mais tranquilo. Não estamos ali para prejudicar A ou B, mas para juntar forças e prestar um bom atendimento.

Nos últimos anos, vimos uma sucessão de trocas na pasta da Saúde e, agora, é foco de uma briga política. Onde a Prefeitura esbarra para estabilizar essa área tão importante?

A democracia é o equilíbrio dos poderes, tem que respeitar. Saúde é uma questão maior, porque temos a esfera estadual e federal e elas são muito importantes para equilibrar essa área. Já estive em Brasília três vezes para conseguir viabilizar recursos.

E em termos estaduais? Como está o diálogo?

A gente precisa que o Estado melhore essa questão das especialidades. Um dos motivos de ter retorno dos pacientes é a questão dos especialistas. Nosso médico pede, por exemplo, uma consulta com um cardiologista. Nós temos represadas mais de 20 mil consultas com cardiologista. Isso quebra o ciclo da saúde. Aí ele volta, porque não conseguiu o cardiologista; tem que renovar a receita e volta porque está inseguro.

Qual é a previsão de inauguração do Hospital Materno Infantil?

A previsão inicial é janeiro de 2020; diferente [da UPA] de Castelândia, que eu posso falar que será inaugurada em outubro de 2019.

E sobre as críticas no meio político, como avalia?

Fico meio preocupado quando falam que a nossa saúde está caótica; tem que entender a nossa prestação de serviços; a quantidade de consultas que a gente faz. Em dezembro, a gente fazia o maior número de entregas de medicamentos, mais que Vitória. É um sistema que está funcionando; é lógico que precisa de melhorias. Quanto mais a Saúde melhora, mais demanda tem.




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