Serra, 20 de julho de 2017

Portal Tempo Novo - O Portal da Serra, ES

Mestre Álvaro

por Eci Scardini

Predadora de topo de cadeia

Por Eci Scardini

O primeiro empreendimento da MRV na Serra foi um condomínio na Avenida Norte Sul, sentido Jardim Limoeiro – Laranjeiras, pouco antes do trevo no Parque da Cidade, ainda no primeiro mandato de Audifax Barcelos, entre os anos 2007/2008.

Ali a construtora já deu mostra de que não teria compromisso com a cidade e que não estava se importando com a sua gente. Para ligar o esgoto sanitário dos apartamentos à rede coletora da Cesan, ela ‘rasgou’ o asfalto, de frente ao condomínio até o trevo do Parque da Cidade, uma vez que na região havia uma estação de tratamento de esgoto.

O resultado dessa obra está lá até hoje para ser constatado por qualquer motorista. A empreiteira que executou a obra fez um serviço tão mal feito de reposição asfáltica, que a pista mais parece estrada de roça), cheia de buracos, ondulações e ‘costelinha’. E nisso lá se vão 10 anos.

A MRV entrou também polêmica ambiental em Jacaraípe, numa área que pertencia à família do saudoso advogado Paulo Barros. Um local aprazível e com curso d’água. Tudo foi suprimido e ficou por isso mesmo.

Outra situação se deu em Balneário Carapebus, na área do ‘Casarão’, uma construção dos anos 1950/1960; que faz parte da história recente do Município, por supostamente ter servido de abrigo e residência para nazistas. Por pouco toda a construção não foi abaixo. Estes são só alguns poucos exemplos do impacto e dos passivos que a MRV tem deixado na Serra, como o recente caso de lançamento de esgoto em rede de drenagem.

Hartung, Audifax e os jogos do poder

Por Yuri Scardini

Lideranças próximas ao prefeito Audifax (Rede) apostam no alinhamento entre o prefeito e Paulo Hartung (PMDB). Isto pode ser mais uma ação do governador para encurralar adversários, como a senadora Rose de Freitas (PMDB); o prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS), o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e até o deputado estadual Sérgio Mageski (PSDB), que ensaia filiação na Rede.

Audifax e Hartung nunca foram adversários. Audifax já foi secretário de planejamento de Hartung em 2009.

Já Sergio Vidigal disputou campanha contra o governador em 2006 e acumula casos de desencontros com Hartung. Pela necessidade e importância do PDT, o governador se aproximou de Vidigal e “deixou” Audifax na geladeira. Agora com as urnas no horizonte, Hartung se voltaria ao prefeito. 

E o que Hartung pode oferecer? Um nome para deputado federal? Fazer um federal no ES é missão para Audifax junto a presidenciável Marina Silva. Se Hartung oferecer um bom nome? Como o deputado Evair de Melo que vai sair do PV, talvez com a benção do governador.

Outros dois sairiam perdendo. Um é Sérgio Vidigal. O outro, Guto Lorenzoni, que assumiu a secretaria municipal de Serviços e deve se filiar a Rede para se lançar a federal. Nesse cenário, Guto poderia se reduzir a números na chapa.

Nota de solidariedade e pela liberdade de expressão

Por Bruno Lyra

O artigo 220 da Constituição garante a liberdade de imprensa e de expressão no Brasil, requisito fundamental para a existência da democracia. E isso foi ignorado pelos policiais militares que prenderam o repórter Vinícius Arruda do jornal Metro na última segunda-feira (10) em Vitória quando o profissional de imprensa filmava a abordagem que os PM’s faziam em dois homens ao lado de uma praça no bairro Jardim da Penha.

A argumentação dos PM’s de que Vinícius foi detido por desobediência é canhestra. Mais bizarro ainda é que contra o repórter foi aberto inquérito pela mesma razão. O próprio vídeo, divulgado horas depois, desmente essa tese. O que ficou evidente foi à intimidação ao trabalho do jornalista. Não só a imprensa como qualquer cidadão tem o direito de fazer imagens em via pública de agentes públicos, pagos pela sociedade, trabalhando.

E episódio foi condenado pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado (Sindijornalistas), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

Fica aqui nossa solidariedade ao profissional e cidadão Vinícius Arruda.

Paulo Hartung mais vivo do que nunca

Por Yuri  Scardini

Está se tornando uma concórdia no meio político a crença de que o governador Paulo Hartung (PMDB) trabalha para a reeleição em 2018. Este primeiro semestre do ano foi marcado por borrascas políticas para Hartung, em especial a crise da segurança pública em fevereiro e a citação de seu nome no âmbito da Lava Jato. Porém, passado os seis primeiros meses, Hartung avivou de vez sua movimentação.

Hartung vem promovendo uma jornada pelos municípios de interior e se fazendo valer da poderosa máquina do Estado e desobstruindo o campo político. O exemplo é o “pacote das bondades” que permite aos municípios arrochados pela crise econômica flexibilizar o uso do Fundo para Redução das Desigualdades Regionais, autorizando prefeitos a pagar custeio da máquina com estes recursos.

No campo partidário, o governador que tem a prerrogativa da reeleição, senta no cargo e “segura” uma possível candidatura da senadora Rose de Freitas (PMDB). Além disso, o governador segue mantendo em seu campo de influência, a cúpula de partidos que em tese, “deveriam” seguir por outros caminhos, como o PT e o PDT.

Além disso, no outro lado, Hartung vem encurralando os adversários, a se considerar o desmonte do PV, com a saída do prefeito de Viana, Gilson Daniel e a provável saída do deputado federal Evair de Melo. O PV junto PSB, PPS e Rede formam o quarteto dos “não-Hartung”. Estes partidos vêm com dificuldade para lançar nomes competitivos em especial para a Câmara Federal e o Senado. Excluindo o deputado Paulo Foletto e o ex-governador Renato Casagrande, o quarteto de partidos ainda tem que formar quadros para bater de frente com a enxurrada de aliados de Hartung que devem entrar nessas disputas.

Serra, Vitória, o porto e a Justiça fiscal

Por Leonardo Bis

O termo justiça fiscal vem designando reflexões sobre formas de recolhimento de impostos e sua aplicação. Assim, discussões sobre faixas de rendimentos de pessoas físicas ou jurídicas, de uma forma geral, obedecem ao seguinte princípio básico: quem tem mais, paga mais  (em termos absolutos sempre e em termos percentuais às vezes).

A ideia da justiça fiscal também é aplicada na distribuição da arrecadação: quem sofre mais com a atividade geradora ou quem mais precisa de apoio do Estado, deve receber mais contrapartidas (recursos financeiros diretos ou investimentos). A política fiscal, assim, é entendida como vetor que pode alimentar o desenvolvimento de grupos sociais ou territórios mais vulneráveis. Na prática, contudo, a apropriação social e política dos recursos gerados a partir de impostos e taxas são sempre motivo de intensos conflitos, já que o princípio do que é ‘justo’ (base teórica da justiça) pode ser entendido de diversas formas, inclusive pela lei.

Um caso interessante para esse debate é a divisão dos impostos arrecadados direta e indireta advindos do Porto de Praia Mole. Apesar de bastante democrática em relação aos impactos, é demasiadamente concentradora no tocante à arrecadação. Não obstante, os efeitos da atividade industrial serem percebidos  em Vila Velha e Cariacica, é na Serra que mais se percebem os impactos da atividade portuária de Praia Mole: impactos sonoros, visuais, na qualidade do ar, na qualidade da água, sobre espécies marinhas, fauna e flora terrestre, bem como impactos severos no trânsito – isso sem considerar a dívida histórica, com os impactos sociais decorrente da construção dessas plantas industriais, com grande ocupação urbana desordenada nas décadas de 1970 e 1980 na Serra.

O que chama a atenção em termos tributários é que a despeito de todas essas consequências na Serra, o bônus da movimentação portuária fica nos cofres de Vitória. A justiça tributária, seja na reparação de impactos ou de transferência com base na ordem das maiores necessidades, considerados dados do IPEA ou do IBGE, não se faz presente nesse caso. Na verdade, a política tributária nesse caso tem obedecido os procedimentos básicos da justiça em geral de nosso país: muito distantes dos princípios de equidade, necessários para uma sociedade mais justa.

 

 

 

A Eco e os ecos da tragédia

Por Bruno Lyra

O maior acidente rodoviário da história do estado envolvendo uma carreta carregando rocha ornamental, um ônibus da linha São Paulo x Vitória e duas ambulâncias, escancarou de forma trágica o quanto a concessão da BR 101 à Eco é desvantajosa para a população. Esta paga a conta dos impostos e, desde 2014, do pedágio para poder usar uma rodovia perigosa. 

A batida frontal aconteceu no km 343, em Guarapari, um dos trechos onde a duplicação deveria ter sido entregue em maio. Porém, nem sinal de obra. O filme se repete em outras partes da BR, incluindo o pedaço entre Chapada Grande na região rural da Serra, até a sede do município de Fundão.

Foi a carreta que invadiu a contramão e atingiu os outros veículos. Que pese à falta de responsabilidade de quem autorizou a circulação de uma carreta com pneus carecas, puxando 11 toneladas a mais que o permitido. Se a Eco 101 tivesse cumprido o cronograma do contrato é possível que as 23 pessoas mortas (até a última quarta-feira, 26) e 20 feridas tivessem sido poupadas.

A Eco 101 não pagará a conta do seguro DPVAT que as famílias das vítimas fatais e os feridos irão sacar – indenização prevista por lei, mas que não repara as perdas e sequelas. O custo ficará por conta do contribuinte, que se não quita o boleto anual do licenciamento, tem seu veículo sumariamente guinchado na 1ª blitz.

E o pedágio segue sendo cobrado à vista e em dinheiro vivo. Desde maio de 2014, o valor já aumentou mais de 40%.  É surreal a justificativa da Eco de atraso na licença ambiental para iniciar a duplicação. Pouco antes do desastre em Guarapari, surgiu a notícia de que a concessionária sequer havia pagado as taxas para liberar os documentos.

Postura que só encontra par na omissão da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), responsável por fiscalizar o cronograma de compromissos da concessão. Por exemplo, até hoje a Eco argumenta que não dá manutenção a esburacada e perigosa Rodovia do Contorno de Vitória porque a ANTT supostamente não transferiu a concessão do trecho. Seria patético se não fosse trágico.  

