Serra, 19 de Janeiro de 2018

Portal Tempo Novo - O Portal da Serra, ES

Mestre Álvaro

por Eci Scardini

Fakes, seres mitológicos e eleitores

Por Yuri Scardini

A República Brasileira sempre foi marcada por eleições truncadas, rivalizadas e às vezes até violentas. E 2018 deve seguir a cartilha, porém, com novos contornos. Um deles é o ressurgimento de candidatos com bandeiras publicamente de direita, como o presidenciável Jair Bolsonaro, que feito mito de ultima hora tem sua legião de fã espalhada pelo Brasil e que se mobilizam na internet e fazem muito barulho virtual.

Falando em internet, este faz parte do novo contorno eleitoral, com a intensificação da perigosa e antidemocrática mistura dos chamados “Fake News”, manipulação pelos Big Datas, boots e os chamados “ciborgues” que têm a intenção de manobrar a opinião pública pela web, criando uma espécie de efeito manada e manipular o voto dos eleitores para determinados candidatos, que pagarem mais é claro.

Além disso, há todas as indefinições que cobrem o mitológico mor da nação, o ex-presidente Lula, que surfa a dicotomia da popularidade e da impopularidade ao mesmo tempo. Condenado em segunda instância ou não, vai haver problema e radicalização. Não resta dúvida que Lula é figura central da eleição de 2018, ou como um “cabo eleitoral mártir preso por um golpe” ou como candidato perseguido capaz de trazer os “bons e velhos tempos” de volta.

Lula, Bolsonaro, a esquerda, a direita, o vendável centrão, a crise de representatividade, a internet, os Fake News, os discursos de ódio e os contra-discursos de ódio com mais ódio ainda, as demagogias, a corrupção, a falta de planos de governo aprofundados, regras eleitorais ultrapassadas, parte de um judiciário que não inspira confiança, falta de um poder hegemônico capaz de criar consenso e mais uma penca de coisas, nos faz crer que não haverá milagres em 2018.

Olhando para o ES, o patinho feio do Sudeste, mais do mesmo. Mando e desmando das poluidoras nos poderes públicos. No campo político a atrofia do tabuleiro eleitoral causada pela “indecisão” do governador Paulo Hartung (PMDB) sobre seus próprios caminhos eleitorais. Uma oposição encurralada, suplantada e talvez incapaz de fazer um contraponto à altura. E aqui na Serra, mais um capítulo de uma estória que já dura uma década, Audifax versus Vidigal.

Estado afrouxa, município endurece

Por Bruno Lyra

Está na Câmara de Vereadores da Serra desde o último dia 27 de dezembro, o pedido para abertura de uma nova CPI sobre o pó preto da Vale e ArcelorMittal. Em 2015 a Câmara da Serra já havia ensaiado a abertura de investigação sobre o problema. Em Vitória, os vereadores conseguiram abrir CPI sobre o tema.

Isso aconteceu também em 2015, quando a Assembleia Legislativa do ES fazia sua 2ª CPI sobre o pó preto. A primeira em 1996, dentre outras coisas exigiu que a Vale e Arcelor indenizassem o SUS pelos gastos milionários com a saúde respiratória, o que não foi atendido. 

A nova tentativa de CPI na Serra sugere uma tendência de municipalização do tema, com as Câmaras querendo encarar este problema crônico.

Essa aparente tendência é catalisada pelo afrouxamento da vigilância da qualidade do ar feita pelo Estado, que chegou a ser suspensa por 10 meses entre 2016 e 2017. Além de fiscalizar, é também o Estado quem dá as licenças ambientais para Vale e Arcelor.

Soma-se a isso a crescente insatisfação da população. Se até pouco tempo atrás as queixas sobre o pó preto se restringiam a “radicais” ou donas de casa que à boca miúda se lamentavam por tanto ter de repetir a limpeza, agora a história é outra. 

Cada vez mais capixabas reclamam. Ainda mais nos últimos anos, com redução das chuvas e aumento de dias secos, quentes e de vento nordeste, arrastando mais pó preto para casas e apartamentos. 

