Mestre Álvaro | Portal Tempo Novo

Serra, 13 de dezembro de 2018

Portal Tempo Novo - O Portal da Serra, ES

Mestre Álvaro

por Eci Scardini

A nova economia clama por um tributo mais “conectado” 

Por Rafael Aguirrezábal

A necessidade de simplificação tributária é algo próximo de consenso no país. Nesse momento, estão em análise três propostas, que exigirão debate com o congresso, por exemplo, no que tange à atualização dos impostos com a nova realidade da economia, focada nas plataformas digitais e serviços.

Existe um ponto de intersecção entre as propostas em debate, que preveem uma unificação de impostos nas três esferas, consolidados na possibilidade de um IVA (imposto sobre o valor agregado) nacional. Os esforços convergem para um caminho de simplificação necessário é fato, porém ao passo que os setores da economia tradicional serão beneficiados de maneira mais imediata, ainda faltará um olhar mais cuidadoso para a tributação dos setores digitais, de tecnologia e financeiros que vão girar o desenvolvimento do país de maneira progressiva.

É importante pensar em formas de tributar as empresas que fornecem bens e serviços num contexto de economia digital, não só na tributação da renda, mas também no consumo.

Outra necessidade é de que as Administrações Tributárias precisam se modernizar, não só na aquisição e domínio de ferramentas de big data, machine learning e blockchain, mas também na capacitação dos Auditores Fiscais como cientistas de dados.

A resposta não é simples, porém com sua expertise e capilaridade, onde a atividade econômica entre as pessoas de fato acontece, nos mais de 5,5 mil municípios do país, o tributo mais próximo de servir a esse propósito, sem desviar energia do governo federal, acaba sendo o Imposto sobre o Serviço (ISS).

Evidente que há de se debater uma norma padrão para o imposto, em linha com os modelos em análise no Brasil, além de se trabalhar por uma unificação de obrigações assessórias, notas fiscais e documentos de arrecadação e, principalmente, pela consolidação de um sistema eficaz de consórcios para Administrações Tributárias de pequenos municípios, capaz de gerar segurança para o desenvolvimento dessas novas atividades.

Além de ser uma questão vital sobre a simplificação tributária no país, é também um ponto de atenção para garantir coerência com a própria agenda federal, que preza por uma gestão técnica com mais Brasil e menos Brasília.

Rafael Aguirrezábal

Diretor de Assuntos Estratégicos da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais de Tributos dos Municípios e Distrito Federal (Anafisco)

“Selando o cavalo”

Por Eci Scardini

O governador Paulo Hartung (sem partido) vai passar o bastão para o seu sucessor, Renato Casagrande (PSB) em 1º de janeiro, mas não vai passar sem deixar uma confusão política armada: ele tem repetidas vezes lançado o prefeito Audifax Barcelos (Rede) candidato a governador em 2022.

Esse movimento de Hartung encheu de brilho os olhos do prefeito, que já manifestou que não tem mais interesse em disputar a Prefeitura da Serra no futuro ou voltar para a Câmara dos Deputados. Logo, Audifax já trabalha na perspectiva de Governo ou Senado.

Nos bastidores sabe-se que o prefeito está gostando deste movimento capitaneado por Hartung e está deixando o mesmo fluir. A cabeça dele já chegou em 2022, sem descuidar dos dois últimos anos do seu mandato e sem deixar de pensar em eleger o seu sucessor.

Ele sabe quais obras irá realizar em 2019 e 2020, que vão sustentar este projeto de sucessão. Também sabe quem estará nos polos opostos: Vandinho (PSDB); Vidigal (PDT) e Manato (PSL), que terá seu tamanho condicionado a resultados positivos do Governo de Bolsonaro. Bruno Lamas (PSB) ainda é um assunto a ser resolvido.

Audifax precisa tomar duas decisões: em qual partido se filiar quando o Rede fundir com o PPS, uma vez que o partido de Marina Silva não alcançou a cláusula de barreira na eleição. A segunda decisão é escolher quem será o seu candidato a prefeito. Provavelmente, as duas decisões serão tomadas juntas ou bem próxima uma da outra e, provavelmente entre fevereiro e março de 2019.

O histórico vencedor de Hartung quanto o de Audifax põe pilha em Casagrande, e já deixa-o vigilante, tendo que ao mesmo tempo governar o Estado, vigiar e tentar diminuir o tamanho de Audifax, turbinar o deputado estadual Bruno Lamas (PSB) para ficar mais competitivo para prefeito e fazer obras na Serra.

Está passando da hora

Mesmo sendo a Serra a força econômica e eleitoral que é; foram poucas as ocasiões que ela foi protagonista na eleição estadual, a partir da redemocratização do país para cá, em 1982. Neste ano, ela figurou com algum destaque com o nome do saudoso José Maria Miguel Feu Rosa figurando como vice-governador na chapa encabeçada por Carlito Von Schilgen. Eleição que foi vencida por Gerson Camata e vice José Moraes.  

A Serra só voltaria a ter um pequeno protagonismo em eleição majoritária em 1998, quando o ex-prefeito João Baptista da Motta abdicou de disputar o senado, abrindo vaga para Paulo Hartung e figurando como primeiro suplente na chapa. Quatro anos depois, em 2002, Hartung disputa a ganha o Governo do Estado e Motta vira senador por quatro anos.

Em 2006 a Serra volta ao topo da política estadual com a candidatura de Sérgio Vidigal (PDT) a governador, enfrentando Hartung na reeleição. Mas teve um desempenho muito aquém do esperado e sofreu uma derrota fragorosa.

Em 2010, não tanto pela sua performance política e eleitoral na Serra, mas sim pelas composições partidárias, Givaldo Vieira, então no PT, colocou a Serra dentro do Palácio Anchieta, sendo o vice-governador de Renato Casagrande.

Quando chegar em 2022, serão 40 anos de redemocratização do país e 10 eleições de governador, vice, senador e deputados federais e estaduais. A Serra pouco protagonizou nas principais disputas, mesmo sendo a força eleitoral que é.

Se de fato a candidatura a governador de Audifax vier a se consolidar, será muito bom para a Serra, principalmente se for uma candidatura robusta e competitiva. Eleger deputado federal e estadual não chega a ser um grande desafio para uma cidade que tem o maior eleitorado do Estado, passando dos 300 mil eleitores.

Poluidora de estimação

Yuri Scardini

A poluidora Ambiental Serra está no foco da insatisfação de muitas comunidades por conta das péssimas condições das águas no município. Desde 2015 a empresa firmou parceria público- privada com a Cesan, e ficou responsável pela ampliação, manutenção e operação do esgoto na Serra.

Até agosto desse ano a Ambiental Serra já foi multada 41 vezes pela Prefeitura da Serra por poluição com danos ambientais. Ao todo os valores das multas já batem a casa dos R$ 2 milhões.

O contrato tem valor estimado de R$ 628 milhões e vigência de 30 anos. Acontece que além das multas, a poluidora parece só investir em obras de coleta de esgoto, já que cada residência ligada à rede paga uma taxa de 80% do valor da água.

Enquanto isso, investimentos na melhoria do sistema de tratamento, que traz o retorno ambiental, social e econômico, segue estacionado. A ETE de Manguinhos que é a mais moderna da Serra foi construída com dinheiro público do programa Águas Limpa do Governo do ES. Já a maioria das outras 20 estações de esgoto são antigas e defasadas, do tipo lagoa de decantação, construídas entre as décadas de 80 e 90. A poluidora não construiu nenhuma nova ETE e nem fez investimentos estruturantes nas outras. Do que adianta coletar se o tratamento é ineficiente?

Adianta só para a empresa, é claro. Segundo a própria, já fora feitas 44 mil conexões de imóveis a rede de esgoto, o que engorda os caixas da poluidora, uma vez que o sistema de contraprestação mensal da Cesan à Serra Ambiental, firmado em contrato, é um cálculo que leva em consideração a quantidade de esgoto coletado e ‘tratado’,  no valor de R$ 1,06 por m³. A empresa diz que são 1 bilhão de litros/mês, o que daria algo próximo de R$ 48 milhões em 4 anos.

Além disso, a poluidora é remunerada mensalmente por uma parcela fixada em contrato, que ao término desse ano deve somar R$ 128 milhões em 4 anos. Por fim, tanto a parcela variável quanto a fixa, são ainda multiplicados por dois índices de desempenho.

A Ambiental Serra era formada por um consorcio entre as empresas Artepa, Mauá e Sonel. Mas desde 2017, foi comprada pela gigante Aegea, que escalou para a presidência, Reginalva Mureb. De lá pra cá a empresa já abocanhou a gestão do esgoto de Vila Velha e agora está de olho grande em Cariacica.

Enquanto milhões estão a rolar, comunidades inteiras sofrem com a imundice dos córregos que desaguam nas praias e nas lagoas. Trazendo problemas de saúde pública e esterilizando setores como pesca e turismo.

Em busca das pistas e sinais

Bruno Lyra 

Não dá para prever como será o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro. No entanto, alguns nomes escolhidos para a sua equipe e sinais do próprio Bolsonaro dão pistas do que o Espírito Santo e a Serra podem esperar da União nos próximos anos.  

Uma delas está na escolha do militar Tarciso Gomes de Freitas para o Ministério da Infraestrutura. Ex-diretor do DNIT, Tarciso é um dos articuladores da proposta de que a Vale deva construir ferrovia na região Centro-Oeste ao invés de fazer a linha férrea no litoral sul do ES como contrapartida à renovação da concessão da Vitória-Minas. A proposta atende o agronegócio nacional das commodities, coisa que os capixabas estão praticamente fora.

A não ser pela produção de ovo e café na região serrana, sendo que a segunda está mais ligada a lógica de pequenos produtores organizados em cooperativas. No estado, o forte é a agricultura familiar. Há dúvidas se o governo Bolsonaro irá manter e aprofundar os incentivos ao setor.

