Por Yuri Scardini
Muitas pessoas enxergam o anoitecer com olhares de desconfiança. Um dos grandes motivos pode ser o medo do desconhecido. É natural, afinal de contas, o desconhecido muitas vezes traz consigo a mudança, algo que é ainda incerto.
Na Serra, há 20 anos não se vê mudança no cenário político. Pelo menos na cadeira de chefe do Executivo. Entre outros motivos, pode ser o medo do desconhecido que aflige os corações e mentes dos eleitores. Podemos dizer que esta cidade tem sido igual ao dia, monopolizado pelo sol. No caso dois sóis, alternando-se no céu. Grandes e brilhosos demais para que as outras estrelas despontem no firmamento.
Porém, uma hora, o sol tem que descer para o crepúsculo começar a fazer o contorno da transição no horizonte. E aí entra a lua e a noite. Mais democrática, igualitária e progressista. Durante a noite no céu brilham milhões de estrelas, cada uma com um tamanho diferente, mas todos com suas próprias claridades e sem monopólios ou oligopólios. A lua é permissiva.
Nesta eleição que se aproxima, tudo apontava para uma guerra isolada envolvendo o atual prefeito Audifax e o ex-prefeito Sérgio Vidigal. Mas ao que tudo indica, algumas estrelas da noite reivindicam espaço nesta luta. Podem estar cansadas do monopólio do sol e do dia sobre a lua e a noite. O desconhecido quer ser conhecido, a mudança quer dar seu toque transformador. Nestes 20 anos, a Serra já está com insolação. E excesso de sol pode dar até câncer de pele.
Fala-se em terceira via há muito tempo nesta cidade e, nestes anos, viu-se tanto Audifax quanto Vidigal se engajarem na desidratação de qualquer nova força que tentasse despontar para lhes fazer frente.
Mas na virada da última quarta (27) para a quinta-feira (28), terceiras vias ameaçaram um motim causando o frenesi de novas movimentações. O casamento entre PSB e a Rede do prefeito Audifax, foi posto em xeque. O PMDB que aparentemente estava isolado, ressurgiu no arranjo do eleitoral. Vista como uma movimentação hartungista, os peemedebistas voltam a namorar a vice na chapa redista obrigando o PSB a construir um discurso de terceira via com candidatura própria.
Gás para a panela de pressão
O PT que até então estava desmaiado, acordou e jura que vai peitar uma candidatura própria com o deputado federal Givaldo Viera. O PSD da vereadora Neidia Maura e do pré-candidato Flávio Serri articulou apoio de um bojo expressivo de partidos, e segue crescendo. É verdade que tanto Neidia quanto Serri estão dentro de uma panela de pressão. E o cozinheiro é Sérgio Vidigal (PDT), que com ajuda do governador Hartung põem fogo alto para tentar desarticular Serri. A dúvida é se tanto Serri quanto Neidia vão aguentar a pressão até a botija de gás de Vidigal acabar.
Quem também sofre certa pressão é o vereador e pré-candidato a prefeito Gideão Svensson (PR). Vidigal também não tem interesse nesta candidatura. O mercado vê nas relações umbilicais entre Magno Malta (patrono do PR) e Sérgio Vidigal, uma forma de equalizar a postura independente de Gideão. Porém, uma das informações que correm, é a de que Magno não irá interferir, caso Svensson venha mesmo como candidato.
Até a dobradinha Vidigal e Vandinho tem sido posta em dúvida. Pois se o PSDB de Vitória juntar com o PPS de Luciano, ficar difícil para os tucanos caminhar com Vidigal na Serra, uma vez que o ex-prefeito serrano apoia Amaro Neto (SD) para comandar a capital.
E o sonoro sindicalista Oswaldino, mesmo depois de não conseguir partido algum para coligar na proporcional, bate o pé e diz que também vem para a disputa.
Se algumas dessas autodeclaradas terceiras vias aguentarem o tranco e seguirem firme, é possível que um inédito segundo turno aconteça. Logo, se a síntese de que o desconhecido traz medo, é preciso saber se esse medo é do eleitor serrano ou de Audifax e Vidigal.