Também não soa bem para a opinião pública as sucessivas multas ambientais não pagas pela Vale, que deve acontecer mais uma vez no recente episódio do vazamento de resíduos de Tubarão no mar. E como explicar para o cidadão, obrigado a pagar seus impostos, a impunidade em relação ao rompimento da barragem da Samarco (Vale +BHP) há dois anos? E a imprecisão nas informações sobre os riscos da contaminação no rio Doce, no mar e nos peixes pelos metais pesados vindos com essa lama?    

Há de se lembrar que, na República, os mandatários mais próximos às bases são os vereadores.

Show e aposta de Paulo

Yuri Scardini 

Um dia após anunciar publicamente que pode ser candidato a presidente da República na eleição desse ano, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM) veio ao Espírito Santo, a encontro do governador Paulo Hartung (PMDB). Oficialmente a agenda seria para prestigiar liberação de recursos para a Educação e Saneamento Básico. Junto com Maia veio o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), num sinal claro da agenda política do encontro.

Estiveram por aqui também os ministros da Educação Mendonça Filho (DEM) e o de Cidades, Alexandre Baldy. A princípio, entende-se que a agenda de Maia já faz parte de um movimento nacional que vem buscando apoio de lideranças políticas para seu projeto. E Hartung, ao que tudo indica, parece fazer parte dele. O evento foi marcado por uma chuva de elogios mútuos entre Maia, Hartung e ACM Neto, em sinais mais do que claros de alinhamento político.

Hartung está mesmo buscando espaço em grupos políticos de envergadura nacional visando à eleição. E Maia é a porta de entrada para isso. Não é fortuito todo esse show político. Mas qual seria a participação de Hartung nesse grupo? E o que ele poderia oferecer para engordar o time capitaneado pelo DEM? Difícil dizer, mas Hartung vem tentando construir uma imagem de gestor exemplar a nível nacional, e aposta nas mídias tradicionais para isso. O impacto disso ainda parece desconhecido, mas para a massa brasileira, não há dúvida que o governador capixaba não se passa de um desconhecido.

De todo modo, alguns apostam que a República está tão confusa, que Hartung poderia paradoxalmente se vender como um “outsider” para o Brasil, e vindo de um Estado tido como fiscalmente organizado, em meio à quebradeira geral, ser a referência econômica que o grupo do DEM precisaria para embasar um discurso ligado a superação da crise.

No fundo Hartung pode estar apostando naquelas derrotas que sai ganhando. Ao se aliar à Maia, Hartung entra num time que tem potencial a nível nacional. Sendo um vice numa chapa ou até mesmo candidato a senador pelo grupo, Hartung pode ter espaço nacional num possível negociação de segundo turno, como um ministro por exemplo. Mas este é um campo nebuloso, nem se sabe se o ex-presidente Lula será candidato. Verdade é que Hartung só tem a ganhar se aliando à Maia, que sem dúvida nenhuma estará sentado à mesa de negociações nacionais.

A vida real de Hartung

De todo caso, ainda é complicado pensar num capixaba sendo vice de alguém nessa eleição. Representando cerca de 2.7 milhões de eleitores, é inexpressivo a nível nacional e está longe de ser um centro econômico de envergadura. Só a título de comparação, o PIB de São Paulo é cerca de 17 vezes maior do que do ES e a soma do eleitorado de algumas zonas eleitorais da cidade de São Paulo, já ultrapassa todo o estado do ES. Isso só são dados básicos, aprofundando na análise em comparação até com outros estados, como Rio Grande do Sul, Paraná ou Bahia, é um banho de água fria. Uma eleição nacional é muito mais aprofundada do que discursos e notinhas em jornais de cunho nacional.

Muitos apostam que o projeto de Hartung pode ser para o Senado, sob as asas do grupão de Maia. Entre as razões estaria saúde que vem mostrando certo cansaço. Pessoas próximas ao governador dizem que em seu seio familiar, existe uma pressão para Hartung deixar a função de governador, pelo grande esforço empregado e agendas abarrotadas. Mas não há qualquer confirmação sobre isso. Uma coisa é certa, Hartung simplesmente bagunçou o quadro eleitoral capixaba e ninguém vai dar um passo adiante até o governador decidir seu futuro político.

Hartung e Casagrande juntos?