Isto por conta do perfil da escolhida para o Ministério da Agricultura: Teresa Cristina, ligada ao agronegócio. Também pelo nome escalado para a Secretaria de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia, presidente da UDR. E ainda pela proposta da incorporação da Secretaria da Agricultura Familiar ao ministério.

A tomada de partido do Brasil na guerra comercial EUA x China é outra frente que pode repercutir aqui. Bolsonaro não esconde o alinhamento automático com os Estados Unidos. Segundo o Sindiex, hoje 5 % das exportações e 23 % das importações do ES são com a China. Não só o estado pode sofrer com o declínio do comércio com os orientais, mas também a Serra, dona do principal parque logístico e industrial capixaba.

Para quem tem economia altamente ligada ao comércio exterior, como a Serra e o ES, é salutar que haja boa condução da política externa, sem paixões ideológicas. Mas o futuro chanceler Ernesto Araújo considera aquecimento global “alarmismo climático” e já falou em combater “pautas anticristãs da ONU”. Pura ideologia.   

Ideologia, aliás, que já falou mais forte na saúde, com a saída dos médicos cubanos. Embora não diga que irá acabar com programas sociais, Bolsonaro defende auditoria no setor, que já deve sofrer com o congelamento de gastos aprovado no governo Temer. Só na Serra, cerca de 100 mil moradores vivem abaixo da linha de pobreza, com renda igual ou menor que R$ 178 mensais. O dado é da secretaria municipal de Assistência Social.      

A equação Audifax e Lamas

Por Yuri Scardini

Após anos de uma aliança duradoura, a relação política do prefeito Audifax Barcelos (Rede) e da família Lamas chegou a uma encruzilhada. Por diversos motivos, houve um afastamento e daqui a pouco tempo, ambos terão que decidir se seguirão de mãos dadas rumo a 2020 ou se vão por caminhos opostos. Essa é uma decisão que terá profundos impactos na geopolítica local.

Humberto Ayres, Márcia Lamas e Bruno Lamas, que são os expoentes da família, sempre foram fundamentais nos governos dos últimos 30 anos e deram sustentação política aos prefeitos que por aqui passaram. Agora, eles entendem que meritoriamente chegou o momento de um de seus consanguíneos, no caso o deputado Bruno Lamas (PSB), ter a chance de disputa a Prefeitura da Serra. Este já parece ser uma decisão irrevogável.

O momento é complexo, no paradoxo da renovação conservadora no Brasil, que fez emergir figuras aparentemente descoladas da política. Bruno terá que convencer uma população de 320 mil eleitores, de que há exceção na política. Desafio superável dado à habilidade de Bruno. Mas sua votação para deputado estadual este ano, ficando abaixo do esperado, acende o sinal da necessidade por reinvenção.

Esse desafio poderá ser encurtado se ao lado de Bruno estiver o prefeito Audifax. Especialista na arte de fazer eleição, e com uma das máquinas mais poderosas do ES na mão. Mas antes, ambos terão que colocar as cartas na mesa. Existe uma história de 10 anos para ser colocada na balança. Bruno tem muita resistência na turma da cozinha de Audifax, e essa é uma barreira que terá que ser superada, caso haja espaço para composição.

Se o caminho for o inverso, aliados do deputado não descartam a hipótese mais radical de liderar um bloco suprapartidário e heterogêneo de oposição, no vácuo deixado pelo declínio político do ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT), que inclusive pode fazer parte desse grupo. Bloco esse que deverá receber apoio do governador eleito Renato Casagrande (PSB), dono de uma caneta de R$ 18 bilhões em orçamento.

Audifax é um estrategista político nato e faz tudo em seu devido tempo. Ele vai dar sinais dúbios até o momento de definir. Verdade é que a dobradinha Audifax/Bruno pode limitar os movimentos dos adversários. Já o inverso pode ser fator propulsor para outros grupos que estão com olho gordo na Serra.          

A conta fica com o pobre

Por Bruno Lyra

A saída dos profissionais cubanos do programa Mais Médicos gera impacto direto na saúde pública da Serra. E impõe a Prefeitura um tremendo desafio: repor os 30 médicos espalhados por unidades de saúde como Nova Carapina, Jardim Carapina, São Marcos, Central Carapina, Nova Almeida, Barcelona, Vila Nova de Colares, Jacaraípe, Taquara, Barro Branco, entre outros.

Isso no contexto de empobrecimento e desemprego, que acaba por levar mais pessoas a depender do SUS. Historicamente, o município tem dificuldade para conseguir profissionais para atuar em determinadas regiões. O prefeito Audifax, por exemplo, já reclamou do desafio em conseguir pediatra para a UPA da Serra-Sede. Outra região que sofre é Nova Almeida.

Dentre os 78 municípios capixabas, a Serra é que mais teve cubanos do Mais Médicos. As vizinhas Vila Velha, Cariacica e Vitória têm, respectivamente, nove, sete e cinco profissionais do país caribenho. 

Já o médico capixaba, assim como ocorre no resto do Brasil, é em boa medida oriundo de família de classe média. Quando não, de classe alta. Não é de se estranhar que rejeite trabalhar em local com fama de violento e degradado, pecha que recaiu sobre a Serra nas últimas décadas, em parte de forma injusta, uma vez que as cidades vizinhas também são problemáticas. Mas o que vale é a fama e a distância. Gente com mais recurso financeiro, como o médico, gosta de morar na zona norte de Vitória e da orla de Vila Velha. Salvo exceções.

Se a conta divulgada pela Folha de São Paulo de cada cubano atende, em média, 3,4 mil pacientes, mais de 100 mil pessoas podem ficar com o atendimento comprometido na Serra. Mas a Prefeitura não confirma os números.

Atuando na saúde básica, os cubanos costumam ser elogiados por quem atendem. Tanto pela qualificação quando pela humanização. É notório o prestígio internacional da medicina cubana. Portanto, a saída de Cuba do Mais Médicos é ideológica; foi provocada pela eleição de Jair Bolsonaro (PSL), que antes e durante a campanha já avisara que não aceitaria os termos atuais do convênio.

É discutível o fato do médico ficar com apenas 30% e o governo de Cuba 70% dos R$ 11 mil/mês que o Brasil paga por profissional. Também seria discutível se o governo cubano não levasse nada, uma vez que banca a formação do médico. O que é indiscutível é o prejuízo ao morador mais carente da Serra e do resto do Brasil onde só cubanos toparam clinicar.

De olho em agradar a plateia

Por Yuri Scardini

A fim de cumprir sua promessa de diminuir o tamanho do Estado, o presidente Bolsonaro vem anunciando várias mudanças nos Ministérios. Medidas assim soam como música aos ouvidos da população, mas objetivamente é jogar para a plateia.

Diminuir de 29 para 17 Ministérios não fará nem cócegas no Orçamento da União. Até porque não adianta reduzir Ministério para lotar repartições públicas de divisórias para caber gente.

É verdade que muitas vezes, as indicações de cargos são para acomodar apadrinhados de um Governo influenciado por políticos e partidos fisiológicos. Esse é o presidencialismo de colisão, que popularmente vem sendo chamado de ‘toma lá da cá’. Prática muita criticada, mas que visa à governabilidade.

Segundo dados do Ministério do Planejamento, o Governo Federal tem 622 mil servidores, dos quais aproximadamente 240 mil estão na ativa, ou seja, mais de 60% são aposentados ou pensionistas. Destes 240 mil, 23 mil são servidores comissionados, nem 10%, e dentre eles ‘apenas’ 11 mil não precisam ser concursados sendo de livre de indicação do presidente.

Número que olhado em perspectiva, não é gargalo em um orçamento de R$ 1.4 trilhão. A título de comparação: A Prefeitura da Serra orçou R$ 1.7 bilhão para 2019 e tem 900 cargos comissionados de livre nomeação. Já no Governo do ES tem cerca de 3.500 comissionados, para um orçamento de R$ 18 bilhões em 2019. Números proporcionalmente muito maiores que o Governo Federal. E se tratando de um Município e Estado equilibrados sob a perspectiva fiscal.

É bom que Bolsonaro corte gente onde der, mas é ilusão que isso tenha algum impacto real no orçamento. Até que ponto vale a pena extinguir ou fundir Ministérios expressivos, como o Trabalho, para ter uma economia módica em um orçamento trilionário?

O problema estruturante para o Brasil segue sendo a Previdência, que em 2019 vai consumir R$ 767 bilhões, aproximadamente 58% do orçamento fiscal do Governo. E disso, pouco vem sendo falado. Ainda mais que os militares representam quase 50% desse valor. Classe que deu apoio incondicional para Bolsonaro.

No Brasil de hoje, não cabe mais jogar para plateia. O PT fez isso por anos, e deu no que deu. O novo Governo tem que encarar a realidade do Brasil, e ela é impopular e misantrópica.

República Federativa do Brasil

Por Bruno Lyra

Nesta quinta feira (15), a jovem república brasileira fez 129 anos. Implantado como sistema político pela primeira vez na Roma antiga (séc. VI a.c.), tem o significado literal de ‘coisa pública’. Ao longo da história o conceito evoluiu e ganhou os moldes atuais com a Independência dos EUA (1776) e Revolução Francesa (1789). 

O direto da população à escolha de seu governante e dos demais representantes no parlamento é pilar da vida republicana. Que se completa pela existência de um judiciário que ao mesmo tempo em que deve ser independente dos dois primeiros, completa a tríade de poderes emanados do povo.

Esse direito de escolha dos governantes está no voto, que qualquer brasileiro com 16 anos ou mais pode exercer. Branco, negro, índio, misturado. Homem, mulher, transgênero. Mas nem sempre foi assim. Quando instalada a república no país em 15 de novembro de 1889, só votavam homens. Por exemplo, as mulheres só puderam votar após a década de 1930. 