Mais uma pedrada nos capixabas

O desastre de Guarapari escancarou também outro segmento com passivos históricos com o ES: o de rochas ornamentais. E o transporte das pedras, em grande parte ainda rodoviário, é só um dos aspectos desse passivo.

Reportagem publicada no final de maio por Tempo Novo apontou que em 10 anos, pelo menos 18 pessoas morreram em acidentes envolvendo o transporte das pedras. Agora são 41 vidas perdidas.

Sem contar os feridos e os danos às vias por conta do excesso de peso. Tem também o problema de mobilidade, uma vez que as carretas carregadas trafegam em velocidade mais baixa em ladeiras, retendo o trânsito nas rodovias não duplicadas e nas vias urbanas.

É um problema antigo que já forçou novas regras de transporte, como o acorrentamento dos blocos para evitar quedas. Mas está longe de ser cumprida, dada à precariedade da fiscalização. O flagrante feito pela PRF de duas carretas transportando blocos soltos, ocultos sob lonas e acima do peso na noite da última segunda-feira (26) na Serra-Sede é prova.

Ao transporte, se soma o desmatamento, destruição de solos e nascentes nas mais de mil lavras de extração pelo ES, o principal produtor do país. E também os acidentes de trabalho e doenças ocupacionais – a silicose é a mais brutal delas, irreversível, leva à morte.

Vizinhos das lavras sofrem com barulho, poeira, rachaduras em imóveis e o impacto ambiental praticamente irremediável. E tem ainda o beneficiamento, com intenso uso de água e geração da lama abrasiva, resíduo que mistura pó de rocha e produtos químicos usados no processo. E neste último caso a Serra é a principal prejudicada, uma vez que concentra a maior parte do parque beneficiador.

Tecer rede não é tarefa fácil

Por Eci Scardini

Fazer a Rede Sustentabilidade crescer e ser um partido competitivo nas eleições do ano que vem é o grande desafio do prefeito Audifax Barcelos, principal liderança do partido no ES. Exceto pela Prefeitura da Serra, até o momento a legenda se mantém em patamar inexpressivo no Estado, com apenas um deputado estadual e nove vereadores em todo o Estado.

O que diferencia a Rede hoje de mais de uma dezena de pequenos partidos é a sua linha programática e pragmática, mais alinhada à esquerda, que tem a preferência de parte da grande mídia, de intelectuais e de movimentos sociais, em detrimento de agremiações mais alinhadas à direita. E tem também a figura da líder do partido no âmbito nacional, Marina Silva, que até agora passou incólume pelo lamaçal de corrupção que assola o país. 

 Alguns fatores contribuem para que a Rede não deslanche na política nacional e estadual. No plano nacional falta ao partido uma pegada, uma vez que a sensação Marina já passou, e ela não deixou um legado a ser contemplado pelo eleitorado. A impressão que se tem é que ela, fora do período eleitoral, foge das grandes questões e não entra em ‘bola dividida’. E assim, para muitos passou de uma sensação a uma decepção.

Aqui no Estado o partido ainda parece pouco atrativo para as lideranças. Já foram feitos convites aos deputados estaduais, Da Vitória e Euclério Sampaio para trocarem o PDT pela Rede e nem a briga que esses dois mantém com o deputado Sérgio Vidigal (presidente regional do PDT) foi suficiente para que eles migrassem para a Rede.

O deputado Sérgio Majeski (PSDB) também foi convidado, mas ainda não deu resposta. Nos bastidores, comenta-se que podem não vir. É certo que o momento para trocar de partido, será apenas em março de 2018, porém, essa pouca adesão inicial, pode levantar dúvidas se a Rede alcançará um resultado satisfatório nas urnas no ano que vem. O partido vem trabalhando muito, mas ainda tem que mostrar a que veio. 

Além disso, a Rede sofre um cerco por parte de outros partidos e lideranças, de forma a inibir o seu crescimento e deixar o prefeito Audifax do tamanho que está. O que inviabilizaria um possível voo para o Palácio Anchieta ou até mesmo sentar em uma das cadeiras de senador.

Em casa também é osso duro

O prefeito encontra dificuldades dentro da própria casa. A Rede da Serra está embolada em tamanho e qualidade com vários outros partidos; vive hoje um dilema de não ter um nome para disputar a eleição de deputado federal e conviver com a sombra do deputado e ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, que encaminha para ter um caminhão de votos e garantir a sua reeleição como um dos mais votados do Estado.

Para resolver essa questão, algumas tentativas têm sido feitas, de convencer a vice-prefeita Márcia Lamas migrar para o Rede; mas aí entra em choque com um aliado importante que é o PSB. Caso Márcia aceitasse, seria um contraponto à candidatura de Vidigal. Há também a tentativa de ‘fabricar’ a candidatura do vereador Guto Lorenzoni (atual PP) para federal; o mesmo receberia uma importante secretaria, migraria do PP para o Rede e se aventurava em uma escuridão, com grandes chances de derrota e remota possibilidade de vitória.

Para deputado estadual ao que tudo indica o partido vai apostar suas fichas em Xambinho, entretanto o vereador não entrou ainda no radar das candidaturas mais bem estruturadas, como Bruno Lamas (PSB), Vandinho Leite (PSDB), Jamir Malini (PP) e Roberto Carlos.

Outro poderia ser Silas Maza, mas o prefeito deixou escapar, que poderia ser o nome da Rede para estadual, com amplas chances de vitória. Silas hoje é secretário adjunto da Casa Civil, no Governo do Estado e é um dos nomes que o governador Paulo Hartung (PMDB) conta para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. 

 

A força do esporte da cidade

Thiago Albuquerque 

Se transformarmos a cidade da Serra em uma sala de aula e se dividirmos os alunos, estarão sentados na primeira fila: a segurança pública, a saúde, a educação, a economia e a política. Tecnicamente os primeiros da fila são conhecidos como as prioridades. Só que de alguns anos para cá, um aluno que senta lá no final, e que vinha sendo esquecido, tem se destacado com excelentes resultados, ele se chama esporte. 

Com pouco apoio, pouca mídia, falta de dinheiro e estrutura, os resultados do esporte serrano em diversas áreas, com nível até mundial, são impressionantes. Muitos atletas sem locais para treinar, sem dinheiro para viajar, driblam diariamente todos os obstáculos para mostrar que podem e merecem mais reconhecimento. 

Resgatando o amor do serrano pelo futebol, no último dia 11, o estádio Robertão, que ainda carece de uma expansão, lotou.  Com o grito de “o campeão voltou” quase dois mil torcedores foram ao estádio e viram o Serra ser campeão da Série B e subir para a elite do Capixabão em 2018. 

O time que no passado esteve no cenário nacional de futebol, chegou a parar suas atividades em 2015 por dificuldades financeiras. O próximo desafio será em julho com a Copa Espírito Santo. 

Além do futebol a Serra pode se orgulhar também do handebol. O Gaha, nos últimos dois anos faturou um título e um vice-campeonato profissional estadual.  Agora, além dele, o Hand Laranjeiras entrou no circuito profissional de handebol. Tendo a Serra dois time no estadual.  

Na velocidade, foi resgatado na primeira semana de junho, o famoso Barródromo, agora reformado, passando a ser chamado de Autódromo Julita Barros. A competição que vai se estender até dezembro e promete atrair excelente público e resgatar a paixão de muitos, que tomaram como tradição as corridas no barro do antigo Barródromo. Vale ressaltar que na corrida de inauguração, registrou-se 15 mil espectadores.  

Não dá para esquecer do Kartódromo Internacional da Serra que vem recebendo várias competições de kart e motovelocidade, inclusive recebendo pilotos de fora do ES.

Talentos individuais também em alta

No campo dos atletas solos, o nome da Serra é jogado a níveis internacionais. No futebol de areia, o multicampeão e melhor goleiro do mundo e da Seleção Brasileira, Mão, foi campeão do mundo e atualmente está disputando competições europeias pelo Braga de Portugal. 

No karatê, o serrano Bruno Conde de 18 anos vem ganhando uma enxurrada de medalhas em competições estaduais, nacionais e internacionais. Só na última competição, no Campeonato Brasileiro Regional foram sete medalhas. E vale lembrar que em janeiro ele assumiu a ponta do ranking mundial na categoria Kumite Junior + 76 kg. Se continuar nesse ritmo, as chances deste jovem serrano estar nas Olimpíadas de 2020 são muito grandes.

Na modalidade que é um sucesso atualmente, o Cross Fit, a serrana Evelin Ghidetti é destaque nacional. No levantamento de peso, Marco Antônio Porto, é pentacampeão estadual, campeão brasileiro e bicampeão mundial. No Skate Dowhill, Weyder Nascimento é campeão mundial. Na seleção brasileira feminina temos Gabriela Zanotti, que atua no Jiangsu na China.   

Outros destaques são os paratletas serranos. No tiro esportivo Eloisa Fernandes da seleção Brasileira, faturou ouro na 1ª Copa do Brasil na última semana. Felipe Barbosa Ramos se destaca no paraciclismo, natação e rugby. Medalhista dos Jogos Para Pan-Americanos de 2015, e 5º lugar nas Olimpíadas do Rio de 2016, no Brasil, Renata Bazone é uma atleta de nível mundial. 

Em meio a tanta violência a Serra tem o que se orgulhar. A valorização do esporte e o apoio aos nossos atletas podem ser um dos caminhos para livrar a cidade desse estigma.

 

Uso e ocupação do solo ao deus dará

Por Eci Scardini

A Prefeitura da Serra tem um histórico de permissividade muito grande com irregularidades e com ilegalidades no que tange ao uso e ocupação do solo, às questões ambientais, ao código de obras e de posturas. Transgressões que aconteceram ao longo de décadas e que permanecem acontecendo na atualidade comprometem a qualidade de vida do povo, impactam negativamente na paisagem e no urbanismo da cidade. Também causam prejuízo financeiro aos cofres públicos, levam a um desequilíbrio ambiental, causam desarmonia no dia a dia da cidade e estimulam para que novas irregularidades e ilegalidades continuem acontecendo.

Exemplos para ilustrar tudo isso são fartos pela cidade afora. Sem exceção, todos os bairros da Serra estão repletos de exemplos. Mas vamos enumerar alguns mais recentes, e que dão uma leve noção de que a apatia, a falta de política pública, a frouxidão das autoridades e o abuso dos infratores levam a um empobrecimento urbano, financeiro e moral da cidade.