Eci Scardini 

A política tem uma capacidade enorme de construir antagonismo aonde um lado serve de combustível para alimentar o outro. A nível nacional, no início dos anos de 1960, o afloramento da esquerda serviu para a direita se reorganizar, dar um golpe de estado e implantar uma ditadura militar, de direita, que se manteve no poder até a ascensão de Tancredo Neves/José Sarney, em 14 de março de 1985.

De tanto tentar, a esquerda conseguiu chegar ao poder central, através de Lula, tendo o PT como partido protagonista, auxiliado por outras siglas da mesma ideologia, que atuaram como coadjuvantes, em 2003.

Envolta em um mar de denúncias de corrupção, a esquerda entrou em declínio e levou a direita a se reorganizar e, dentro da lei, tomar o Palácio do Planalto, onde encontra-se instalada hoje.

O antagonismo que se verifica hoje no plano nacional é Lula x Bolsonaro. Um vive da fúria do outro.

No Espírito Santo não há, pelo menos na história recente do Estado, registro de um antagonismo tão acentuado. Não dá para afirmar que o ex-governador Gerson Camata tenha sido antagônico a Eurico Rezende; que Max Mauro tenha sido antagônico a Camata e assim sucessivamente.

Até mesmo no momento atual, não há como afirmar que Paulo Hartung e Renato Casagrande sejam antagonistas. As desavenças entre eles são recentes e dependendo da conjuntura nacional pode ser que termine aí. Uma das hipóteses é se de fato o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa vir a ser candidato à presidência da Republica, pelo PSB, tendo Hartung como vice.

Animosidade para valer mesmo tem aqui na Serra, entre o prefeito Audifax e deputado federal Vidigal, mas essa é outra história.

Prefeito e o tabuleiro na Câmara

Yuri Scardini 
Pelo visto 2018 deve ser marcado por novos capítulos de desavenças entre Legislativo e Executivo Municipal. Isso porque, mal começou o ano e cerca de 70 pessoas, ligados a pelo menos sete vereadores, foram sumariamente exonerados da Prefeitura da Serra. Nenhuma fonte oficial confirma, mas isso se trata de desdobramentos do polêmico projeto de lei 292/2017, de autoria do Poder Executivo, que foi rejeitado pela Câmara em novembro do ano passado.

Na prática o prefeito Audifax Barcelos (Rede) está retaliando os vereadores que articularam a derrubada do PL, que entre outras coisas, previa mudanças na lógica de trabalho de várias categorias de servidores e aumento de impostos. Ao todo foram 9 vereadores tidos como os “pais” da derrubada, são eles: Aécio Leite (PT); Basílio da Saúde (Pros); Cleusa Paixão (PMN); Geraldinho Feu Rosa (PSB); Nacib Haddad (PDT); Pastor Ailton (PSC); Raposão (PSDB); Rodrigo Caldeira (Rede) e Stefano Andrade (PHS). Porém, dois deles (Nacib e Aílton) já não tinham espaço na gestão, por se tratar de parlamentares de oposição.

Com isso, a governabilidade do prefeito via Câmara pode ficar comprometida. É claro que ainda há muito para acontecer, até porque, os próprios vereadores aguardam o retorno de Audifax que está de férias. O prefeito deve recompor a base e segundo membros da gestão, dos nove “infiéis”, pelo menos dois devem fazer o caminho de volta, são eles Aécio e Basílio. Fechando a base de governo com 16 parlamentares, número limite para aprovar projetos que mexem na lei orgânica. E mesmo assim, a própria base do prefeito está internamente rachada entre vereadores que sustentam a presidente Neidia Maura e outro grupo que defende sua deposição.

O clima é de tensão. Nos corredores da prefeitura, afirma-se que o prefeito convocou todo o secretariado e deu a “orientação” para não atender aos pedidos destes 9 vereadores. Em especial de Caldeira e Stefano, vistos por membros da gestão como “os comandantes” da não aprovação do PL 292/2017, e que já vinham demonstrando certa “infidelidade”.