Outro pilar fundamental da república é a Constituição. Foram seis em nosso período republicano, a mais recente é de 1988. Regimes autoritários sempre se tornam desafio para a república. Foi assim com o Estado Novo de Getúlio Vargas (1937 – 1945) e com a Ditadura Militar (1964 – 1985). Neste último, por exemplo,  perdeu-se o direito de votar para presidente, governador e prefeito. Fora a censura à liberdade de imprensa, de pensamento, artística e de atuação política.

Nos 129 anos de republicanismo, o Brasil teve nove presidentes militares e 28 civis. O próximo mandatário, Jair Bolsonaro, será o 10º presidente de origem militar. Eleito com 57 milhões de votos, 10 milhões a mais que seu concorrente no 2º turno.

Tudo normal se não fosse o fato do novo presidente e parte de seu grupo político, terem histórico de declarações pouco afeitas aos valores republicanos. Dentre elas, a de eliminar, prender ou expulsar adversários políticos. De fechar a corte máxima do país e fazer apologia à tortura.  De atacar professores e imprensa.

Recentemente, Paulo Guedes – nome escalado para comandar a economia – disse que era preciso “dar uma  prensa” no Senado para que aprove ainda este ano a reforma da previdência, antes do novo governo assumir. A declaração é mais uma que repercutiu mal. Por essas e outras a gestão Bolsonaro será teste de vitalidade para a República Federativa do Brasil. 

E para nós a vossa lama

Bruno Lyra 

Na última segunda-feira (05) completaram três anos do maior desastre /crime ambiental da história do país e um dos mais severos da humanidade. O rompimento da barragem de rejeitos de minério da Samarco(Vale + BHP Billiton) em Mariana – MG matou 19 pessoas, destruiu casas e propriedades rurais.

E arruinou a principal fonte de água do ES, o rio Doce. Lama que desceu e continua descendo a cada grande cheia, estragou o rico estuário do rio em Regência e, uma vez no mar, se espalhou chegando a Cabo Frio, no Rio de Janeiro e Abrolhos, Bahia.  

Os impactos econômicos e sociais também foram gigantescos. A paralisação da Samarco, que no ES tem em Anchieta usina de pelotização e porto para exportação de minério, foi duro golpe para a economia capixaba. Baque sentido até na Serra, onde fornecedoras e prestadoras de serviço mantinham contratos anuais com a Samarco em torno de R$ 300 milhões/ano que geravam cerca de 350 empregos.

Sem contar os pescadores do rio Doce, que deixaram a atividade. E o impacto aos pescadores de todo o litoral capixaba, que tinham na foz do referido rio, em Regência, um dos principais pesqueiros. O que dizer então dos moradores das cidades abastecidas pelo Doce e dos produtores rurais que dependem do rio para irrigação? Os problemas também afetaram a lagoa Juparanã, a 2ª maior do país, entre Linhares e Sooretama.   

Tudo isso sem que houvesse punição aos diretores e operadores da Samarco. Nem mesmo as multas ambientais foram pagas pela empresa. Suas donas Vale e BHP pouco fazem, como se nada tivessem a ver com o desastre. As indenizações pagas e obras de reparações tocadas até agora pela Fundação Renova, entidade da Samarco criada para este fim, são desproporcionais ao tamanho do estrago.  

Se com as regras ambientais que o país tem atualmente esse cenário de impunidade e descaso impressiona, o que esperar do futuro? O grupo político vitorioso nas eleições presidenciais já sinaliza mais ‘flexibilização’ das leis e governança ambientais. Fala-se até em fechamento do Ministério do Meio Ambiente. É bom lembrar que nas cabeceiras do rio Doce, em Minas Gerais, há várias outras barragens de rejeitos da mineração.        

Eldorado eleitoral capixaba

Yuri Scardini

Nem bem acabou a eleição desse ano e o meio político já mira em 2020. Estão fervendo os ânimos na Serra, cidade governada por Audifax  Barcelos (Rede) e Sérgio Vidigal (PDT) de 1997 pra frente. Isso porque há uma chance expressiva de nenhum dos dois estarem na disputa.

O prefeito Audifax não tem a opção de reeleição, já Vidigal teve suas contas rejeitas pelo Tribunal de Contas, referente a 2012, quando foi prefeito da Serra. Fato que pode torná-lo inelegível. Vidigal ainda vai recorrer, mas se o Tribunal não acatar o recurso, quem deverá decidir o futuro político de Vidigal são os vereadores. O ex-prefeito vai precisar de 16 votos. Uma tarefa das mais difíceis.

Caso ocorra, indubitavelmente a Serra se tornará a cidade mais sedutora em 2020, uma vez que a cadeira de prefeito é uma das posições mais privilegiadas politicamente no Estado.

Mesmo não estando diretamente na disputa, tanto Audifax quando Vidigal participarão do processo. A partir de 2019 o prefeito deve começar a trabalhar sua linha de sucessão, para manter seu grupo político no município e dar sustentação para Audifax disputar o Governo do ES em 2022. Já Vidigal como cabo eleitoral também pode desequilibrar. 

Não está claro quem será o escolhido de Audifax, mas o prefeito tem dedo bom para isso, é só ver o fenômeno Fabiano Contarato (Rede), eleito senador com mais de 1 milhão de votos, quando só Audifax acreditou ser possível em meados do ano passado. Além disso, o prefeito vem com um extenso planejamento de obras fruto de operação de crédito, que pode ser uma boa vantagem na hora de cair para a rua e pedir votos para o sucessor.

O PSL de Bolsonaro, figurado por Manato no ES, também está de olho grande na cidade. Mas este plano está condicionado a resultados favoráveis do Governo de Bolsonaro, coisa que ainda é uma incógnita.

Além disso, resta saber qual o tamanho dos deputados Bruno Lamas (PSB), Vandinho Leite (PSDB) e Alexandre Xambinho (Rede) em 2020, dois postulantes ao cargo que vão precisar ganhar musculatura para chegar com força na disputa, uma vez que os resultados eleitorais desse ano deixaram a desejar. Não se descarta também a possibilidade de surgir alguém através desse fenômeno das redes sociais já que o campo pode estar aberto.

A Serra órfã de Vidigal e Audifax na urna em 2020 será fato não visto há 23 anos. Tudo pode acontecer.

Bolsonaro e o Espírito Santo

Yuri Scardini 

O que esperar do Governo do presidente eleito Jair Bolsonaro para o ES? Esta é uma pergunta que não pode ser respondida no momento e estará condicionado a diversos contextos, entre eles um resultado econômico favorável.

Por algumas razões, entre elas menor expressão política e de representação, o ES é um estado que vem nos últimos anos sofrendo falta de investimentos e perdas econômicas acarretadas por políticas dos Governos Federais.

Só para citar algumas, a Lei Kandir aprovada em 1996 que acarretou perdas de arrecadação para o ES na ordem de R$ 30 bilhões nos últimos 20 anos, e nunca houve uma compensação por parte do Governo Federal.

Nesta conta também dá para incluir o fim do Fundap em 2013, sem nenhuma política de compensação da União. O que acarretou uma perda estimada de 50 mil postos de trabalho e uma queda bilionária de 7% do PIB do Estado. E em 2016 a Operação Lava Jato apontou que o fim do Fundap teria sido comprado pela Odebrecht para favorecer a empresa.

Nessa lista, incluí as BR-101 e 262 que seguem sem duplicação; a ferrovia da Vale que iria ligar todo o sul do Estado, e agora o Governo que levar o investimento para o Centro Oeste; o aeroporto que demorou 15 anos para ficar pronto; e um contorno do Mestre Álvaro que patina; entre outros.

Outra preocupação é com os discursos anti-China de Bolsonaro. O país asiático é o terceiro maior destino de exportações capixabas. Uma pesquisa do Ministério do Comercio Exterior identificou que o ES exportou um total de R$ 8 bilhões em 2017, sendo R$ 2,7 bi para o EUA e R$ 400 milhões para a China. Acontece que o Estado enxerga a China como um parceiro promissor, só em 2017 foram 10 missões empresariais para a China. Nos últimos três anos a exportações para o EUA vêm caindo e a China vem crescendo.

Todas essas são expectativas de como Bolsonaro vai olhar para o ES. Mas entre os sinais positivos está a proximidade de dois capixabas com Bolsonaro. O que pode acarretar mais atenção do presidente com o Estado. Trata-se de Magno Malta (PR) e Carlos Manato (PSL).

Talvez o ES nunca tivesse lideranças políticas capixabas tão próximas do ciclo de confiança de um presidente, e como a política brasileira é personalista e de grupos, esse fato pode ser uma boa via para o Estado. 

Prova de força da democracia

Bruno Lyra 

A vitória do capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro (PSL) na eleição para presidente da República põe à prova a jovem democracia brasileira, restabelecida há 35 anos após duas décadas da ditadura militar de 1964 a 1984. E não é só pelo fato da chapa do presidente eleito ser ‘puro sangue’ – seu vice é o general do Exército Hamilton Mourão.

Mas pelas declarações de Bolsonaro e aliados ao longo da campanha e antes do início do período eleitoral. Durante sua longa carreira de deputado federal, o presidente eleito proferiu frases polêmicas contra negros, homossexuais e mulheres. A mais famosa delas, ao discutir com a deputada petista Maria do Rosário, “Não te estupro porque você não merece”, rendeu a Bolsonaro condenação na Justiça. Elogiou várias vezes a tortura, o assassinato de opositores do regime militar, defendeu a “morte de corruptos”, incluindo do então presidente Fernando Henrique.

Já na campanha ao Planalto, Bolsonaro falou em metralhar adversários. Em forçar o exílio ou prender opositores. Meses antes do início do período eleitoral, seu filho Eduardo (eleito deputado federal por SP) ameaçou fechar o Supremo Tribunal Federal usando um cabo e um soldado do Exército. Republicado dias antes do pleito no 1º turno, o vídeo com a declaração gerou indignação entre ministros do STF. Por mais de uma vez, Bolsonaro e aliados lançaram dúvidas sobre a lisura da votação nas urnas, dizendo que se perdessem a eleição não aceitariam o resultado alegando fraude.