 Um exemplo simplório, mas que demonstra a falta de autoridade do poder público, está na Serra centro. A loja Sipolatti, localizada na Avenida Getúlio Vargas, em frente ao Fórum e a 20 metros do prédio do Ministério Público, abusadamente mantém em frente à sua loja quatro gelos baianos, igual àqueles que separavam as pistas da Avenida Fernando Ferrari, em Vitória. Os mesmos foram colocados lá em fevereiro, para proteger o patrimônio contra a ação de vândalos, na ocasião da greve da Polícia.

A Sipolatti mantém os gelos baianos lá, na maior naturalidade e fiscais de postura, entre outras autoridades fingem que não veem.

Outro absurdo que vem acontecendo de uns dias para cá são os carros apreendidos pela Polícia Civil, que passaram a ser colocados em cima do canteiro central da Avenida Eudes Scherer, em Laranjeiras, em frente ao Terminal e do DPJ. Sem local destinado a armazená-los e com o estacionamento cheio, as autoridades policiais passaram a usar o canteiro central, todo arborizado e bem cuidado como estacionamento para carros velhos, sem rodas, amassados. Isso já dura vários dias, se constituindo em um verdadeiro desafio e afronta entre autoridades municipais e estaduais.

Mais favela e menos calçadas

Na Norte-Sul, entre Laranjeiras e Barcelona, uma extensa área verde, de propriedade da Suppin ou da Prefeitura se transformou em um extenso pomar, com uma enorme variedade de árvores frutíferas. Área nobre, no coração da cidade, local de nascentes da Lagoa Jacuném, que deveria ser preservada já registra a existência de cinco moradias e os moradores do entorno temem, que daqui a alguns anos o local se transforme em mais uma favela, de grande proporção.

Em Valparaíso, um barraco ocupa a mais de 20 anos um pedaço da calçada da Avenida Piúma, fazendo com que pedestres tenham que usar o asfalto para continuar o seu trajeto. É uma situação ridícula e que desmoraliza o poder público, que deixa a entender que não tem vontade ou autoridade para resolver o problema, que além de ilegal, destoa de todo o crescimento que a região experimenta.

Em Laranjeiras, plena Avenida Central, a Prefeitura executou pela metade um projeto de revitalização. Alargou as calçadas, padronizou e nivelou o piso da mesma para que os pedestres tivessem melhor acessibilidade. Lojistas, para resolver o acesso aos seus estabelecimentos, invés de rebaixarem o piso interno da loja, resolveram ‘criar’ suas rampas de acesso na calçada, que havia sido alargada para facilitar o vai e vem das pessoas.

O resultado disso é uma aberração, um afronta à autoridade pública, uma falta de respeito do lojista para com os seus clientes e uma coisa ridícula para uma cidade com 500 mil habitantes e no seu principal centro de compras.

 

Colapso ambiental capixaba

Bruno Lyra

Mais uma semana do Meio Ambiente chegando. E mais uma vez, o serrano e os demais capixabas vão acompanhar notícias de solenidades, palestras, oficinas de biscuit e reciclagem realizadas por Governos, Prefeituras e grandes empresas – notadamente, as que têm os maiores passivos ambientais.

Apesar do já tradicional marketing do verde, não há o que se comemorar. E sim, com o que se preocupar. O Estado vive a pior crise ambiental da história. A poluição do ar, notadamente a do pó preto e gases siderúrgicos – que tanto castigam a Grande Vitória permanece. A precariedade do saneamento, idem. Nada mais emblemático do que as imagens do esgoto pintando de preto o mar na abastada Praia do Canto, lugar de boa parte dos donos do poder político e econômico local.

Na Serra, o estado lamentável das lagoas. A maior delas, a Juara, perdeu até sua produção de tilápias para o esgoto e agora o sal, que veio com a dragagem do rio Jacaraípe. Os córregos urbanos viraram valões: Dr. Róbson, Cavada, Laranjeiras, Irema, Laripe, Capuba, São Diogo e Escravos. As matas que restam entre os bairros são alvo de invasões e lixões clandestinos. Turfa virou sinônimo de caos respiratório com a fumaça dos incêndios.

As reservas ambientais da Serra seguem com gestão precária. No do Mestre Álvaro gastou-se mais de R$ 1 milhão com um prédio que nem no monte fica. Lá, caça, desmatamento e até invasões são ameaças. Na reserva do Vilante tem mineração e invasões que sobem com a explosão populacional nos bairros do entorno.

Na reserva de Praia Mole, conter invasão é igual a enxugar gelo. A reserva de Bicanga, única de proteção integral da cidade, sofre pressão imobiliária para ser desfeita e ainda tem seus córregos poluídos. Na Jacuném, lindo mirante para uma lagoa repleto de coliformes fecais e esgoto industrial.   

Penando com a pior seca da história, o ES ainda teve aumento de 1500% no desmatamento da mata Atlântica. E perdeu o rio Doce para os rejeitos de minério da Samarco (Vale e BHP), que também se espalham e se espalharão por não se sabe quanto tempo pela costa capixaba. A Fíbria segue difundindo seus eucaliptais pelas montanhas, caixas d’águas naturais do ES.

É preciso que o Governo, prefeituras e grandes empresas ajam para além do discurso. O mesmo vale para cada pessoa que mora nessa terra. Ou perderemos as conquistas que a civilização nos trouxe.    

Do Shopping do Povo à revolta dos camelôs

Eci Scardini

Essa semana foi marcada por confrontos entre vendedores ambulantes de Laranjeiras com a Prefeitura. Impedidos de continuar suas atividades onde estavam trabalhando, eles queimaram pneus, fecharam o trânsito e na quarta foram para frente da Câmara e fecharam a rua em frente ao prédio e atearam fogo em pneus.

A Prefeitura foi fazendo vista grossa com esse problema e os camelôs foram tomando conta de calçadas, vagas de estacionamento, ampliando o raio de atuação e banalizando tudo, inclusive lojistas que pagam caros aluguéis e se veem com uma concorrência desleal à sua frente e sem poder fazer nada.

Esse é um problema anunciado há 24 anos (1993), quando o então prefeito João Baptista da Motta, inspirado em um projeto executado em Brasília, criou o Shopping do Povo, atrás do terminal de Laranjeiras, para ser o grande centro popular de compras da Serra, deixando o interior de Laranjeiras para o comércio formal.

Motta, naquela época, percebera e antecipou o problema; deu azar na ganância do Governo do Estado, comandado pelo então petista Vitor Buaiz. Fiscais da Secretaria de Fazenda visitaram o local e aplicaram multa a cada lojista por falta de inscrição fiscal; o fato desestimulou a todos, comprometeu o empreendimento e Vidigal, na sua primeira gestão, acabou por decretar o fim do que poderia ser hoje o grande centro popular de compras, da cidade mais populosa do Estado.

Efeito Lava Jato na aspiração à Brasília

Por Yuri Scardini 

Há quase um ano da eleição, o quebra-quebra político continua. A Operação Lava Jato segue fazendo “vítimas” pelo Brasil a fora e desconstruindo várias lideranças de envergadura nacional e estadual. É possível que ainda virão novos casos, novos entes políticos podem ser envolvidos e/ou os que já foram envolvidos podem se enrolar ainda mais.

Neste cenário, podem ocorrer um encolhimento das grandes lideranças, obrigando-as a darem um passo atrás e concorrerem a cargos de menor expressão da qual naturalmente disputariam. Ou até quem sabe, escalar candidaturas-laranja na tentativa de transviar o eleitorado.

Aqui no ES, inúmeros políticos foram implicados na Lava Jato, entre eles o governador Paulo Hartung (PMDB), o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e o senador Ricardo Ferraço (PSDB). Já se fala na possibilidade destes dois últimos darem um passo atrás nos planos eleitorais e virem na condição de candidato a deputado federal. Em épocas de terremoto da Lava Jato, mesmo que as acusações não se sustentem, ter o tal foro privilegiado pode ser decisivo para se manter em pé.

Se isso ocorrer mesmo, vai embolar o já truncado cenário eleitoral para deputado federal. Para as 10 vagas, tem uma montanha de aspirantes. Além dos dez que já ocupam a cadeira, nomes como do ex-prefeito de Vitória João Coser (PT), dos inúmeros secretários de Estado, como Otaciano Neto, Fonseca Junior, o ex-prefeito de Vila, Velha Neucimar Fraga e outros, atuais deputados estaduais como Josias da Vitória (PDT), vem abrindo espaço para pular na disputa. A briga para federal está inchada.

Colnago, Amaro, Rose, Audifax e Majeski

Já para a cadeira de governador pairam muitas dúvidas. Começando por Paulo Hartung. O governador tem alguns obstáculos pelo frente, entre eles a saúde, o partido e o desgaste do envolvimento na Lava Jato. É possível até que Hartung não seja candidato a nada em 2018. Mas o grupão que o acompanha vai lançar nomes.

Cesar Colnago (PSDB) surge como sucessor quase que natural. É o vice-governador e já assumiu a condição de governador interino por sete situações, inclusive em momentos nevrálgicos como a crise da segurança pública em fevereiro e durante a prestação de constas do governo na Assembleia semana passada. Essas situações vêm credenciando Colnago como um nome viável, além de estar em um partido que dá essa condição.

Mas, outro nome vem aparecendo com frequência nas conversas políticas. O deputado estadual Amaro Neto (SD). Mais votado para a Assembleia em 2014, Amaro foi candidato a prefeito de Vitória e rivalizou para valer com o atual prefeito Luciano Rezende (PPS). Amaro é popular, homem de rua, e se ganhar um up do grupo de Hartung, incluindo aí a elite empresarial, uma possível candidatura pode embolar com força o cenário.

Do outro lado, no grupo não-Hartung, a senadora Rose de Freitas desponta, o prefeito da Serra Audifax Barcelos e até o deputado Sérgio Majeski são nomes da boca política.

Muita oferta aperta prefeito

Falando em Audifax, o prefeito serrano vive os extremos. Ao mesmo tempo em que vive um vácuo de nomes para apoiar para federal, convive com um conglomerado de lideranças brigando pelo seu apoio na disputa de estadual.