É importante dizer que 2018 é ano de eleição interna na Câmara, e isso é o pano de fundo de todas as instabilidades ocorridas em 2017 e deve se aprofundar em 2018. E ainda vai ser potencializado pelas eleições de outubro, onde vários vereadores deverão ser candidatos a Estadual ou até mesmo Federal. Na prática ainda vem mais trovão nessa tempestade

Tempo Novo: mais Serra do que nunca

Por Yuri Scardini

Este período de virada de ano é sempre muito especial para o Jornal Tempo Novo. Isso porque foi na virada do ano de 1983 para 1984 que o jornal foi fundado. Inspirado pelo desgaste e descrédito da Ditadura Militar, o dono e fundador, Eci Scardini cravou o nome de TEMPO NOVO para o veículo, com esperança de que o Brasil literalmente vivesse novos tempos.

De lá para cá, muitas fases foram superadas e o Tempo Novo segue como um veículo de olhar enraizado para a cidade da Serra. Com o exemplo, a editoria intitulada de “Meio Ambiente”, que foi uma das precursoras nesse sentido no ES, e tem por objetivo a defesa, a cobrança e a análise do tratamento com o Meio Ambiente, tanto pelo Poder Público e pelas empresas privadas. Especialmente a cobertura a respeito dos recursos hídricos no ES e na Serra.

O jornal vem se adaptando as novas plataformas e flertando com formas mais modernas de se fazer comunicação. Em 2017, foram audiências recordes nas plataformas digitais. Como destaque, a redação do jornal produziu uma série de episódios em áudio visual para o Facebook, intitulado “Conhece a Serra”, que tinha por mérito fazer um retrato dos principais pontos turísticos e de lazer, valorizando o município, inclusive subindo ao topo do Mestre Álvaro, a 833 metros de altitude em um trajeto de 4 horas. No fim da série, somou-se quase 700 mil views e um feedback incrível por parte do público.

A integração com os internautas é cada vez mais intensa e demonstra que a relação de um jornal regional com vínculos umbilicais com o município, cria uma ligação muito mais aprofundada com os moradores da cidade. Em 2017 criamos a ideia de assinatura online do jornal, próprio para a plataforma do WhatsApp. Já são próximos de 20 mil contatos recebendo diretamente o jornal Tempo Novo em formato PDF todas as sextas feiras. Tem sido uma experiência muito positiva e para 2018, devemos seguir investindo nessa frente. Os próprios moradores entram em contato conosco, solicitando a inclusão de seus contatos nas listas de transmissão. Os assinantes são divididos por bairros, e podemos fluir conteúdos próprios para determinadas comunidades de forma muito mais eficiente.

Novos desafios virão em 2018, tanto para a Serra quanto para o Tempo Novo. Agradecemos aos fieis leitores e seguidores pelo carinho e desejamos um grande ano para os capixabas e especialmente para os serranos.

A arte da reinvenção pré-eleitoral

Por Yuri Scardini

Na véspera do ano eleitoral, a ausência do governador Paulo Hartung (PMDB) e do vice César Colnago (PSDB) marcou o Dia do Serrano na última terça-feira (26) em Serra-Sede. Por se tratar de uma tradição, onde o próprio Hartung seria homenageado e até mesmo pela transferência oficial da capital para o município da Serra, era esperado a presença das duas autoridades. Muitas personalidades presentes classificaram como um desprestígio a cidade.

Mas Hartung tem evitado dar as caras em eventos substancialmente políticos. Isso pode ser um sinal de uma tentativa do Governador de despolitizar sua imagem junto ao eleitor. Até porque, Hartung vem tentando colocar uma imagem de “governador economista”, descolado das desesperanças políticas que afligem os eleitores e cria uma crise de representatividade política no país.

Na prática, Hartung vem tentando humanizar e popularizar sua imagem, vide o vídeo que correu a mídia na semana passado, mostrando o governador dançando de forma completamente “atípica”, durante as festividade natalinas em frente ao Palácio Anchieta. Vídeo que viralizou entre os capixabas e que certamente não foi algo fortuito, passando a imagem de um Hartung descontraído, engraçado e humano.

Além disso, Hartung insere seu nome em veículos de comunicação a nível nacional, fazendo um movimento de fora para dentro, mas visando o eleitorado capixaba. Quando ele “sai” do ES e se torna “referência lá fora”, Hartung fica grande demais para a claque política local, quase uma celebridade. Portanto, ir a eventos políticos na Serra, não fazem mais parte da agenda de sumidades como o Governador Paulo Hartung.