Uma vez eleito, Bolsonaro moderou seu discurso. Prometeu respeitar a Constituição, o pluripartidarismo e a liberdade de imprensa, embora continuasse mirando duras críticas a pelo menos parte desta última. Mas o fato de ter corroborado a estranha campanha para denunciar professores  com ‘viés ideológico’ em aulas só ajuda a lançar mais incertezas sobre o que será o governo do capitão Jair Messias.  

Que com parte das forças armadas e polícias ao seu lado, se submeterá à Constituição? Aceitará a independência do Ministério Público, Polícia Federal, dos outros órgãos de controle, do próprio judiciário, se os malfeitos a serem investigados e julgados estiverem no âmago do governo? Receberá pacificamente críticas e o jogo da oposição no congresso e nas ruas? O Brasil resolveu pagar para ver.  

Ambiente e pessoas em risco

Se não houver uma virada de última hora, Jair Bolsonaro (PSL) deve ser eleito o novo presidente da república no domingo (28).  As dúvidas que os críticos da candidatura do militar da reserva possuem sobre  a manutenção da democracia ou, pelo menos, sobre a qualidade do regime democrático a partir de 2019, também se estendem ao meio ambiente.

Tema que está muito mais perto das pessoas do que muitos imaginam: influenciam diretamente a qualidade da comida que se ingere, do ar que se respira, da água que se bebe. E também do nível de ruído e calor a que se está exposto no dia a dia. Enfim, coisas que estão intimamente ligadas à saúde e a economia. Quem fica doente sempre produz menos, gasta mais com medicação. Todos perdem independente da posição social, opção política, ideológica, sexual, religiosa, futebolística, entre outras.

Bolsonaro assusta ao criticar reservas ambientais, defender o fim da demarcação de terras indígenas, desprezar a ONU e acordo contra mudanças climáticas, dizer que irá fundir o Ministério do Meio Ambiente com a Agricultura, falar que vai cercear o ativismo ambiental e praticamente não tratar do tema em seu programa de governo protocolado no TSE. E o alarme vem de todos os cantos do planeta.

Por uma simples razão. O Brasil é campeão mundial de biodiversidade, detém grande parte da Amazônia, a maior floresta tropical ainda de pé na Terra, é berço das duas maiores bacias hidrográficas mundiais. Sem contar que é um dos principais produtores de alimentos do planeta, portanto há interesse mundial em saber como ficará a qualidade dessa comida.

Refletir a realidade da Serra ajuda a entender o risco. Mesmo com a adoção de leis ambientais mais protetivas, não se conseguiu evitar: que sangue humano fosse parar em rio que abastece a cidade; que o município se livrasse de centenas de lixões a céu aberto; que a economia e a natureza do ES fossem devastadas pela lama da Samarco (Vale + BHP); que o caro tratamento de esgoto pago pela população redundasse em córregos e lagoas podres; que o Mestre Álvaro não fosse plenamente preservado e ainda sofresse redução de sua reserva.

Imagine então o que pode acontecer com o afrouxamento da regra e governança sobre o tema? Que Bolsonaro reveja tais posições caso eleito. Do contrário, o projeto civilizatório estará em risco.

 

Casagrande e dilapidação do patrimônio

Enquanto o Brasil concentra para acompanhar e militar online e off-line na eleição presidencial, o meio político capixaba divide o olhar, com atenção a esse contexto e a transição entre o governador eleito Renato Casagrande (PSB) e o atual, Paulo Hartung (MDB). Mesmo com equipes de transição em campo, muitos conflitos e discordâncias têm sido registrados.

Entre eles estão às movimentações financeiras do Governo, especialmente após o resultado do 1º turno da eleição. A equipe de Casagrande acusa o governador de gastança desenfreada nessa reta final de mandato. Segundo eles, movimentações anormais têm sido registradas, o que poderia colocar em xeque a liquidez financeira do próximo Governo.

O principal foco de debate são os convênios assinados com as Prefeituras para a realização de obras. Teriam sidos adicionados ao Orçamento cerca de R$ 320 milhões para este fim, quando a previsão inicial era de R$ 48 milhões. Somente na semana passada o governador assinou 13 convênios com 6 prefeituras, que totalizam mais de RS 30 milhões a serem pagos em cota única, a Serra foi uma das cidades contempladas, com R$ 13 milhões.

Segundo levantamento da equipe de Casagrande, desses R$ 320 milhões, teria sido empenhado R$ 125 milhões, dos quais foram quitados apenas R$ 23 milhões. A equipe de Casagrande teme que essa política de Hartung engesse a máquina pública, no que Casagrande chama de “dilapidação do patrimônio” estadual.

Já porta-vozes de Hartung, afirmam que as contas públicas estão equilibradas e devem entregar o governo estadual mais saudável fiscalmente falando do Brasil, com R$ 300 milhões em caixa. Governo esse que recentemente foi exaltado pela jornalista Miriam Leitão da Rede Globo.

Outro desafio de Casagrande é o orçamento de 2019 que já está na Assembleia Legislativa. Numa jogada junto ao presidente Erick Musso (PRP), Casagrande conseguiu adiar a votação da peça orçamentária, e deverá sugerir mudanças. Entre os pontos que suscita atenção, segundo aliados do governador eleito, está a receita perdida por meio de exonerações fiscais, onde há a previsão de conceder benefícios fiscais a setores da economia capixaba, que podem redundar em perdas de arrecadação.

E isso tudo porque Casagrande nem sequer assumiu o mandato. O Brasil deve passar por tempos a difíceis pela frente, independente de quem for eleito presidente. O governador eleito ainda terá que ter muito fôlego.

 

Debate é o oxigênio da democracia

Bruno Lyra

Esta é a eleição mais polarizada desde a redemocratização do país, em 1985. E graças à capilaridade das redes sociais, é também a que mais tem mexido no cotidiano das pessoas. Tem gerado conflito entre familiares. Entre amigos que poucas semanas atrás riam juntos. O que dirá entre desconhecidos.

O debate foi sequestrado. Deu lugar à virulência do discurso cego detratando o oponente. Confrontos que ocorrem na internet e já ganharam as ruas em forma de agressões e até assassinato. Basta ver os crimes cometidos por conta do ódio político, amplamente noticiados por veículos tradicionais de imprensa.   

As coordenações das duas campanhas, até por marketing eleitoral, apostam na narrativa do medo. A campanha de Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas e franco favorito, ataca o adversário Fernando Haddad (PT) chamando o de corrupto, de novo poste do Lula, de ser condescendente com a criminalidade nas ruas, de querer implantar o socialismo no Brasil.

A campanha do petista taxa Bolsonaro de fascista por falas contra minorias e contra a proteção ambiental, de flertar com a ditadura por ser uma chapa de militares – Bolsonaro é capitão reformado do Exército, e seu vice, é o General Mourão.

Em 13 anos de governo, o PT não implantou o socialismo no Brasil. E nem há qualquer proposta nessa direção no programa de Haddad, embora a ênfase continue sendo a transferência de renda para a população mais pobre. A crítica de ser o novo poste de Lula, procede. Quanto à corrupção, ela atinge em cheio o PT. Mas se estende a praticamente todos os partidos do país. E transpassa para o Judiciário, outras instituições da República, entra na iniciativa privada e na vida cotidiana.  

Chega inclusive aos políticos e partidos que caminham (ou já caminharam) com Bolsonaro, que ainda tem ao seu lado controversos líderes de impérios religiosos que fizeram fortuna e cada vez mais ampliam seu poder – inclusive midiático – no Brasil.

Já as preocupações sobre a respeito do fascismo e tendência à autocracia em Bolsonaro se justificam pelas falas e tom agressivo do candidato e seus apoiadores. Que atacam inclusive o sistema eleitoral. E se agravam pela negativa de Bolsonaro em ir a debates ao mesmo tempo em que dá entrevistas e faz agendas externas de campanha. Tudo isso em meio à enxurrada de notícias falsas na internet que, em boa parte, favorecem o capitão.

Será que essa instabilidade que sacode o Brasil perdura e até piora após 28 de outubro? Ou será que teremos um final feliz?

Mais recursos para a Serra

Hélio Maldonado

No domingo recente concluímos mais um ciclo de processo eleitoral para preenchimento das trinta vagas de Deputado Estadual da Assembleia Legislativa do nosso Estado. Das urnas colhe-se o resultado da vitória dos candidatos Vandinho Leite (PSDB), Bruno Lamas (PSB) e Xambinho (Rede), todos com seu “reduto político” centralizado na Serra. Cabe destacar que esse foi o melhor desempenho eleitoral dos candidatos serranos na última década. E essa é uma conquista sob vários aspectos.

Dos aproximadamente dois milhões e oitocentos mil eleitores do Espírito Santo, onze por cento desse total se concentra no Município de Serra. E então, linearmente, a vitória dos três Deputados da Cidade corresponde a dez por cento das vagas em disputa. Tais dados evidenciam a sobre-representatividade de Serra na Assembleia Legislativa.

Esse cenário de sobre-representatividade traz consigo uma sinalização de melhoria dos problemas econômicos, sociais e políticos do Município, que infelizmente o credenciam a figurar como a única Cidade capixaba na lista dos trinta locais mais violentos do país.

Isso porque, é consabido que no pacto federativo de repartição do produto da arrecadação tributária, a riqueza da nação se destina de maneira decrescente à União, Estados e Municípios. E os Deputados Estaduais, além de legislarem, têm a possibilidade de anualmente influir na execução do orçamento do Estado quando da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, por meio de “Emenda” de sua autoria. Assim sendo, a participação de um número maior de Deputados barristas nessa deliberação certamente trará consigo uma maior destinação de recursos para Serra para aplicação na educação, saúde, moradia, emprego, renda, segurança e lazer dos seus munícipes. Então, além da aplicação da receita do Município de Serra nessas áreas, a Cidade contará com significativa afetação do orçamento do Estado.

