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Serra, 9 de novembro de 2018 às 9:00

“Armas a menos corroboram para a redução de homicídios na Serra”

Por Bruno Lyra
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Comandante do 6º Batalhão da PM, Tenente Coronel Roberto Mauro, diz que a redução de 38% nos assassinatos na Serra têm como um dos motivos a apreensão de armas pela polícia. Só este ano a Corporação apreendeu 377 arma de fogo ilegais. Foto: Arquivo TN

Comandante do 6º Batalhão da PM desde abril de 2017 e responsável pelo policiamento do município ao lado da 14º Cia Independente, o Tenente Coronel Roberto Mauro afirma que a redução dos assassinatos no município tem como um dos fatores a apreensão de armas de fogo. Nesta entrevista ao TN, ele afirma que também houve queda nos crimes contra o patrimônio. Fala do uso de drone, cães e Whatsapp para combater o crime. Afirma ainda que eventual facilitação na compra armas legalizadas pela população não deve aumentar a violência, mas ressalta a importância do controle do porte.  

 Como é distribuído o trabalho da PM e qual efetivo da corporação na Serra?

O 6º Batalhão, o qual estou comandando desde abril de 2017, possui cinco companhias: 1º Cia na região da grande Carapina; 2ª Cia na grande Laranjeiras; 3ª Cia na região de Serra Dourada e Nova Carapina; 4ª Cia na região da Serra Sede; 5ª Cia nas regiões de Novo Horizonte, Limoeiro e Bicanga. Tem ainda a 14ª Cia Independente, que responde pela grande Jacaraípe e Feu Rosa. Ao todo, o efetivo previsto é de 1.000 PM´s para atuar na Serra.

De janeiro ao último dia 5 de novembro 166 foram assassinadas na Serra, número 38% do que o mesmo período de 2017. O senhor defende que uma das principais razões é a apreensão de armas de fogo. Por quê?

Dos homicídios na Serra, 88% são por arma de fogo. Até a última segunda-feira (05), 377 armas de fogo ilegais foram apreendidas na cidade pela PM, 18% do total no ES. Essas armas a menos corroboram para a redução de homicídios na Serra. Além disso, a PM já identificou os bairros onde mais ocorrem homicídios desde o início da série histórica do Ciodes em 2001. Com isso desenvolveu planejamento para atuação nesses bairros, contando com apoio do Judiciário e Ministério Público na expedição de mandados de busca e apreensão contra homicidas, além de realizar ações de saturação quando há sequência de crimes.

Quais são os bairros com mais assassinatos?

Feu Rosa, Vila Nova de Colares e Bairro das Laranjeiras (Grande Jacaraípe) na região da 14ª Cia. Já na área das cinco companhias ligadas ao 6º Batalhão, Novo Horizonte, Central Carapina, Jardim Carapina, Jardim Limoeiro, Planalto Serrano, Nova Carapina e Serra Dourada. Homicídio está muito relacionado a questão social, historicamente houve ocupação desordenada de áreas de preservação por pessoas que vinham trabalhar nas obras de grandes indústrias como Vale e CST (ArcelorMittal) e isso contribuiu para violência na Serra. Nos últimos anos há tendência de queda nos homicídios, que só recuou em 2017 quando houve o movimento da PM em fevereiro. Mas logo depois os números voltaram a cair. Tanto que já temos uma queda em 2018 de 30% em relação a 2016, que foi o melhor ano da série histórica.

A sensação de insegurança população em relação a crimes contra o patrimônio permanece…

Os registros de ocorrência também estão caindo na Serra. De janeiro a outubro, roubos a pessoas em vias públicas caíram 40% em relação ao mesmo período de 2017. Roubos a estabelecimentos comerciais, recuaram 38%. Roubos de veículos, 29% a menos e no transporte público queda 44%. Aumentou apenas em roubo de residências e condomínios, 23%. Os números são da PM. A percepção de insegurança da população é muito influenciada pela veiculação das imagens nas mídias, inclusive redes sociais. Só este ano encaminhamos 500 pessoas para a delegacia por crimes contra o patrimônio. 

Um dos que mais tem gerado queixas, são os arrombamentos de lojas, inclusive com uso de veículos. Como reprimir?

Esse crime tem ganhando notoriedade, os bandidos vêem as ações de outras e vão repetindo a atitude. Por isso, temos viaturas extras que rodam de 10h às 6h com policiais orientadas para coibir essa prática, orientados com informações dos locais e horários onde são mais freqüentes os crimes.

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tem como uma das principais plataformas facilitar a compra de armas pela população civil. Não há risco disso reverter a tendência de queda nos assassinatos?  

São coisas distintas. A proposta do Governo Federal parece ser a de facilitar a compra de arma para ter em seu domicílio (posse). É claro que o porte (portar nas ruas) a Policia Federal vai restringir muito, a pessoa terá que justificar.  Para portar arma, devem permanecer as regras restritivas. Teste psicológico, treinamento, são pré-requisitos que tem que ter. Não se pode abrir mão dessa questão. As armas que apreendemos são contrabandeadas, ilegais. Retirando essas armas das mãos de delinquentes, criminosos, a gente esteja fazendo a redução desses crimes.  

Como o senhor avalia as propostas para reduzir os embaraços legais aos policiais que matarem bandidos em serviço?

O excludente de ilicitude já existe na legislação. O que está se falando a nível federal é que a interpretação da lei deve ser mais favorável ao policial. Nós somos a sociedade. Se nós falharmos, quem sofre é a sociedade, que tem a PM como protetora. Por exemplo, só em Planalto Serranos ocorreram este ano mais de seis confrontos de pessoas armadas contra a PM. Um homem com fuzil na mão é uma ameaça à sociedade.

Passado 1 ano e 9 meses da paralisação da PM, qual avaliação o senhor faz do movimento? 

Foram 23 dias sem polícia na rua. A população se sentiu em situação de anarquia. Roubos arrombamentos. Homicídios, troca de tiros em vias públicas onde não aconteceria se a polícia estivesse presente. Furtos e roubos de veículos foram lá em cima. Alguns especialistas afirmavam que a PM voltaria a sua normalidade depois de dois ou três anos. Mas após três meses a gente já conseguiu voltar com o policiamento normal.

Há outras ações da PM na Serra que o senhor destacaria?

Há projeto para implantação de bases comunitárias da PM em parceria com a prefeitura em sete bairros com mais problemas de homicídios. A Patrulha Rural está plotando nos mapas as casas e sítios para facilitar a chegada de viaturas quando a PM for acionada. Estamos com cão farejador, que fica na casa de policial aqui na Serra, para apreensão de drogas. Dois policiais estão sendo treinados para pilotar drones, com intuito de combater crimes. A PM, em parceria com moradores de condomínios da região de Laranjeiras, está criando grupos de Whatsapp para comunicação direta.  




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