Os vereadores Xambinho (Rede) e Guto Lorenzoni (PP), os deputados Bruno Lamas (PSB), Jamir Malini (PP) e Marcos Bruno (Rede), nomes como o ex-deputado Roberto Carlos (quase filiado a Rede), Gustavo De Biase (Rede), Sandra Gomes (ainda no PMB), e agora fortes especulações dão conta do televisivo Michel Bermudes sendo sondado para a Rede.

Com as restrições de captação de recursos, conseguir abrigo nas asas de grandes lideranças se tornou mais do que necessário. Como Audifax vai conciliar esse monte de gente? Muitos devem cair dessa árvore ainda…

Miséria na política fura o bolso

Yuri Scardini 

Diante de tudo o eu vem acontecendo na política brasileira, em especial durante esta semana, com o Presidente Michel Temer (PMDB), sendo pego em áudios e relacionado diretamente com corrupção, só podemos esperar o aprofundamento do caos e novos cenários de abruptas instabilidades.

A princípio se vê três cenários, e nenhum deles é favorável ao Governo Federal. Renúncia, impeachment ou cassação de mandato pela Justiça Eleitoral. É muito difícil pensar que Temer irá conseguir ficar de pé, ainda se considerar que talvez mais escândalos possam estar por vir.

Até o início da semana havia previsões de agências econômicas e até índices reais que apontavam para uma melhora econômica. Porém, o reflexo dessa pane política virá como um soco no estômago da economia brasileira, e lógico, no bolso da população em forma de aumento de desemprego e inflação. Isso porque este agravamento do cenário caótico já fez despencar o valor de inúmeras empresas brasileiras na bolsa de valores. Com a desvalorização do mercado brasileiro, a saída é vender ação e comprar dólar. Com a moeda americana mais cara, o brasileiro deve enfrentar novas rodadas de inflação e diminuição do poder de compra.

No que tangue a agenda administrativa, é difícil esperar que as Reformas Trabalhista e Previdenciária estejam na ordem do dia do debate político nacional. E com a aproximação da eleição de 2018, é possível que estas sejam inviabilizadas, já que o desgaste para os parlamentares é alto. 

No cenário eleitoral, com a corrupção novamente protagonizando as manchetes dos veículos de comunicação nacional, o discurso de pseudomoralidade e o populismo de direita, muito bem feito por figuras como o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) e o prefeito de São Paulo João Dória (PSDB), deverão ficar em alta e agradar a uma parte ainda maior do eleitorado. Isso, sem esquecer a “mística” de Lula.

Hoje quem, pelo menos aparentemente, dá as cartas é um conjunto de personalidades e instituições, formadas por Rodrigo Janot e o Ministério Público Federal, pela Justiça, englobando parte do STF, além da chamada “República de Curitiba” com o juiz Sérgio Moro à frente, a Polícia Federal.  Tem ainda o papel da chamada grande imprensa. E a reação multifacetada das mídias sociais.

Com o pé na cela

A Operação Lava Jato, principal eixo de desmonte do establishment político brasileiro e que vem desnudando as relações promíscuas entre políticas e empresários, também atingiu com força uma das principais lideranças dos tucanos, o senador Aécio Neves. Segundo os jornais, o ex-governador de Minas Gerais apareceu em áudios gravados por um dos donos da JBS, pedindo a quantia de R$ 2 milhões para se bancar os custos de defesa na Lava Jato.

Após prisões de figuras como Eduardo Cunha, Delcídio do Amaral e Sérgio Cabral, o que se esperar é uma provável prisão do tucano Aécio Neves. A irmã dele já foi. Caso ocorra realmente dá para pensar que o próximo da fila é o Lula. Isso porque uma eventual prisão de Aécio antes de Lula poderia evitar ou diminuir um quebra-quebra generalizado dos militantes e simpatizantes da esquerda brasileira, que falam sobre golpe e perseguição ao ex-presidente petista e sua representação enquanto figura paternalista dos mais pobres.

O que poderia representar o definhamento do governo Temer e um xeque mate de Aécio e Lula além de inúmeras figuras? O Brasil deverá ficar de olhos abertos para impedir que nessa devastação, não surjam irresponsáveis, que se dizem os salvadores da pátria, mas na verdade, incapazes de guiar o país e com discursos perigosos. A corrupção envenenou o sistema político, e é ele que precisa ser revisto, não a democracia.

Gigante que apanha e fica forte

Como não poderia deixar de ser, o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro na operação Lava Jato na última quarta-feira (10) teve um significado muito mais político do que jurídico.

Lula negou as acusações de que seria dono do triplex, bem como a de que o imóvel teria sido reformado pela empreiteira OAS do empresário Leo Pinheiro, como forma de pagamento de propina por contratos da empresa junto à Petrobrás.

Habilidoso orador, Lula aproveitou para reforçar o discurso de que está sendo perseguido pelo Ministério Público e pela Justiça, que supostamente estariam agindo em consonância com interesses políticos eleitorais de grupos adversários a ele e ao seu partido, o PT. 

Líder nas pesquisas de intenção de votos para as eleições 2018, Lula desperta paixões, é amado e odiado. E essa polarização, que não é de agora, explodiu mais uma vez, na última quarta-feira, com as redes sociais inundadas de comentários pró ou contra o ex-presidente.

Ao que parece, não será a exclusivamente a sentença do juiz Sérgio Moro que vai dizer se Lula é culpado ou inocente. Ainda que Moro o faça à luz da letra fria da lei, só a história pode absolver ou condenar uma figura do tamanho de Lula.

Basta lembrar que o que até agora se desvendou do modus operandi do PT à frente do governo federal entre 2003 e 2016, não difere da prática dos outros partidos, dos grandes como PSDB e PMDB aos menores. E que se repetem em outras esferas do executivo nos estados e municípios. Nem legislativo e judiciário escapam.  A despeito das exceções, parece que já faz cultura política nacional à promiscuidade entre dotadores de despesas e empreiteiras/fornecedoras.

Se não for condenado ou morrer, Lula vem forte em 2018. E isso deve mexer com a eleição no ES, transformando lideranças como Givaldo, Coser e Helder Salomão, em nomes competitivos numa chapa ao Palácio Anchieta, já que o grupo será de coadjuvantes de luxo no palanque capixaba de Lula.  

Agora, se a Lava Jato engolir Lula, outros caciques da política nacional e local também podem dançar. Caso do governador Paulo Hartung, do senador Ricardo Ferraço, do ex- governador Renato Casagrande e até prefeitos como Audifax, da Serra, Max Filho de Vila Velha e Luciano, de Vitória.  Todos citados nas delações da Odebrecht. Aí a coisa embola muito mais do que já está, abrindo espaço para surpresas.

Filósofo para alguns, sofistas para outros, o grego Protágoras, mais de 4 séculos antes de Cristo, cunhou a frase “o homem é a medida de todas coisas”. No Brasil do século XXI, parece que Lula já é a medida de todas as coisas. Pelo menos para as eleitorais em 2018.

O lixo é meu, o lixo é meu

Eci Scardini 

O prefeito Audifax Barcelos convocou a imprensa há cerca de um mês atrás para comunicar o envio para a Câmara de Vereadores de um projeto de lei que abre caminhos para a criação de Parcerias Público Privada, as chamadas PPP. A peça foi lida e aprovada por unanimidade na seção da última quarta-feira, apesar dos apelos de alguns vereadores que queriam mais tempo para debater o assunto, por considerá-lo de grande relevância.

Durante esse um mês que o projeto de lei ficou parado na Câmara, vereadores debateram entre si, não tanto por questões orgânicas e sim políticas. Como por exemplo, o secretário da Mesa Diretora, vereador Roberto Catirica (PHS), que  reclama que não tem tido a ‘devida’ atenção por parte do executivo e mais, tem visto a sua rival de reduto eleitoral, Cleuza Paixão (PMN) ganhar espaço na administração, mesmo não tendo uma posição estratégica naquela Casa de Leis.

Ademais, as contas do ex-prefeito e deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), que mesmo tendo sido aprovadas pelo Tribunal de Contas, ameaçam serem rejeitadas pela maioria esmagadora de Audifax, na Câmara, foram votadas e aprovadas, devolvendo o sono que Vidigal perdia com o assunto.

Vereador é um ser eclético no exercício do mandato; conhece muitos assuntos, mas não é especialista em nada, muito menos em PPP; logo é compreensível que necessitem de orientações técnicas para votar a matéria. O prefeito tem uma ‘tropa de choque’ na Câmara, composta por vereadores e alguns servidores que estão lá em todas as seções e informam em tempo real ao prefeito tudo que está se passando nos bastidores e no plenário da Câmara. Com essa marcação cerrada, fica difícil alguma manobra não ser detectada pelas lentes do prefeito Audifax.

Quando fez o anúncio, o prefeito listou uma série de setores que poderiam ser objeto de PPP: iluminação pública, uso e exploração do Parque da Cidade, administração de UPA’s, de unidades de saúde, do futuro hospital infantil, de escolas e a do lixo, que de fato é o grande desejo do executivo e a que verdadeiramente mexe com o mercado. As outras são quase que ‘perfumaria’.

Mas não era só no legislativo que a PPP do Lixo mexia com os ânimos não. A concessão do lixo da Serra é objeto de desejo de muitos e poderosos grupos empresariais, de dentro e de fora do Estado, pelas cifras que circundam o negócio. A Prefeitura paga para varrer, paga para recolher, para transportar e para a deposição final. Nessa conta está também incluído o lixo hospitalar, que é um bom filão dentro do negócio.

Cachorro grande quer ser vira-lata

Na cercania do Município, mais especificamente na Capital, já há quem afirma que a PPP do lixo da Serra já tem dono, e fora prometida para uma pessoa em troca de assessoria e consultoria informal visando uma melhora do ambiente de trabalho, na gestão e na inserção da Serra dentro e fora do Estado, com o intuído de aumentar a captação de negócios para o município.

É praticamente zero a chance de isso ter acontecido e também não funciona assim. O executivo tem hoje dois grupos de trabalho: um para estudar a desburocratização da máquina pública, que deve ter o auxílio da Findes e possivelmente a contratação de uma empresa de consultoria para fazer esse elo. O outro trata de elaborar a política de PPP: quais os setores a serem comtemplados, adequar tudo na legislação pertinente e tirá-las do papel. Em ambos os casos a um time de pesos pesados, conhecidos do mercado, por passagem por Governo do Estado, iniciativa privada e universidades.