Oxalá que esse cenário de sobre-representatividade possa içar a Cidade à posição mais privilegiada (atualmente ocupa o 7ª lugar) no ranking de índice de desenvolvimento humano dos Municípios capixabas, em contrapartida de Serra ser o Município mais populoso do Estado.

Fla x Flu na política brasileira

Por Bruno Lyra

A percepção mais geral da eleição aponta para confronto de extremos. De um lado, o totalitarismo de direita, cujo formato é o nazifascismo da Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler. De outro a esquerda com ditadura do proletariado, com exemplos no socialismo de governos como o da extinta União Soviética, Cuba, Coréia do Norte. 

Esse é o dualismo clássico que a ideologia do confronto usa, jogando com os extremos. Óbvio que a realidade brasileira é muito mais complexa. Explicar a ascensão do Bolsonaro como retorno puro do nazifascismo é desconsiderar muita coisa. Assim como associar Haddad, o indicado do lulopetismo, ao totalitarismo de esquerda, soa falso. 

De fato, parte do discurso de Bolsonaro e de parte de seus apoiadores remete à ideologia de Mussolini e Hitler. Mas há milhões de fãs do capitão reformado que votam nele pelo desejo legítimo de ter mais segurança, por acreditarem na caça aos corruptos e ao excesso de burocracia. Também são adeptos do conservadorismo religioso e querem o retorno de costumes que desbotaram nas últimas décadas.

Mas desejam fazer isto pelo voto, usando a ferramenta da democracia.  Nem que seja preciso abrir mão de algumas liberdades individuais. Bolsonaro diz que joga no campo democrático. Mas há sinais dados por ele e seu vice, o General Mourão, de que o rompimento institucional é uma possibilidade.

Do outro lado, Haddad traz o que ficou do grupo liderado por Lula. Apesar do pendor autoritário à esquerda defendido historicamente por militantes neste campo, na prática o lulopetismo não levou o país ao socialismo. Tão pouco ao autoritarismo. 

Combalido pelo fracasso do governo Dilma e pela condenação e prisão por corrupção, Lula e seus aliados são a vitrine predileta para a grande onda ‘moralizadora’ à direita. Não é caso isolado, tem acontecido em outros países.

E mais do que defender o legado petista, acabou caindo no colo de Haddad o anseio da parte dos brasileiros que quer garantir a liberdade. E dentro de um estado com rede protetiva para os mais pobres. É gente que também sofre com a violência urbana. Mas não crê na forma reducionista de combate ao problema, entendendo que também é preciso inclusão, cultura, trabalho e renda. Assim vai o Fla x Flu da política nacional.

Nos bastidores 2020 começou

Por Yuri Scardini

Após uma eleição dura, os políticos da Serra tiraram a semana para refletir sobre a conjuntura eleitoral e os motivos que os levaram, em quase sua totalidade, a ter menos votos do que a expectativa. Na prática, deve haver uma mudança de postura e um ajuste de discursos e práticas. Isso tudo, obviamente visando à eleição de 2020, isso pelo menos ainda não mudou.

No tocante, deve haver um rearranjo de forças. O prefeito Audifax Barcelos (Rede) foi um dos poucos que pode dizer que se saiu vitorioso. Apadrinhou o campeão de votos no ES, senador eleito Fabiano Contarato (Rede) e elegeu o pupilo Alexandre Xambinho (Rede) para deputado estadual, apesar de fazer uma votação considerada baixa por muitos.

Pela sua relação orgânica com o prefeito, inegavelmente Xambinho desponta como um nome do grupo de Audifax para sua sucessão, mesmo que publicamente opte por um discurso mais equilibrado. Ainda assim, não é de se duvidar que o grupo de Audifax ‘apresente’ um nome surpresa.
Outro vitorioso das urnas foi Bruno Lamas (PSB). Que já orbita há tempo o posto de prefeito da Serra e deve contar com o suporte do futuro Governador Renato Casagrande (PSB). E ainda nutre chances de ser ‘o cara’ de Audifax em 2020, o que é legítimo.

Outra força em emersão é Vandinho Leite (PSDB). Astuto, Vandinho sabe fazer do limão uma limonada. E já provou sua capacidade de articulação. O tucano é uma força independente e desgarrado. Mas aguarda do ex-prefeito e atual deputado federal reeleito, Sérgio Vidigal (PDT), uma posição. Uma vez que Vidigal cometeu um equívoco político em trocá-lo pela candidatura da esposa, Sueli Vidigal (PDT).

Vidigal, aliás, foi o que mais saiu enfraquecido na Serra. Perdeu confiança dos aliados ao lançar Sueli, viu a derrota nas urnas da esposa, e amargou mais de 80 mil votos a menos do que em 2014. Estaria na hora de Vidigal recuar?

De qualquer forma está claro que os políticos da Serra precisam se reciclar, ou perderão mais espaço para fenômenos eleitorais ainda desconhecidos de uma conjuntura política pra lá de imprevisível e esquizofrênica. A forma tradicional de fazer política parece estar em xeque, e quem ficar na vanguarda da compreensão dessa nova realidade, estará mais perto da cadeira de prefeito da Serra.

A tragédia dos extremos

Yuri Scardini

O Brasil em chamas vai às urnas neste domingo (07), onde paradoxalmente Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), os dois candidatos mais rejeitados lideram as intenções de votos. Bolsonaro, com todas as suas contradições e discurso antidemocrático e Haddad, que é a versão 2.0 do poste de Lula.

Ambos podem significar profundas instabilidades políticas e mexem com os ânimos inflamados da população. Enquanto isso, o eleitorado de centro se fragmentou em diversas candidaturas que patinam, e sequer conseguiu formar um bloco que pudesse fazer frente à Bolsonaro e Lula/PT.

O que ninguém falou para o brasileiro é que se o partido do próximo presidente for muito bem nas urnas, ele não deve eleger mais de 60 deputados federais. Restando outros 463 deputados para formar uma maioria parlamentar de 2/3, distribuídos entre 35 partidos. Isso sem considerar o Senado Federal que é outro gargalo.

O voto é a condição de acesso, mas a governabilidade é pelo Congresso, uma vez que nosso sistema de governança é por meio do presidencialismo de coalizão. Portanto, inevitavelmente o próximo presidente, seja ele quem for, vai ter que negociar com o centrão, lotear cargos públicos e virar conluiado do clientelismo de Estado, já que o fisiologismo é a regra. A governabilidade é o desafio.

Bolsonaro significa um escalão de uma classe política que não se renovou e que representa inclusive o que há de extremado no povo brasileiro. Ele emergiu no vácuo deixado pelos erros do PSDB e como alternativa extremista potencializada pelas redes sociais. Um subproduto dos equívocos pavorosos do PT. Sem demonstrar de fato qualquer preparo e proposta de Governo, Bolsonaro é o caminho para o desconhecido num contexto global de fragilidade democrática.

Já o PT virou um instrumento do projeto individual de poder do Lula, que teve 13 anos para promover uma agenda reformista, modernizante e sustentável no Brasil, mas não o fez, afundando o país em crise, com uma desastrada política econômica, sendo mais do que cúmplice desse nefasto sistema político. E que nessa eleição teve a chances de unir o campo progressista e estabelecer uma unidade, mas preferiu dividir para reinar, traindo aliados antigos e compondo com seus algozes do impeachment.

O próximo presidente terá que unir o Brasil para superar esse apagão de insensatez, as crises de desemprego, desesperança e ódio. Algo que a essa altura já parece utopia. A Nação baila a beira do precipício, alucinada com o devaneio de um herói da pátria… E agora, quem poderá nos salvar?

Favoritismo agora e desafio depois

Aqui no ES, temos uma eleição de governador sem sal. Com um favoritismo de recall esmagador do candidato Renato Casagrande (PSB), que bate aproximadamente 70% das intenções de votos válidos. Nos bastidores sabe-se que Renato já vem desenhando uma equipe de governo, e tem evitado entrar na onda dos ataques de adversários, para não dar ibope.

Na prática, Casagrande se encaminha para ser proporcionalmente o Governador mais bem votado do Brasil. E apesar de ter um perfil mais estadista, com mais sensibilidade, ser mais ‘povão’ e acessível, é um projeto de continuidade para este cenário estabelecido desde a primeira eleição de Paulo Hartung (MDB), com algumas adaptações.

O ES é muito dependente das commodities e de políticas públicas vindas da União, mas tem uma boa chance de modernizar a economia e investir em modais logísticos como alternativa de fuga para empresas do Rio de Janeiro, que sofre quebradeira financeira e problemas crônicos como explosão de roubo de cargas e mergulhada em violência urbana que já começa a atingir as elites.

Quente mesmo está à eleição para o Senado, com três brigando por duas vagas (Magno Malta PR; Ricardo Ferraço PSDB; Fabiano Contarato), mas nenhum com um projeto claro de desenvolvimento econômico social para o ES.

Já nos cargos proporcionais, a briga também é grande e vitória significa um trampolim para a eleição de 2020, quando o controle das prefeituras estará em jogo. Aqui na Serra é um dos exemplos. Com R$ 1.3 bilhão anual, o segundo maior orçamento entre as cidades e a indicação de quase mil cargos comissionados, é uma das maiores vitrines capixabas.

 

Subproduto do Lulopetismo

Eci Scardini 

Olhando o rumo que tomou a eleição presidencial no país este ano, pode-se dizer que, quem teve mais coragem, sagacidade, agilidade, mais criatividade e articulação, aglutinou melhor os interesses de setores organizados e está levando a melhor sobre aqueles que não apresentaram esse conjunto de quesitos. Associado a isso, tem também as tendências a nível internacional, com um assanhamento dos extremos.