 

 

É hora e vez da energia solar

Por Bruno Lyra

Demorou, mas a decisão do Governo do Estado em aderir ao convênio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para isentar a micro e a minigeração de energia solar do pagamento de ICMS foi acertada. O Espírito Santo foi um dos últimos estados a aderir ao convênio, que existe desde 2015. E para que possa ser efetivado ainda precisa ser autorizado pela Assembléia Legislativa.

 Na prática a medida vai estimular a instalação de placas fotovoltaicas em casas e empresas de menor porte. Isto porque até agora, quem já tem essa tecnologia, acaba tributado em 25% sobre tudo o que gera caso seja interligado a rede pública. E esse é o caminho natural de quem possui o sistema, uma vez que a energia gerada de dia, com o sol a pino, não é toda utilizada. Como é inviável armazená-la devido ao custo e baixa durabilidade de baterias, essa eletricidade vai para a rede pública e a concessionária vende para outros clientes.

O gerador da energia solar recebe da concessionária os créditos, porém abatidos em 25% pelo ICMS. Na Serra há experiências de uso de energia solar em casas e condomínios populares em Bicanga, Serra Dourada e Eldorado. Neste caso não é de geração de energia elétrica com placas fotovoltaicas, mas para aquecer a água do chuveiro. Os equipamentos foram bancados por programas governamentais e são sucesso de durabilidade, eficiência, baixa manutenção e economia de até 40% na conta de luz. 

A energia solar é abundante e está disponível em todo o canto. As hidrelétricas vêm perdendo espaço com a degradação dos rios e as secas mais intensas. As termelétricas geram energia a alto custo e poluem, causando aquecimento global. As nucleares são perigosas e caríssimas.

 

Quem não tem cacique vai de índio

Por Eci Scardini

Ao que tudo indica a Rede do prefeito Audifax está fechando os gomos da rede para segurar pelo menos as ‘tainhas’, que é um peixe pequeno, que não ficam presas em redes de gomos grandes, já que os ‘peixões’ não estão caindo nas tarrafadas que eles têm jogado na grande ‘lagoa’ política.

Assim, segundo as contas do núcleo duro do partido e ligado a Audifax, a Rede de Marina Silva, com os nomes que tem hoje (em torno de 40) consegue sozinho, chegar aos 150 mil votos para as vagas de deputado estadual na eleição de 2018, o que garantiria duas cadeiras no parlamento capixaba. Segundo ainda o pensamento da cúpula redista, se o partido fizer uma coligação e lançar chapa completa, poderia passar dos 180 mil votos e eleger três deputados.

Os nomes dos pré-candidatos de Rede estão em uma planilha, impressa, dobrada e guardada no bolso que é para ninguém ter acesso. Tem nomes de mais de duas dezenas de cidades do Estado; com os mais variados currículos: vereador, ex-vereador, vice-prefeito, líder sindical, servidores públicos, entre outros. Pelas contas, têm nomes de mil a 25 mil votos.

Esse modelo não é novo; é inspirado em algumas coligações partidárias, que envolvem partidos menores, sem a ‘cacicada’ da política e que obtiveram bons resultados nas duas últimas eleições estaduais. A diferença agora é que a Rede branda que tem braço para se igualar a partidos grandes e tradicionais em número de eleitos na futura composição da Assembleia.

Como diz o ditado, ‘papel aceita tudo’; tá tudo certo, tá tudo montado, os nomes filiados, é só dar o tiro de largada e correr para faturar.

Introspectivamente, dá para perceber que as apostas de alguns desses articuladores da Rede, vão em direção dos nomes de Marcos Bruno, que busca a reeleição e de Sandra Gomes, atual secretária de Turismo da Serra e esposa do ex-deputado Gilson Gomes.

Os nomes de Gustavo De Biase, um dos fundadores da Rede no Estado e Roberto Carlos, ex-deputado e candidato petista a governador na eleição de 2014, não figuram como os puxadores de voto, assim como o vereador Alexandre Xambinho; eles só engrossariam o caldo para a eleição de Marcos Bruno e Sandra.