Enquanto a PPP do Lixo não vem, grupos empresariais se movimentam para formar consórcio, para disputar a licitação, outro para não perder o atual negócio e por aí vai. No jargão popular pode-se dizer que vai ser uma briga de cachorro grande, para ser o “vira-lata” de lixo da cidade.

O que se estuda para funcionar na Serra é uma usina de geração de energia a partir da queima do lixo, que por sua vez gera gás, que fará funcionar uma turbina, que por sua vez gera energia, que entra na rede de distribuição da EDP Escelsa. Junto a essa usina, será construído um aterro sanitário para a deposição daquilo que não é reciclado e que também não pode ser queimado.

No Brasil ainda não há um modelo desse em funcionamento. Na Europa e até mesmo na Argentina esse modelo funciona há bom tempo. É um negócio bastante rentável e que deverá alimentar a gula de muitos grupos empresariais e promete dar muito pano para as mangas e trabalho para o Tribunal de Contas e Ministério Público, que será o local mais perto onde esse caso irá parar.

 

Eleitor entre mortos, feridos e zumbis

Por Yuri Scardini

Após duas semanas desde o cataclismo político causado pela divulgação das delações do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, que relacionou o nome de vários caciques da política capixaba, o mercado se pergunta, de que forma isso irá rebater na cabeça do eleitor em 2018?

Certamente nenhum mortal pode responder com precisão esta pergunta, afinal, diante de um cenário tão conturbado e confuso, nenhuma hipótese pode ser desconsiderada. O obvio é que o fato causou um tremendo desgaste na imagem de grandes líderes políticos, como o governador Paulo Hartung (PMDB) e seu inusitado codinome atribuído pela Odebrecht, Baianinho. Além do ex-governador Renato Casagrande (PSB), o centroavante e o senador Ricardo Ferraço (PSDB). Imagem arranhada, também tiveram os prefeitos das cidades mais poderosas do ES: Max Filho (PSDB) em Vila Velha, Luciano Rezende (PPS) na capital e Audifax Barcelos (Rede) na Serra.

Incauto seria afirmar com fervor que tais nomes estarão fora da disputa por cargos em 2018. O resultado eleitoral dessa desordem política ainda é imensurável, ainda se for considerar que não são fatos isolados. As listas de caixa dois e as delações rebateram em muita gente, não só no estado, mas na federação brasileira. O debate sobre político x ou político y pode ser suplantado pelo debate realmente, digamos estruturante, que é sobre as próprias fundações do sistema político brasileiro, que a bem da verdade, fez água.

Não se sabe se haverá novos escândalos e muitos menos se as atuais regras eleitorais vigentes irão permanecer. Mas de qualquer forma o jogo continua. Aqui no ES, sob essa areia movediça, ainda restam políticos de pé, e com condições de se apresentarem como opção eleitoral para a cadeira de governador.

A senadora Rose de Freitas (PMDB) naturalmente desponta como um nome altamente viável. O pop star das redes sociais e baiano de verdade, senador Magno Malta (PR) é outro. É certo que para uma disputa deste tamanho há limitação em seu atual nicho eleitoral, mas duvidar das soluções de marketing para problemas como esse, é no mínimo andar em ovos.

Baianinho hoje, estrategista sempre

O PT capixaba também foi pouco atingido, apesar de ser um cenário distante, se Lula aguentar a pressão da Lava- Jato, e por alguma razão do destino conseguir se viabilizar para as eleições de 2018, o ES é um doce caminho para o partido da estrela vermelha.

Isso são conjecturas a partir de nomes ainda não relacionados em delações e listas. Mas tem que combinar com o poderoso establishment capixaba, que permanece ancorado no grupo de Hartung. O governador, como o grande estrategista capixaba, não vai deixar a coisa correr solta. Opção dentro da sua algibeira política, certamente Hartung tem. Fala-se do atual vice, Cesar Colnago (PSDB), mas neste cenário de incertezas, pode-se acreditar que Hartung, motivado pela onda paulistana João Dória (PSDB), pode resolver abraçar, no bastidor, um desses pseudo-outsiders. Gente é que não falta. Há no ES muitos empresários acostumados a atuar no bastidor.

Assim como Alckmin abraçou Dória, Hartung pode abraçar alguém neste perfil. Seria uma saída junto a tantas lideranças políticas que esperam o apoio do governador estrategista. Construir uma liderança de fora para dentro pode agradar parte do eleitorado que não se vê representado pelo atual quadro político capixaba.

Além de estar na moda, ser uma tendência observada em outros locais do Brasil e do Mundo, atende bem os interesses deste establishment que acompanha Hartung e seu grupo. Na disputa direta ou não, Hartung e Casagrande seguem como pivôs nas eleições de 2018.

 

Por que mesmo mataram Tiradentes? Tiradentes acabou em pizza de feriado

O tamanho da carga tributária do Brasil atualmente, incluindo aí a seguridade social, está em 33,4%, dados de março de 2016, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Pelo andar da carruagem, se houve alguma mudança nesse índice foi para cima.

Esse índice é bem superior ao Quinto, nome do imposto português, que cobrava 1/5 de todo o minério extraído na Colônia Portuguesa (Brasil), praticamente a única atividade econômica da época. Segundo relatos históricos, na Capitania de Minas Gerais, em 1789, a Coroa Portuguesa resolveu aplicar o mecanismo da ‘Derrama’, que permitia o governador  da época efetuar a cobrança forçada do imposto, que de 1762 a 1789 acumulara uma dívida de 768 arrobas de ouro, que equivale a 11.520 quilos (cada arroba pesa 15 quilos).

Há 250 anos atrás, o Brasil já tinha uma carga tributária de 20% e só a Capitania de Minas Gerais tinha uma dívida externa (com a Coroa Portuguesa) de 11.520 quilos de ouro. A cotação do ouro na bolsa de valores está em R$ 125,50 o grama. Já naquela época o Brasil devia um caminhão de ouro ao Reino de Portugal e transformando na cotação atual, o tamanho da dívida se equipara perto da corrupção e da roubalheira que a Lava jato está apurando.

Amanhã, sexta-feira, é feriado nacional dedicado ao mártir Joaquim José da Silva Xavier, o ‘Tiradentes’, que morreu enforcado em 21 de abril de 1792, na antiga Vila de São José do Rio das Mortes, que hoje leva o nome de Tiradentes. Ele teve seu corpo esquartejado e preso a postes, exposto ao público para desencorajar outros inconfidentes a se insurgirem contra a dominação portuguesa sobre o Brasil e sua avidez na cobrança de impostos.

Resumindo a ópera, o Reino de Portugal encontrava-se em dificuldades financeiras e a Colônia no Brasil era a sua esperança de salvação.

Fazendo uma sobreposição desse passado nos dias atuais, só mudou o ‘modus operandi’, mas a ânsia do governo por arrecadar só aumentou, graças à volúpia do poder. Com as devidas exceções, no Brasil, ocupar cargos nos poderes não é sinônimo de responsabilidade, de obrigatoriedade não; é sinônimo de autoridade, de autoritarismo, de abuso de poder. Em muitos casos de formação de quadrilha, de improbidade e de muitos outros crimes.

Despudor do poder

O Judiciário, com uma independência maior, mas mesmo assim repleto de exemplos de relações promíscuas entre membros de seus quadros com membros dos outros poderes, se destaca. Entretanto, os poderes executivo e legislativo tornaram-se irmãos siameses, vivem colados um ao outro; em muitos casos não se sabe quando termina um e começa o outro; estabelecendo uma relação incestuosa nefasta para a nação, para estados e para municípios.

Via de regra, o governo brasileiro tem sido ruim para com o seu povo, principalmente nessas duas últimas décadas, quando os ditos avanços sociais foram usados para cobrir uma teia complexa e sofisticada de corrupção, desmascaradas a partir da instituição da operação Lava Jato.

No Brasil Colônia a luta era de um povo contra uma nação dominante e imperialista que era Portugal. Teve um mártir, que foi Tiradentes, que liderou um movimento insurgente, abafado pela Corte, mas que não extirpou de vez os ideários da independência.

No Brasil de hoje a luta não é de um povo contra outro povo; nem de uma nação contra outra nação; mas sim de um povo contra o seu governo, contra seus representantes, a quem lhes foram confiados os votos para representá-los nas devidas esferas de poder.

No Brasil de hoje não há mais espaço para um mártir, porque nos tornamos inteiramente um povo mártir frente a tantos desmandos e corrupção.

Lavando a jato os passos para 2018

Por Yuri Scardini

Demorou, mas após três anos, chegou ao ES. Estamos falando da Operação Lava Jato, que na última terça-feira (11) atingiu em cheio uma série de políticos capixabas. Entre eles, quatro dos mais graúdos, estamos falando do atual governador Paulo Hartung (PMDB), do ex-governador Renato Casagrande (PSB), do senador Ricardo Ferraço (PSDB), e do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS).

Vamos aos fatos, são três situações: Ricardo Ferraço é o único oficialmente investigado pela Lava Jato, sob acusação de ter recebido R$ 400 mil de caixa dois pela empreiteira Odebrecht, referente à campanha ao Senado em 2010.

Casagrande e Luciano foram citados em delações premiadas e tiveram petições para abertura de inquérito à Justiça Federal. Segundo o delator, a Odebrecht teria repassado R$ 2,3 milhões para as campanhas eleitorais de Casagrande e Rezende;

Já a aparição do nome do governador Hartung foi fruto de uma delação do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto da Silva Júnior. Segundo consta, teriam ocorrido “pagamentos indevidos” a Hartung para as eleições de 2010 e 2012. O STJ ainda irá decidir se Paulo Hartung será ou não investigado. Logo, até então não há processo de Hartung aberto na Lava Jato e nenhum dos citados são réus.

Tais situações são como que novas para a classe política capixaba, portanto, as implicações práticas que isso terá no cenário eleitoral de 2018 são desconhecidas, mas certamente é um ingrediente a mais para embolar o quadro eleitoral, já bastante “animado”, diga-se de passagem.

Fato é que, de acordo com a dinâmica do poder, onde um perde, o outro ganha. Dentro do que está colocado, quem poderia “ganhar” com esse possível novo cenário imposto pela Lava Jato? Já que os principais atingidos fazem parte do núcleo da elite de Vitória, da para dizer que os políticos da Serra podem ganhar mais força.