Do tiro de partida para a campanha até a data de hoje, estamos vendo uma brutal queda de braços entre duas forças antagônicas e que, literalmente, deixaram as outras para trás, aparentemente sem chances de reação. A queda de braços se dá entre o PT e Jair Bolsonaro (PSL). Fernando Haddad é só um instrumento usado por Lula e por algumas cabeças coroadas do partido para contrapor àquele que se transformou em seu principal polo oposto. Já o PSL é só a sigla que Bolsonaro usa para ter o direito de concorrer à eleição presidencial.

Pode se afirmar que a ascensão política de Jair Bolsonaro se deu como um subproduto dos erros do Lulopetismo.  A corrupção verificada nos 13,5 anos de governo do PT maculou os 38 anos de vida do partido. Associada à corrupção, o desleixo no combate à criminalidade, o excesso de concessões fiscais e tributárias, o financiamento de megaprojetos estruturantes em diversos países em detrimento de projetos semelhantes no Brasil e a relação quase que incestuosa com setores formadores de opinião, levaram o país a um caos social e econômico sem precedentes na história do Brasil e muito cruel para a população.

Até a metade do segundo mandato de Lula, em 2008, quando a crise começou a dar os primeiros sinais, Jair Bolsonaro não passava de um deputado federal do baixo clero, em seu quinto mandato, até então marcado na Câmara dos Deputados por bravatas e por apologia à ditatura militar.

Bolsonaro foi crescendo no vácuo de lideranças fortes e limpas, e se consolidou como o antipetismo embaixo do nariz do PSDB. A estratégia usada por ele se intensificou na medida em que iam caindo nomes como Aécio Neves (PSDB), Sérgio Cabral (MDB), José Dirceu (PT), Antônio Palloci (ex-PT), Geraldo Alckmin (PSDB), entre outros, todos envolvidos em atos de corrupção. Os que sobraram, Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (PODE) e outros gatos pingados não foram impetuosos o suficiente para atrair a preferência do eleitorado.

 Dupla face da instabilidade

 A eleição presidencial entra em sua reta final de primeiro turno polarizada entre o PT e Bolsonaro. Um alimenta o outro; o discurso e a história de um é o combustível do outro. O PT vive das benesses que concedeu à alta burguesia do país; do pão e circo que serviu aos pobres, do temor que os bandidos têm de não poderem mais aterrorizar a população e das ideias encantadoras do modelo socialista, fora da realidade do país.

Já Bolsonaro vive de um discurso forte e reducionista de combate à criminalidade, de defesa do conservadorismo e da moralidade e em defesa da ‘família tradicional’.

Mas o que seria um possível governo do PT ou de Bolsonaro? A princípio, ambos carregados de uma instabilidade política enorme.

O PT,por exemplo, nem tem programa de governo; tem sim um amontoado de ideias que nada mais é de continuidade de que já fez em 13,5 anos, até mesmo a relação com os parlamentares que tomarão conta do próximo Congresso seria a mesma, uma vez que o partido não tem condições morais para fazer diferente.

Seria também um governo de caça às bruxas; de vingar de todos aqueles que são considerados algozes da legenda, algozes do ex-presidente Lula e de sua trupe. Provavelmente a criminalidade seria a mesma e a corrupção também. O país poderia até sair do atoleiro no primeiro instante, mas daí um tempo voltaria novamente.

Já um possível governo de Bolsonaro é imprevisível. Como ele nunca governou nada, não há uma referência para servir de ponto de partida; poderia ser um desastre ou não. Além das preocupantes tendências autoritárias e insinuações de golpe militar do capitão do exército.

Tamanho político da Serra

Por Yuri Scardini

Olhando para o futuro, o que a Serra deve esperar das urnas para seus problemas? O município tem grandes carências e muitos projetos agarrados. A cidade precisa de representação, e aguarda que das urnas saiam eleitos figuras com DNA serrano. E são muitos os candidatos com possibilidade de vitória.

A se começar pela Assembleia Legislativa, que em 2014 elegeu um representante, e dessa vez a expectativa é de alçar 4 ou 5 deputados de domicílio eleitoral na Serra. Dar voz a cidade no parlamento capixaba pode redundar em mais atenção por parte do Governo do ES, para dar resolução a demandas micro, como por exemplo, uma calçada do Dório Silva que a pelo menos 5 anos a comunidade reivindica, ou projetos maiores como o Contorno de Jacaraípe que está paralisado a anos com risco de se tornar área de invasão. Ou mesmo dar resolução e questões emblemáticas, como a obra do colégio Aristóbulo em Laranjeiras que já custou R$ 10 milhões e agora foi demolido.

 Já olhando para a Câmara Federal, candidatos da Serra também se fazem presentes, como o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT), a vice-prefeita Márcia Lamas (PSB) e o vereador Guto Lorenzoni (Rede), só para citar alguns. Espera-se que saiam ao menos dois representantes da Serra lá em Brasília. E com isso ajude a trazer investimentos realmente estruturantes, como o Contorno do Mestre Álvaro, a duplicação da BR-101 que a concessionária Eco-101 leva com a barriga, ou mesmo projetos com potencial de estabelecer um novo ciclo de desenvolvimento, como o aeroporto internacional de cargas.  

Carece a Serra uma presença de representantes no Senado Federal, e no Palácio Anchieta, apesar desse ano ter na corrida Renato Casagrande (PSB) e Carlos Manato (PSL), dois políticos com forte ligação na cidade.

Já olhando a posição da Serra na corrida presidencial, também não é das piores. Entre os candidatos com chances de vitória, temos Jair Bolsonaro (PSL) que tem Manato como uma perna local; Ciro Gomes (PDT) com Vidigal na Serra; Marina Silva (Rede) com o prefeito Audifax Barcelos; Geraldo Alckmin (PSDB) com Vandinho Leite, que é 1º secretário estadual do PSDB. Porém, falta um núcleo do PT local, que nos últimos anos perdeu força na Serra, mas a nível nacional pode retornar ao Governo com Fernando Haddad. Logo, é esperar para ver qual será o tamanho da cidade na política brasileira.

Réquiem do meio ambiente

Por Bruno Lyra

A agenda ambiental sumiu nesta eleição. Na tensa corrida presidencial, o assunto passa praticamente batido. A exceção de Marina Silva, que tocou na questão energética e da Amazônia. Interessante é que dentre os candidatos competitivos, é a que mais vem perdendo espaço.

Na corrida ao Palácio Anchieta, a questão ambiental também não tem tido relevância no discurso e no marketing eleitoral. O mesmo vale para candidaturas ao Senado, Câmara e Assembleia Legislativa.

Não é fortuita a ausência de um assunto que já foi mais trabalhado em eleições passadas. Coincide com a onda neoconservadora e reacionária que ascende no mundo. O Brasil não é exceção. O tema Meio Ambiente vem levando tanta pancada que não parece saudável para as candidaturas exporem isso em 2018.

Se em meados da década de 2000 o Brasil conseguiu frear a destruição da Amazônia, depois, contraditoriamente, as questões ambientais viraram sinônimo de burocracia. Na sequência vieram as mudanças legais que enfraqueceram a proteção a natureza, há inclusive projeto de lei no Congresso para acabar com licenciamento ambiental.

No mundo, cresce a voz dos que negam o aquecimento global. Emblemática a saída dos EUA do acordo de Paris. Enquanto isso, no Brasil, doenças erradicadas voltam com a negativa de pessoas em tomar vacina. O que diria Copérnico vendo gente defender que a Terra é plana em pleno século XXI?

E o que dizer dos brasileiros que mataram macacos durante o surto de febre amarela, apesar do alerta de que os bichos não são vetores, mas sentinelas da doença?  A sensibilidade humana para a questão ambiental, depois de um breve florescer nas décadas passadas, está retrocedendo.

A moda é o discurso de segurança que topa até abrir mão de direitos civis e valores democráticos. Se não cabe nessa narrativa nem as pessoas mais pobres, imagine o meio ambiente.  

Que no caso da Serra, vai mal. Rios, lagoas e praias poluídos por esgoto. Reservas ambientais abandonadas e até reduzidas, caso da Apa Mestre Álvaro. Cinturões verdes e alagados sendo ocupados. Política de coleta de lixo e entulho estacionada.  E até os rios que abastecem a cidade, o Santa Maria e o Reis Magos, negligenciados como se fossem qualquer coisa.

 

Pilhagem com mau cheiro

Por Bruno Lyra

Pela 2ª vez desde que a Ambiental Serra (ex-Serra Ambiental) passou a gerir o esgoto do município em parceria com a Cesan o serviço é alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara de Vereadores.

Reação justa da cidade a um formato de gestão de esgoto que foi vendido como solução para ampliar a abrangência e melhorar a qualidade do saneamento, a chamada Parceria Público- Privada – PPP. Afinal, os problemas crônicos permanecem.

Desde que a PPP entrou em vigor, em janeiro de 2015, nenhuma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi construída com o dinheiro da parceria, a de Serra-Sede já estava em obras com recursos estaduais, portanto dinheiro público. Nem mesmo as dezenas de ETE´s defasadas e subdimensionadas para a população atual foram modernizadas. Detalhe que recentemente foi anunciada a expansão da ETE Manguinhos, mas com dinheiro público vindo do Ministério das Cidades.

Rios, córregos e lagoas e trechos poluídos de praia continuam sujos. Basta ir a cada lugar e conferir. Inclusive já durante a PPP acabou a produção de tilápias na lagoa Juara, após uma sequência de mortandade de peixes. A lagoa é bastante poluída por esgoto doméstico.

O recapeamento de vias após obras de redes continua padrão Cesan: pista desnivelada e mais suscetível a abertura de buracos.  Vazamentos de esgoto continuam comuns e em alguns casos há reclamações de moradores sobre a demora no acerto.