Na Serra o caldo engrossa bastante

Nesse cenário pró Serra, vale lembrar o prefeito, Audifax Barcelos (Rede), que vem ensaiando uma candidatura ao Governo do Estado desde o fim da eleição de 2016.

Audifax vem fazendo um jogo ambíguo. Ao mesmo tempo em que aparece com a turma anti-Hartung, Audifax nunca fechou as portas para o governador. O prefeito dialoga com os dois grupos, e poderia se colocar como um nome de consenso entre os grupos. Ademais, diante deste novo cenário, a Rede nacional pode ver em Audifax um nome real para se investir e com Marina abraçando o prefeito para valer, o jogo pode ficar favorável ao prefeito.

A senadora Rose de Freitas, desafeto de Hartung e nome forte do PMDB, também surge com força no cenário eleitoral para a vaga de governador, podendo contrair o apoio das lideranças que não caminham com Hartung. Outro que pode ganhar musculatura é o vice-governador César Colnago (PSDB), que vem tendo dificuldade de se encaixar no quadro eleitoral e pode surgir como a solução “limpa” do grupão de Hartung. Inclusive, também não parece haver portas fechadas à Colnago e ao PSDB no outro lado do tabuleiro, no time dos “não-Hartung”.

É muito difícil analisar o tamanho do desgaste que esse fato irá causar até as eleições de 2018, mas esses processos irão rolar, e a cada capítulo, um novo arranjo pode se formar. Ainda mais falando de Lava Jato. Muito se fala em “voos maiores” de lideranças como Vidigal e Audifax, talvez essa seja a oportunidade que estava faltando. Falando em Vidigal, com Ferraço sendo investigado pela Lava Jato, e o desconhecido fim que isso possa ter, o ex-prefeito da Serra teria forças para rivalizar uma vaga de senador?

Se havia dúvidas no tabuleiro de 2018, agora tem ainda mais. No curto prazo, o enfraquecimento de Hartung rebate nas eleições do PT, da qual o candidato a presidente estadual da sigla, Givaldo Viera, ganha mais fôlego com a campanha de retirada dos petistas do governo Hartunguista e com a eminência de um palanque polpudo com Lula.

Desprezo com a saúde de crianças capixabas

Por Yuri Scardini 

Mesmo após a recuada do prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB) na troca de acusações entre a Secretaria de Saúde de Vila Velha e a do Estado (Sesa), escancarou-se uma realidade atroz, a situação de completa deficiência do sistema de atendimento a saúde infantil.

Resumidamente a prefeitura dos canelas-verdes disse que a superlotação dos seus Pronto Atendimentos (P.A), especialmente o da Glória, é devida a recusa de atendimento principalmente do Himaba, o Hospital Infantil de Vila Velha administrado pelo Estado. Com isso, os pacientes dos P.A’s em estado grave não estariam conseguindo transferência para a rede estadual, abarrotando o sistema de saúde infantil de Vila Velha.

Já a Sesa, por meio do seu secretário, Ricardo de Oliveira, preferiu politizar o assunto, e fez duras críticas à posição assumida pela prefeitura de Vila Velha, caracterizando-a como “absurda”, “irresponsável” e “demagógica”.

Qual correlação deste assunto com a Serra? Vale lembrar que no dia 08 de dezembro de 2016, dia que a cidade completou 460 anos, o Governo do Estado resolveu, de forma unilateral, fechar a UTI Neonatal do Dório Silva e transferir 26 leitos para cerca de 30 km de distancia, exatamente para o mesmo Himaba,  epicentro da atual polêmica.

Com a reforma no Hospital Infantil de Vitória, sobrou apenas o Himaba para prestar esse serviço na Grande Vitória. Uma demanda gigante, inclusive vinda de outros estados, e que certamente teve impacto sim no sistema de saúde de Vila Velha. Até hoje o Estado não prestou esclarecimentos convincentes que validam o fechamento da UTIN do Dório, referência no tratamento de recém-nascidos de alto risco, sendo a Serra a cidade campeã de número de nascimentos de alto risco do ES.

Agora, ao que tudo indica, o Estado terá que prestar novos esclarecimentos, já que as condições do Himaba atrofiou o sistema de saúde infantil da Grande Vitória. Fica a pergunta, em qual medida o fechamento da UTIN do Dório contribuiu para esta situação?

Audifax se consolida entre as principais lideranças nacionais da Rede de Marina

O prefeito Audifax Barcelos (Rede) segue em ritmo acelerado para o fortalecimento da Rede no ES. Segundo consta, vários de seus correligionários e aliados mais próximos têm percorrido o interior capixaba atrás de filiar lideranças e formar um quadro competitivo para as eleições de 2018. Aqui na Grande Vitória, é o prefeito em pessoa que tem feito as principais conversas e tentativas de filiações de políticos mais competitivos.

É natural que Audifax assuma esse papel, inegavelmente ele é uma das grandes lideranças capixabas. É a principal liderança estadual da Rede e um dos principais da Rede no país. Além da milagrosa vitória do prefeito nas eleições de 2016, Audifax segue mantendo o recorde da maior votação para deputado federal no ES (eleições de 2010: 161.856 votos) sendo que nunca perdeu uma eleição. São feitos bastante louváveis.

Outro ponto que levanta a bola do prefeito é a abertura de Audifax com Marina Silva, a maior liderança da Rede e mulher de 22 milhões de votos em 2014. Durante as eleições do ano passado, Marina esteve por duas situações aqui na Serra, inclusive caminhando com Audifax pelas ruas de Feu Rosa adentro.

Entre os seis prefeitos da Rede pelo Brasil todo, Audifax comanda a maior cidade, tanto em número de habitantes quanto pelos recursos de orçamento. O prefeito da Serra se credencia para voar longe, e diante dos sinais, é razoável dizer que Audifax tem respaldo e moral para ser protagonista da Rede no ES. Resta saber o tamanho da envergadura partidária da Rede para ser protagonista no cenário nacional. 

 

Lista escancarada

Por Odmar Péricles

Verdadeiro absurdo propor a tal “lista fechada”, tramada nos bastidores do Congresso Nacional. Lista fechada é coisa de democracias parlamentaristas e secularmente consolidadas, com alguma exceção, que sequer serve de exemplo.

No caso brasileiro, e sua democracia em pleno desenvolvimento (haja vista ultrapassar trinta anos ininterruptos de estado de direito); mas com forte tradição presidencialista e voto personificado, o exercício possível é a desmobilização das coligações partidárias. Ou seja, cada partido político com sua lista própria de candidatos, aberta e escancarada. Voto na legenda partidária ou nos candidatos.

Infelizmente, o propósito que preside o debate nas duas casas legislativas nacionais, nesse momento, nada ou pouco tem de preocupação com a tenra democracia, senão como subtração a própria democracia. E fazer prevalecer interesses escusos, privilégios ae proteção aos políticos em fim de linha, caso vinguem as citações, investigações, denúncias, processos e sentenças da justiça, que via operação lava-a-jato, possa sujeitá-los ao escárnio público e/ou cassação.

Há, portanto, conflito entre a necessidade da readequação dos meios e modos de conquistar a representação política; e a cultural tendência de preservação das vantagens e impunidades dos envolvidos, e que são as faces dessa mesma moeda.

Os muitos elementos que atuam nesse embate: deputados e senadores, situação e oposição, os três poderes, as mídias noticiosas e instantâneas, e cada vez mais antenadas aos fatos; as academias com variado leque de estudos e conhecimentos; enfim, todo esse conjunto somado à opinião pública e aos movimentos sociais, formam o imbróglio dessa trama, cujo desenlace dará nova formatura ao processo democrático da representação do povo, pelo povo e para o povo. O grande caldeirão está no fogo, vamos ver no que vai dar. 

Givaldo: a fênix do PT capixaba?

Por Yuri Scardini

Depois de Lula aparecer em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente, o PT voltou com força para a geopolítica partidária.
Sinal disso é a enorme atenção que o mercado político tem tido com as eleições internas do partido, que vai escolher os comandantes dos diretórios nacionais, estaduais e municipais nos próximos dias.

Aqui no ES, os olhares se voltam para a disputa do deputado federal Givaldo Vieira com ex-prefeito de Vitória, João Coser. Givaldo vem surpreendendo a todos com um posicionamento extremamente áspero e de enfrentamento diferente do estilo dele contra o Palácio Anchieta, administrado pelo governador Paulo Hartung.

Essa movimentação brusca de Givaldo, não parece que tem a ver com um projeto de reeleição para a vaga de deputado federal. O político vem ganhando força. Ainda mais depois de Givaldo se tornar presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara Federal. Afinal é um capixaba a frente de uma comissão na Câmara de Deputados. Além disso, dá para por nessa conta, o apoio público do senador petista Lindberg Faria (homem da tropa de choque de Lula) à sua eleição para presidência do PT capixaba.

Caso o ex-presidente venha mesmo para a disputa, e Givaldo emergir como o “cara” do PT no ES, talvez, caia no colo dele muito mais que a reeleição a federal. Ainda para se salvarem mutuamente, o blocão da esquerda se unir na nacional. Givaldo pode ser alçado para o Palácio Anchieta, tal como em 2010, quando virou o vice-governador do Estado.

Amando ou odiando, negar a força do PT nos arranjos partidários é um erro, no momento que Givaldo se levanta e diz que o governo do ES faz parte dos “golpistas”, é um sinal claro de que na mira, está o Anchieta, e se Lula abraçar Givaldo, a briga engrossa.

De locomotiva econômica a vagão operário

Bruno Lyra 

A década de 2000 foi pujante para a Serra.  No ritmo do crescimento da economia da cidade construtoras enxergaram potencial para o mercado habitacional da classe média.

A cidade operária formada duas décadas antes pela explosão migratória atraída pelas obras do complexo industrial de Tubarão (antigas CVRD e CST, hoje Vale e ArcelorMittal) e pelos projetos satélites dos Civits I e II dava sinais de que teria uma classe média mais numerosa.

Seja pela evolução social dos que aqui já moravam, seja pela migração de parte dos capixabas das orlas e Vila Velha, Vitória e até de Campo Grande, Cariacica.

Condomínios de padrão só visto até então nas zonas nobre de Vitória e Vila Velha surgiram. O epicentro foi a região de Laranjeiras, nos bairros Colina e Morada de Laranjeiras. Este último já ligado às proximidades de Manguinhos, que também recebeu empreendimentos.

Até áreas fora deste eixo viraram aposta. Vide o caso do Alphaville Jacuhy numa improvável área entre a rodovia do Contorno e os brejos/mangues do Complexo do Lameirão e do Boulevard Lagoa. Este às margens da lagoa Jacuném, na carente e populosa região de Feu Rosa.

Depois de um breve ‘ boom’, notou-se que poucos empreendimentos voltados para esse público conseguiram ocupação plena. Muitos estagnaram e já começam a sofrer desvalorização.  Outros, como o Alphaville – modelo de sucesso em vários estados – seguem engatinhando.

Esperava-se que uma maior presença da classe média na Serra ajudasse a promover a cidade cultural e politicamente. Que virasse a chave do velho populismo, prática arraigada na política local desde a explosão populacional do final da década de 1970. Que transformasse a Serra em protagonista na política capixaba, tal como ela é na economia. Até agora não deu, mas há quem vislumbre que a aspiração a esse protagonismo político possa ter um capitulo novo nas eleições do ano que vem. 

Tem crescimento que nos faz pior

A Serra continua como locomotiva econômica do ES e poderá manter essa posição por anos. Mas é nítido que o baque da crise brasileira e capixaba tem repercutido de forma mais intensa na cidade. Até mesmo as carentes Viana e Cariacica tem conseguido ser mais atrativas para novos empreendimentos que a Serra.

Essa dificuldade está clara quando se nota o mercado imobiliário. Para a Serra só estão previstos empreendimentos de baixo padrão. O presidente Michel Temer anunciou pacotão de mais dinheiro para o Minha Casa Minha Vida e as construtoras já se arvoraram em projetos de condomínios com centenas de apartamentos ocupando terrenos diminutos em bairros menos valorizados da cidade.

O verniz do crescimento econômico e melhores condições de vida a população de baixa renda que se vende com esses projetos escondem uma cilada. As construtoras que levam dinheiro público e depois deixam a cidade. Aos mutuários, fica o sofrimento de um pagamento que pode ser inviabilizado pelo desemprego ou baixa remuneração.

À cidade, muita aglomeração com reflexos negativos na já deficiente infraestrutura. À prefeitura, a pressão por ofertar mais vagas em creches, escolas, postos de saúde. Quando não, mais cestas básicas e outros benefícios sociais diretos. Isso num cenário de arrecadação em franco declínio.

É a prefeitura responsável pela gestão do espaço urbano. Cabe a ela ter visão de conjunto e disciplinar a ocupação do solo. Ela pode, se quiser, impedir a proliferação de condomínios que vão trazer mais ônus do que bônus. Se não o fizer, a cidade corre risco de permanecer sem vida cultural, sem identidade, sem teatros, estádios, com a vida noturna cerceada pela violência.  E seguirá ouvindo os moradores dos outros lugares do ES dizendo: vai pra Serra? Boa sorte!    

Para viver num mundo mais árido

Por Bruno Lyra

Os moradores da Serra, das outras cidades da Grande Vitória e do restante do ES terão que se acostumar a viver com pouca água. A superseca – a pior já registrada na história do estado – é passageira, uma hora volta a chover. Isso pode resolver o problema da escassez por umas semanas, mas a escassez de água logo voltará.

O motivo é simples. Enquanto o volume de água das atuais fontes fornecedoras – rios e lençóis subterrâneos está caindo por conta das mudanças climáticas e má gestão, o consumo aumenta. Seja pelo crescimento da população, seja porque o consumo per capta é cada vez maior. 

O caminho para não ficar sem água em casa é ser criativo (a) e se adaptar a nova realidade. Na semana passada Tempo Novo mostrou exemplos de moradores da Serra que já estão fazendo isso. Gente que cria reservatórios para guardar a água da máquina de lavar roupa; que capta água de chuva; que recupera a água do ar condicionado; que reaproveita água usada para lavar alimentos e usa para molhar plantas.

E mais: utiliza o líquido descartado das piscinas para limpar chão; usa balde para lavar carro e reduz a freqüência desse ato. Nem precisa dizer que banhos mais curtos com torneiras fechadas ao ensaboar e também ao lavar louça e escovar dentes é dever de casa inadiável.

Com o tempo novas regras devem impor as novas construções, comerciais e residenciais, um layout visando à recirculação de água. Também devem surgir mecanismos de punição efetiva a quem desperdiça.

Como o restante dos brasileiros – exceto os dos sertões mais secos – os capixabas se acostumaram com a abundância de água. Em grande parte do planeta já não é assim há décadas. A nossa vez chegou. E como estamos numa economia de mercado, água rara, água cara. Comida cara, bens caros. Tudo precisa de água para ser feito.

Além da criatividade, cabe ao cidadão cobrar dos políticos mais ações efetivas para aumentar a quantidade e qualidade das águas. É também tarefa deste eleitor – que é consumidor de bens e serviços – ver como as empresas estão tratando esse recurso, deixando de consumir produtos daquelas que são relaxadas com o precioso líquido. E cobrar que as autoridades exerçam o papel para o qual foram pagas e inibam as más práticas. 

Novas promessas do governador

É tradição dos últimos governos de Paulo Hartung (PMDB) e também do seu antecessor Renato Casagrande (PSB). Na semana internacional das águas, chama-se a imprensa, representantes das grandes empresas e lideranças políticas para uma pomposa solenidade no Palácio Anchieta, onde o governo anuncia ações em prol da conservação dos rios e garantia da segurança hídrica.

Nesta edição, Hartung foi bem ao admitir com ênfase que a superseca no ES não é um evento sazonal, mas fruto de mudanças climáticas profundas e que não atinge só o estado. Augusto Ruschi já alertava para isto na década de 1960. Seu filho André Ruschi, morto em abril de 2016, seguiu alertando para o perigo nos anos posteriores.

Em 2007 o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da ONU já avisava que o ES e parte do Brasil central, sul da Amazônia e a região Nordeste ficariam ainda mais quentes e a seca aumentaria ao longo no século XXI. 

Na época, pouco foi feito para reverter o quadro no ES. Muito dinheiro do Banco Mundial já entrava para obras de saneamento, mas rios, lagoas e praias da Grande Vitória não melhoraram. Já se falava na hipótese da planta siderúrgica de Tubarão (Vale e ArcelorMittal) usar esgoto tratado ao invés da água limpa do cada vez mais frágil rio Santa Maria. Hartung liberou a expansão das gigantes, a despeito das reclamações sobre a poluição do ar. E não as obrigou a usar esgoto tratado.

Agora o governador promete que isto vai acontecer. Essa promessa já tinha sido feita em 2015 em entrevista ao Tempo Novo. Hartung anunciou também a inauguração do sistema Reis Magos em maio para reforço no abastecimento da Serra. Tomara que a água do mar que invade o rio – cerca de 13km até o ponto de captação  e a pequena vazão em períodos de estiagem –  não inviabilizem o sistema.

Lances de Hartung rumo às urnas

Yuri Scardini 

Depois do radical corte de investimentos e até de custeios em todo o ES e a crise na segurança pública capixaba, o governador Paulo Hartung partiu de vez para o tabuleiro partidário rumo às urnas de 2018. A estratégia parece ser encurralar a turma do ex-governador Renato Casagrande (PSB) no que tangue aos arranjos partidários, isolando-a. E isso, ninguém pode questionar, Hartung é “o cara” para este tipo de movimentação.

Hartung deixou de vez o argumento “técnico” de escolha de nomeados para o governo e partiu para acomodar lideranças das mais diversas siglas partidárias. Diminuindo a capacidade de articulação dos membros do núcleo casagrandista.

Além de trazer partidos como PTB e PRP que estavam na planície política, Hartung fortalece seu relacionamento com DEM, PSD, PDT, PT e PSDB.

Falando em PT, a eleição interna da sigla está pegando fogo. Hartung não pode deixa o PT solto, é um risco para os planos do governador. A eleição petista virou cabo de guerra entre Hartung e Casagrande.

Diante das pesquisas de intenção de voto para presidência, que colocam Lula em primeiro lugar, o PT é uma peça chave. Caso o grupo encabeçado por Givaldo, que é ligado a Casagrande, tome o controle de Coser e sua turma (que tem relação umbilical com Hartung) abrirá uma possibilidade para o PT e o PSB se unirem em 2018, ainda mais pelo fato do PSB dificilmente apresentar um nome para presidente.

Se Hartung conseguir manter seus aliados no PT, como fazer para conciliar o PSDB no grupo? A saída pode ser simples, inventar uma chapa alternativa. Igual foi à eleição de 2014, quando o então deputado estadual Roberto Carlos, do PT à época, veio na condição de candidato ao governo, e deixou Casagrande a ver navios. Com isso, mesmo no cenário nacional, caso o PT e o PSB decidam caminhar juntos, Hartung teria espaço para descontruir essa aliança aqui no ES.

O que sobrou para Casagrande? O PHS, o PPS e o PV e alguns outros partidos de menor expressão. Apesar de ter o prefeito de Vitória, Luciano Rezende, não se vislumbra em nenhum desses três partidos, uma base substancialmente forte para colocar candidaturas de senador e até de federal, com competitividade.

Da Rede de Audifax ao PDT de Vidigal

Neste cenário, não é impossível pensar na Rede compondo com este grupo, trazendo o prefeito Audifax Barcelos para a cabeça de chapa e o próprio Casagrande na condição de senador. Até porque, a Rede tem o nome de Marina Silva para a presidência, o que pode contribuir para a junção dos partidos.

Também não é impossível que o núcleo de Casagrande termine com o PDT do ex-prefeito Sérgio Vidigal. O PDT também tem nome para presidência. Ciro Gomes. Seria uma ironia do destino se Marina Silva e Ciro se unissem, com Marina vindo na vice do pedetista. Este sem dúvida seria o cenário mais atraente para o PSB de Casagrande, pois teria espaço para trazer ambas as siglas para o seu lado e com isso ofertar um leque de candidatos muito promissores na chapa, rivalizando para valer com a turma de Hartung.

Além das dúvidas partidárias, tem as incógnitas políticas. Amaro Neto (SD) é uma delas. O deputado mostrou que tem capilaridade eleitoral durante a campanha de prefeito ano passado. Pensar em Amaro para federal é bem possível. Há quem diga que até para senador ele teria condições para vir, mas aí, a briga é de cachorro grande.