Soma-se a isso tudo a insatisfação da população de ter que pagar 80% a mais na conta de água por conta da taxa de esgoto e a falta de transparência da Cesan dar publicidade a quanto repassa mensalmente ao Ambiental Serra.

Se for pra valer, a CPI é bem vinda, pois lança luz aos questionamentos da sociedade que paga essa  conta cara e leva em troca um serviço duvidoso. Mas é difícil ter esperança que o saneamento avance. Prova disso é o caso do descarte de lixo hospitalar com sangue humano no rio que abastece a cidade. A situação foi descoberta há dois meses e até agora as autoridades ambientais e sanitárias sequer revelaram os responsáveis, quanto mais punir.

E isso com o nome dos pacientes nos invólucros descartados. Pelo jeito, o sangue na ferida continua sem dono.

Depois tem a governabilidade

Por Yuri Scardini

Há três semanas para as urnas e consolidado nos 70% de intenção de votos, conforme mostram pesquisas eleitorais, Renato Casagrande (PSB) está com um pé e meio no Palácio Anchieta. Diante desse cenário cômodo, aliados políticos se dão ao luxo de fazer cálculos para a próxima eleição, em 2020. O pão nem saiu do forno e a turma já pensa na próxima fornada.

Se tudo correr de acordo com as expectativas, Casagrande vai ter que ter muita habilidade para administrar os diversos focos de conflitos que por ventura posam ocorrer. Não poderia ser diferente, o quase futuro governador fez um arco de aliança de 18 partidos, e colocou num mesmo palanque políticos que são praticamente água e óleo.

A começar pela Serra. Renato terá que gerir uma briga que nos bastidores já começou. O ex-prefeito e atual deputado federal Sérgio Vidigal foi peça importantíssima durante as coligações, e segurou o PDT com Casagrande. Agora, aliados de Vidigal relatam que a ‘conta’ será o apoio do governador para a eleição municipal de 2020.

Visando o mesmo objetivo está o deputado Bruno Lamas (PSB), 20 anos de fidelidade ao PSB, Bruno aguentou as sondagens da Rede, permaneceu no partido e leva consigo o DNA Casagrandista na Serra. Ele reivindica o mesmo que Vidigal: carimbo palaciano para prefeito da Serra.

Mas não é só aqui. Socialistas já colocam o nome da quase futura vice-governadora Jacqueline Morais (PSB), como provável candidata a prefeita de Cariacica. Nesse caso, deve estar na briga também o deputado Marcelo Santos (PDT), reeditando em Cariacica uma disputa de poder interno entre PSB e PDT.

Para conjecturar, também podemos ter o deputado Sérgio Mageski contra o escolhido do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) para sua sucessão. E mesmo no interior Renato vai ter que trabalhar como um algodão entre cristais seja em Colatina com o deputado federal Paulo Foletto (PSB) e o estadual Josias da Vitória (PPS), ou mesmo em Cachoeiro de Itapemirim, com a família dos Ferraços (DEM e PSDB) e a família do deputado falecido Glauber Coelho (PSB), que comanda a região. Todos estes citados estão bem cotados para esta eleição.

De qualquer forma, é consenso entre socialistas que este será um problema bom. Uma adversidade política que qualquer governador gostaria de ter, como um técnico de futebol com um elenco de jogadores brigando pela titularidade. Mas, mal administrado, pode gerar dissabores e inclusive refletir na governabilidade.

 

Aristóbulo Barbosa se revirando no túmulo

Por Yuri Scardini

Nascido na Serra em 1887, Aristóbulo Barbosa Leão é um dos conterrâneos mais ilustres de nossa gente. Professor de latim, grego, francês e português, ele militou toda a vida na área da Educação, e fundou em 1913 o Ginásio Vicente de Paulo, em Vitória, que viria a ser uma das principais instituições de ensino no ES, formando nomes como: Clovis Ramalhete Maia, único ministro capixaba no STF; o jornalista e senador João Calmon; o médico e empresário Luiz Buaiz; além do ex-governador e ex-ministro Élcio Alvares. Só para citar alguns.

Aristóbulo foi reconhecido levando seu nome em vias públicas e educandário. Mas nem todo esse feito do passado impediu que uma das instituições que leva seu nome, tivesse uma triste história de descaso e ineficiência no uso do recurso público. Trata-se da escola mais tradicional da Serra, o ABL em Laranjeiras.

A reforma da escola começou em 2012. As obras, que tinham um investimento inicial de R$ 9 milhões, deveriam ter sido entregues em julho de 2014, ano em que foram paralisadas. Segundo o Governo do ES, a empresa contratada para executar a obra faliu e abandonou o trabalho.
Desde 2012 os alunos estão num prédio improvisado em Jardim Limoeiro, onde reclamam das péssimas condições estruturais e de segurança. Ao todo, foram gastos R$ 6 milhões com a reforma que não foi concluída e mais R$ 5.8 milhões de aluguel. Somados os valores, chega-se a quase R$ 12 milhões, montante que já ultrapassou em R$ 3 milhões o investimento final previsto pelo Estado.

Como se tudo isso não bastasse, o prédio do ABL ficou por mais de cinco se deteriorando e agora o Governo está demolindo tudo ao custo de mais R$ 290 mil. Queimou-se R$ 12 milhões e voltamos à estaca zero.

Enquanto isso, o Governo do ES sai por aí comemorando os resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), onde o ES ficou em 1º, com média de 4.4 (numa escala que vai até 10 e a média estipulada pelo Governo Federal era de 5.1), e comemorando a classificação no Ranking de Eficiência dos Estados da Folha de São Paulo, onde ficou entre os 4 primeiros. Mas quando se olha a realidade, parece ser outra. O saudoso professor Aristóbulo a essa atura deve estar se revirando no túmulo.

Promover ou ser depósito de gente

Por Bruno Lyra

O sistema educacional do município tem a despesa empenhada de R$ 384 milhões (2018), a maior dentre todos os setores da gestão pública da Serra, que por força da constituição é obrigada a investir pelo menos 25% de seu orçamento neste serviço prestado à sociedade. Tanto gasto não garante que o setor fique livre de problemas e desafios gigantescos.

Um deles, a qualidade do ensino. A formação intelectual que os alunos recebem é de fato eficiente para promover socialmente as pessoas numa cidade com 1/5 da população na linha da pobreza? Há de se considerar que o modelo escolar é velho, baseado num tempo em que não havia internet na palma da mão.

É problema crônico a qualificação do professor. Não é incomum alunos com acesso a internet e conhecimento adquirida em outros ambientes, desbancarem um professor em conteúdo. As deficiências na formação do docente tendem a ficar mais agudas quando esse profissional inicia a atuação nas escolas, pois para ter um rendimento proporcional a atividade que exerce, precisa trabalhar em dois ou três turnos. Sobra quase nada de tempo e energia para a necessária atualização. Aí talvez resida uma das causas da falta de interesse dos alunos pelas aulas.

Sem contar os falsos professores. Recentemente a Serra demitiu 300 deles por apresentarem diplomas fakes, forçando reposição de aulas. Nesse contexto, a função das escolas pode estar muito mais próxima do papel de segurança pública do que efetivamente da educação. Tira-se diariamente, por algumas horas, crianças e adolescentes das ruas.

Não é absurdo pensar que as escolas podem ter perdido o protagonismo da educação para outros espaços sociais: Igreja, esporte e, infelizmente, tráfico e banditismo. Salvo exceções, a escola é analógica, antiga. Até nos horários, que refletem um tempo onde a humanidade era muito mais dependente das leis da natureza. Na Câmara da Serra há até um projeto de lei para antecipar a entrada dos alunos de 7h para 6h e 15. Isso para que os pais possam chegar a tempo nos trabalho onde vão ganhar salários baixos em sua maioria.    

Enquanto isso, uma das principais queixas dos empregadores, segue sendo a baixa qualificação da mão de obra. As deficiências do ensino público formal da Serra, que também ainda com a chaga da violência, estão longe de ser uma realidade só do município, se alastram pelo país. O ensino formal precisa de um novo modelo, senão ficará condenado a ser depósito de gente.

O esgoto continua fedendo

Por Bruno Lyra

Há três anos e sete meses o esgoto da Serra é gerenciado pela Cesan em Parceria Público- Privada (PPP) com a Ambiental Serra, empresa que mudou recentemente o nome. Antes era Serra Ambiental. O município foi o primeiro a ter esse modelo, vendido como panaceia para os problemas crônicos do setor, segundo agentes públicos e privados defensores das PPP´s: a falta de dinheiro para expandir redes de coleta e construir novas e modernizar velhas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE´s).

De fato tem havido instalação de novas redes em regiões onde elas não existiam, o que também redunda em maior arrecadação da PPP, já que a Cesan repassa a taxa de esgoto cobrada na conta de água (o esgoto custa 80% do valor da água) para a Ambiental Serra.

Fora isso, não estão claros os demais benefícios. Nenhuma nova ETE foi construída ou modernizada na Serra neste período. Rios, lagoas e córregos continuam imundos. Trechos de praia onde deságuam, também. Em três anos, a Ambiental Serra já acumula 41 multas por poluição. E pelo menos as últimas três foram anuladas ou convertidas pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consema) em serviços como jardinagem e pintura de meio fio.

A Cesan não divulga quanto já repassou de dinheiro ao Ambiental Serra. Esse fato, somado a sensação generalizada de que não houve despoluição das águas e a estranha anulação/conversão de multas já repercute politicamente, a Câmara prepara mais uma CPI do Esgoto na Serra.

O histórico da Cesan em relação à gestão do esgoto não é bom. Desde a década de 1990 a empresa gastou dinheiro de empréstimos bilionários do Estado junto a bancos internacionais para melhorar o serviço. Prodespol, Prodesan, Águas Limpas e agora Águas e Paisagem foram nomes dados a programas de despoluição de rios e praias do ES que até agora fracassaram.