Ensaio do bloco da eleição

Por Yuri Scardini 

O carnaval passou e agora é hora de levar a política para os preparativos no barracão das alianças e deixar os grupos bonitos para avenida eleitoral. As movimentações para as eleições de 2018 já se delineiam e até com contornos mais intensos. 

 Um sinal da pegada mais política foram as últimas nomeações do Palácio Anchieta, que diminuiram os espaços para os chamados “técnicos” e acomodou várias lideranças políticas, como, por exemplo, o ex-prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PSD), na condição de subsecretario de Logística, Transportes e Comércio Exterior.

Na mira, em primeiro lugar, está a cadeira de governador, hoje ocupada pelo (ainda) peemedebista Paulo Hartung. Posição responsável por gerir um orçamento de cerca de R$ 16 bilhões ao ano. Soma-se a cadeira do governador, duas vagas de senador, dez vagas de deputado federal e trinta de estadual.

Candidatos a cadeira de governador tem muitos, mas conseguir chegar em condições reais para isso em 2018, já é outra história. O que pode dizer com certa clareza, é que a divisão dos grupos políticos do atual governador Paulo Hartung e do ex, Renato Casagrande (PSB) vai ficando mais explícito.

Prova disso, são as movimentações observadas na eleição da Associação dos Munícipios do Espírito Santo (Amunes), que acontecerá no próximo dia 28 de março. A eleição é vista como um termômetro no meio político e pode por os dois grupos novamente em lados opostos.

Outra questão que vem apresentado o DNA da disputa Hartung vs Casagrande, é a eleição interna do PT, para a escolha dos diretório estadual e municipais. Mais uma vez, os dois grupos apresentam aliados na disputa. O PT inclusive, que mesmo com o alto desgaste, pode ser mais do que definidor na geopolítica, uma vez que o ex-presidente Lula, até então lidera as pesquisas para a presidência da república.

Fato é que mesmo mantendo essas disputas, quem sabe se Paulo Hartung e Renato Casagrande serão candidatos a governador em 2018? Sequer sabemos se novas regras eleitorais surgirão para favorecer certos interesses ou inibir outros.

Aliados bem próximos a Casagrande contam que o ex-governador quer manter o grupo e estaria disposto a disputar as vagas de federal para cima. Já Hartung, disse publicamente, durante coletiva de imprensa que não pretende a reeleição, e estaria propenso a brigar por uma cadeira de senador. Muitos duvidam, mas caso esse duplo cenário se concretize, vai escancarar um leque de novas possibilidades.

Assanhados da hora e a urna generosa da Serra

Até mesmo o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS) vem se assanhado no sentido de crescer seu nome para o governo do estado.  O prefeito Audifax (Rede) é outro que pode aspirar seu nome na disputa. O argumento da candidatura à presidência da líder do Rede Sustentabilidade, Marina Silva, daria combustível a este voo do prefeito serrano. Só para lembrar, Marina esteve presente durante o segundo turno da campanha eleitoral ano passado, e na ocasião andou pelas ruas de Feu Rosa com o então candidato à reeleição.

Mas por hora, é quase tudo balão de ensaio. 2017 é ano de ocupar os maiores espaços possíveis, olhar para dentro dos partidos, tentar formar grupos expressivos e principalmente, não errar. Rebolar para evitar ao máximo o desgaste que a escassez de recursos e crise econômica traz.

Certeza é que a aqui na Serra, será um dos locais de maior peso. A Serra que rivaliza com Vila Velha na condição de maior eleitorado capixaba, é uma cidade com menos identidade que os canela verdes, portanto ficando mais aberta a atuação de políticos “forasteiros”, além de ter uma sua grande maioria, uma população carente e de baixa renda. Condições muito sedutoras para uma eleição de tende a ter menos recursos que as anteriores.

O suplício do bucólico e charmoso balneário

Ansiedade, medo e preocupação predominaram sobre moradores e frequentadores de Manguinhos neste carnaval, na maioria das classes A e B. Foi a primeira folia em que dividiram o espaço com os novos moradores de Ourimar, bairro vizinho, que há menos de um ano ocupam prédios populares, voltados para as classes D e E. Conjunto de prédios esse, ironicamente apelidado de ‘Carandiru’.

A área que abriga esse conjunto tem 50 mil metros quadrados e pertencia à EDP Escelsa, onde mantinha um centro de treinamento. Depois ficou ociosa e foi colocada à venda. Foi decretada de utilidade pública pelo ex-prefeito Sérgio Vidigal, em 2009.

Na ocasião, o Município estava contraindo empréstimo junto ao Banco Mundial para obras de infraestrutura com foco no turístico. O Banco Mundial colocou como medida compensatória a despoluição de Manguinhos, principalmente dos córregos que partem de vila Nova de colares, Feu Rosa, cujas margens estavam ocupadas por invasores.

O projeto inicial visava transferir essas famílias e alojá-las em um conjunto com infraestrutura e assim, atender à medida compensatória do Banco Mundial.

Inicialmente pensou-se em fazer uma vila de casas germinadas, mas não atendia o número de famílias. Partiu-se então para um projeto de apartamentos, não os quase 700 de hoje.

Como a desapropriação e as obras seriam pela Caixa, no programa Minha Casa Minha Vida, o número de apartamentos inicialmente, não remuneravam o suficiente para bancar o empreendimento e garantir o lucro do banco. Foi quando buscou-se o máximo de unidades que o local permitia. Esse foi o primeiro item que começou a desfigurar a ideia inicial.

O segundo veio com as enchentes do final de 2012 e inicio de 2013, que inundou boa parte da Serra. Isso obrigou o município a alugar imóveis para desalojados, no programa de aluguel social, aumentando muito essa despesa.

Enquanto as obras do conjunto eram tocadas, a Prefeitura iniciou cadastro de interessados e com filas enormes de pessoas tentando garantir um apartamento. Aquilo que seria restrito aos moradores do entorno de Manguinhos foi escancarado, vindo gente até de outros municípios.

O dinheiro do Banco Mundial não saiu e muito menos a despoluição. Criou-se um problema maior, um conflito de classes sociais.

Dentro do ‘Carandiru’ conflitos são comuns eles, brigas, assassinatos, tráfico e uso de drogas. São quase 700 famílias vindas de diferentes regiões do município e até de fora, provavelmente mais de duas mil pessoas, ocupando ‘apertamento’ de pouco mais de 40 m2. Tornou-se um lugar onde as regras condominiais não são respeitadas e onde pode acontecer de tudo.

Manguinhos nas mãos da Prefeitura e da MRV

Manguinhos nunca mais será o mesmo. Acabou-se a tranquilidade, pois são aproximadamente 400 metros que separa um do outro, percurso fácil de fazer a pé.

Jovens e adolescentes descem em grupos para a praia, a qualquer hora do dia e dado o comportamento deles, impõe medo e terror aos moradores. Enquanto isso há registros de arrastões, aumento no número de roubos de carros, às residências, ao comércio e assaltos à mão armada.

Esse carnaval deixou bem claro que Manguinhos não será mais a mesma praia, frequentada por famílias que se juntavam no último recanto bucólico do nosso litoral, para desfrutar da calmaria, da beleza natural e do convívio alegre, despojado e acolhedor característico do local, com seus bares e restaurantes famosos em toda a Grande Vitória, bem frequentados por uma elite econômica e intelectual.

Manguinhos vive a mesma ocupação desenfreada e impensada que vitimou e condenou Jacaraípe. E se a Prefeitura permitir que a MRV construa o volume de apartamentos que quer fazer no entorno do bairro, a situação se agravara dezenas de vezes.

 

Esquadrão da morte e epidemia de violência

 

Por Thiago Andrade

Para compreender o impacto da criminalidade violenta que se espalhou de norte a sul do Estado no período de crise da segurança pública, é fundamental analisar a evolução dos homicídios, em especial, do ano anterior. Em 2016, de 01 de janeiro até o dia 20 de fevereiro, foram registrados 185 homicídios em todo Estado. De acordo com os dados repassados pelo Sindicato dos Policiais Civis divulgados até segunda, dia 20, em 17 dias de crise de segurança, foram 177 assassinatos em todo solo capixaba. No período mais acentuado crise, perdemos o direito de ir e vir. Experimentamos múltiplas formas de violência e esquecemos, inclusive, o surto de febre amarela que ronda o Estado.

A epidemia foi de assassinatos e começou após a deflagração do movimento organizado por familiares dos militares estaduais, impedindo que a Polícia Militar realizasse o patrulhamento ostensivo. Além do elevado número de homicídios, foram registrados diversos crimes, como furtos e roubos, inclusive com alguns resultando em morte, além de incêndios em ônibus que circulam na Grande Vitória.

Neste contexto, surgiram várias especulações sobre a participação de policiais militares e outros agentes da segurança pública envolvidos nesses homicídios, trazendo à tona a ideia da existência do famigerado “esquadrão da morte”, que ganhou notoriedade no Espírito Santo e em outros estados, depois que as mortes à bala passaram a ser vistas como uma maneira de se manter o controle.

No entanto, com o passar dos anos, ficou evidente que os homicídios utilizando esse modus operandi, em vez de controlarem o crime, acabavam provocando novos assassinatos, em círculos ininterruptos de violência. Ora, se por um lado eliminavam suspeitos, consolidavam o medo da morte e estimulavam o desejo de vingança. Estudos apontam que o esquadrão da morte representou o início da epidemia de assassinatos, por colocar em prática uma nova forma de controle social, bem como de lidar com homicídios em sociedade.

De acordo com a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, há denúncias que apontam o envolvimento de agentes da segurança pública nos homicídios registrados no período da crise. Após a sucessão de mortes, a Secretaria de Segurança Pública divulgou a criação de uma Força Tarefa para apuração dos assassinatos, visando identificar autoria e motivação. Que os autores sejam responsabilizados.

Ainda sofrendo com a insegurança, cidades estão cancelando os eventos carnavalescos, mesmo nos locais onde a folia era uma tradição. Um prejuízo incalculável para diversos setores da economia. No geral, a população capixaba ainda não retomou todas as suas atividades. As marcas da crueldade ainda estão recentes, sequelas que vão além da violência física. A pergunta é: até quando?

Mestre em Segurança Pública e Professor Universitário

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