E renderam investigações dos órgãos de controle. Basta lembrar que um dos focos da Lava Jato no ES foram os contratos da Cesan com a Odebrecht em obras por dentro desses programas. Tanto dinheiro, publicidade, promessas. Mas o esgoto continua fedendo. E muito. 

Favoritismo e falta de empolgação

Por Yuri Scardini

Já transcorridos 15 dias de campanha eleitoral no ES, a sensação é de que pouca coisa efetivamente está acontecendo. Até mesmo entre os candidatos, alguns deles ainda nem lançaram oficialmente suas campanhas. Na prática está quase tudo proibido, o tempo e a grana estão curtos e o eleitor desconfiado e imerso no debate presidencial, que se encontra fragmentado, muito imprevisível e inflamado.

É nesse contexto que candidatos correm por aí pedindo votos, seja na rua ou nas redes sociais. O mercado político espera dar uma guinada após essa sexta (31), quando será dado o pontapé da campanha eleitoral na TV e no rádio. Aqui no ES um cenário ainda mais específico corrobora para essa sensação de vazio. Trata-se do favoritismo de Renato Casagrande (PSB) ao Governo do ES. Nenhuma campanha parece empolgar, e sobra o recall político do ex-governador, que é cotado para levar no 1º turno. Correndo por fora há mais cinco candidatos, como a senadora Rose de Freitas (Podemos) e o deputado Carlos Manto (PSL).

Candidatos a deputado estadual e federal dizem que o quente da campanha será nas duas últimas semanas do pleito. Quem começar grande e gastar os escassos recursos agora pode chegar pequeno e sem dinheiro nos dias que antecedem a urna. É para esses cargos que as principais lideranças da Serra estão verdadeiramente engajadas. A candidatura ao Senado e ao Governo tornara-se secundário para Serra, uma vez que não há representantes diretos do município.

Espera-se que a cidade eleja 4 representantes para a Assembleia Legislativa e ao menos dois na Câmara Federal. Se ocorrer, será um ‘up’ e tanto na representação do município, ao menos no que tange ao Parlamento capixaba. Para muitos políticos locais, essa eleição pode ser o trampolim para 2020, quando estará em jogo a Prefeitura da Serra, com seu orçamento bilionário.

Difícil prever um cenário desses, mas fato é que não haverá a polarização direta entre o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) e o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), uma vez que Audifax não terá a opção de reeleição. Com isso abre-se arestas para novas lideranças emergirem, e a porta de entrada é no dia 7 de outubro agora. Uma coisa está ligada a outra, falta agora combinar com o eleitor que não entrou no clima da eleição local.

Sob o escárnio da Eco 101

Bruno Lyra

A situação da rodovia do Contorno de Vitória (BR 101) é um dos escárnios da concessionária Eco 101 para com o Espírito Santo. Da mesma forma que escancara a fragilidade das lideranças políticas capixabas.  Quando a concessão foi feita o governador do ES tinha ótimo relacionamento com o Palácio do Planalto. Da mesma forma que o atual governador, que até é do mesmo partido do presidente. 

Como pode um dos trechos mais importantes e movimentados da rodovia concessionada à iniciativa privada em 2013, com cobrança de pedágio desde 2014 cujo valor médio da tarifa já subiu cerca de 40%, estar em situação tão ruim? São buracos e desnivelamento da pista em diversos pontos nos 25 km entre o trevo da Ceasa em Cariacica e Carapina na Serra.

Além de retirar o trânsito de veículos pesados da capital Vitória, que inclusive tem restrições a esse tipo de tráfego, o Contorno abriga expressivo parque logístico e industrial. Certamente é um dos trechos com maior tráfego nos mais 400 km da 101 no ES. Na Serra tem os polos Tims, Piracema e Jacuhy. Em Cariacica, diversas distribuidoras, portos secos e até filial da Zona Franca de Manaus. 

Mesmo tendo os maiores bolsões de pobreza e demandas sociais do ES, Cariacica e Serra tiveram gastos milionários para iluminar a rodovia. Iluminação esta que praticamente não funciona por conta dos constantes roubos de fiação. Nem para monitorar e chamar a polícia para impedir esses roubos a Eco 101 serve.

O argumento da Eco 101 de que não pode fazer melhorias estruturais na pista porque ainda não tem a concessão do trecho é esdrúxulo. Como não? O que faz o Serviço de Apoio ao Usuário da própria empresa na Serra perto da ponte do rio Santa Maria? E as passarelas de pedestres instaladas no trecho com frases informando que foram feitas com recursos do pedágio do usuário?

Aliás, para o usuário uma certeza. Que além dos impostos que paga, tem que custear pedágio também. E os pneus e outras peças dos veículos que quebram com frequência ao passar em via tão precária. Conta que fica ainda mais feia ao lembrar que a duplicação está para lá de atrasada e a Eco já admitiu que não cumprirá o contrato. Aliás, o Contorno é duplicado porque já foi entregue assim pelo poder público. Será que não dá pra Eco fazer pelo menos um tapa buraco no trecho?

Rumo a Câmara Federal

Yuri Scardini

A Serra vai contar com pelo menos 11 candidatos à Câmara Federal em Brasília, com domicílio eleitoral na cidade. Vidigal é sem dúvida o mais competitivo, dado a todo o histórico político de três mandatos de prefeito. O PDT projeta-se algo em torno de 80-90 mil votos a Vidigal. Número que pode significar pouco menos da metade dos votos válidos previstos.

Mas Vidigal que se cuide, pois tem nomes de peso eleitoral correndo por fora. Um deles é Amaro Neto (PRB), que apesar de não ter intensa ligação política com a Serra, é cotado para ter uma boa votação por aqui. Dado ao seu perfil político e o histórico da campanha de 2104, quando foi o 3º candidato a deputado estadual mais votado na Serra.

Além dele, a ex-secretária de Educação da Serra, Márcia Lamas vem chancelada por Renato Casagrande e pode abocanhar uma boa quantidade de votos. Expectativa também está no tamanho que Guto Lorenzoni (Rede), candidato do prefeito Audifax Barcelos (Rede), pode tomar. É notório o esforço de Audifax em eleger Guto, além de ser um compromisso do prefeito com a presidenciável Marina Silva. Entre os desafios de Guto está a coligação (MDB, Rede, Podemos, Patriota e PMN), que pode dificultar já que conta com o atual deputado Lelo Coimbra (MDB) na chapa e não há certeza se conseguirão fazer duas vagas.

Outro apertado na chapa é Givaldo Vieira (PCdoB). Que ficou com PPS, PP, Pros e PHS. Givaldo vai precisar bater os candidatos de Luciano Rezende (PPS- Prefeito de Vitória), como Da Vitória, Lenise Loureiro e Luiz Paulo. Além dos Progressistas como Evair de Melo e Marcos Vicente, apoiado pelo deputado estadual Jamir Malini (PP).

Já Manato, deixou a reeleição para disputar o governo, e escalou a esposa, Soraya Manato (PSL) para tenta transferir seu espólio. Manato vinha em alta no eleitorado serrano por conta da ligação com Jair Bolsonaro, e é possível que Soraya leve uns votinhos por aqui.

Além desses, a Serra ainda conta com o vereador Miguel da Policlínica (PTC) e o médico Luiz Carlos Bezerra (PV). Espera-se também uma votação razoável para o vice-governador Cesar Colnago, impulsionada pela transferência de votos que Vandinho Leite possa dar a ele. Como visto, são muitas opções, resta saber se isso vai redundar em mais representação da cidade ou enforcamento coletivo dado ao excesso de candidatos… 

Esgoto cada vez mais sujo

Yuri Scardini

A Serra Ambiental, que recentemente trocou de nome para Ambiental Serra, ainda sucinta muitos questionamentos e acumula um histórico pra lá de controverso. Desde 2015 a empresa é a responsável pelo serviço de coleta, tratamento e descarte do esgoto através de uma parceria público-privada com a Cesan.

Essa semana o Tempo Novo traz uma matéria especial sobre a mudança de postura do Comdemas com a Ambiental Serra. Mas para, além disso, o que é possível falar sobre o serviço prestado pela empresa?

A se começar pelo óbvio: rios, lagoas e córrego ainda são uma confraria da poluição. Só para se ter ideia, neste intervalo de três anos a lagoa Juara, 3ª maior do ES, já sofreu com tamanha degradação que gerou duas grandes mortandades de peixes e o fim da produção de tilápia em tanques redes. Hoje, o tradicional Festival da Tilápia é somente uma boa lembrança. A Juara é só um exemplo, mas são múltiplos os casos.

Outra questão é o custo desse serviço. Pagar 80% de taxa referente à conta de água é dispendioso. Quem definiu isso? Essa conta é justa? De que forma a população participou desse debate? As contas da Ambiental Serra são uma caixa preta. Ninguém sabe dizer o quanto de dinheiro público essa empresa já recebeu, nem mesmo estimar qual é a taxa de investimento versus faturamento. Até porque, não houve nenhum investimento significativo, além das obras de ligação de residências na rede coletora de esgoto, o que obviamente significa mais lucro para a empresa.

As estações de tratamento de esgoto continuam defasadas, com tecnologia antiga, datadas da década de 80, o único investimento anunciado foi a limpeza do lodo no fundo das estações. Havia a previsão de construir novas estações, mais eficientes e modernas, mas até agora nada. Adianta coletar esgoto e tratá-lo em estações ineficientes, retornando-o com água ainda contaminada na rede pluvial?

Na prática, o que há é uma profunda falta de transparência, desrespeito com a população e com o meio ambiente, e o que fica não são respostas, são dúvidas e desconfianças. Só para lembrar, todo esse histórico negativo é fruto de menos de 3 anos de atuação na Serra, ainda faltam 27 anos de contrato.   

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