O que se percebe também é que deputado federal não é a preocupação principal dos redistas. Até o momento o único nome que o partido dispõe é o do vereador Guto Lorenzoni, que foi chamuscado na semana passada com denúncias de abrigar funcionário fantasma quando foi presidente da Câmara e nem há certeza se vai conseguir liberação do PP, atual partido, para se filiar a Rede.

Política com ódio, poder no ralo

Yuri Scardini 

Nas últimas semanas, os capixabas viram as duas principais lideranças políticas da Serra fazerem robusto movimento político de olho em 2018. Trata-se do prefeito Audifax Barcelos (Rede) e do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT). Ambos foram lançados pré-candidatos a governador pelos seus respectivos partidos. Apesar de rivais, a movimentação dos dois é similar.

A intenção de ambos não é ser candidato efetivamente. O que lançaram são balões de ensaio para se valorizar, demarcar território e parecer maior do que são. Ainda assim é uma promissora novidade para a Serra, cidade que nos últimos anos liderou o avanço econômico entre os municípios, mas que ainda não conseguiu capitanear o quadro político capixaba.

A Serra só tem a ganhar com a essa movimentação de Audifax e Vidigal, que lamentavelmente devem novamente estar em campos opostos na eleição de 2018.

Para o cidadão serrano com um mínimo de interesse político, surge a pergunta frustrante: se separados, Audifax e Vidigal têm esse tamanho todo, a ponto de serem lançados pré-candidatos a governador, imagine o que essa dupla poderia ter feito junto?

No fundo essa briga foi fruto de um pensamento raso motivado pela ganancia política, e hoje, Audifax e Vidigal pagam esse preço, tendo que romper um “teto” de crescimento quase intransponível, e pior, nos últimos anos, tiveram que ver lideranças políticas bem menos expressivas no passado, ultrapassarem a dianteira, como por exemplo, o vice-governador César Colnago (PSDB) ou mesmo o ex-governador Renato Casagrande (PSB).

De volta à realidade, o grande regente de 2018 chama-se Paulo Hartung (PMDB). Ele é o ponto zero para todos os cenários eleitorais possíveis. Se o governador seguir a tendência e optar por disputar a reeleição, não sobra muito o que fazer para os serranos, a não ser ficar onde estão. Se o governador optar por outro caminho que não seja a reeleição, Audifax e Vidigal podem ter uma bela oportunidade a frente, mas mesmo assim, sob alto risco e absolutamente dependentes do rumo que a Nacional de seus partidos tomarem.

 

Samarco entre risos e choros

Bruno Lyra 

A Samarco (Vale + BHP Billiton) recebeu na última segunda-feira (11) duas licenças da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad). A obtenção dos documentos é o primeiro passo para que a mineradora volte a operar, já que ainda depende de mais autorizações. A empresa prevê retorno gradual das operações no 2º semestre de 2018.

É uma boa notícia para a economia capixaba, que viu o PIB despencar em mais de 10% após a paralisação da empresa, que faz pelotas de minério na usina de Anchieta e exporta pelo porto de Ubu, ambos no sul do estado. Para a economia da Serra também, uma vez que na cidade estão prestadoras de serviço e fornecedoras das atividades da Samarco em Anchieta.

Na outra ponta, o desastre/crime ambiental de Mariana foi devastador para o meio ambiente e para a sociedade mineira e capixaba. Os rejeitos permanecem no vale do rio Doce, descendo aos poucos para o mar capixaba, onde já atingiu uma área do sul da Bahia até o norte do Rio de Janeiro. 

As ações de mitigação e reparação aos atingidos tocados pela fundação criada pela Samarco, a Renova, são alvo de duras críticas pela lentidão e baixa eficiência em Minas. Críticas que são ainda mais severas quanto à reparação dos capixabas diretamente prejudicados. 

Isso sem contar os atingidos indiretamente, caso dos que perderam emprego na Serra, Anchieta ou Guarapari, por exemplo. O argumento de que a empresa precisa voltar a operar para pagar isso tudo é frágil, uma vez que as gigantes multinacionais Vale e BHP deveriam assumir, desde o 1º minuto do desastre, o ônus pela barbeiragem da joint venture que criaram.

Soa absurdo a Samarco obter licenças sem pagar as multas ambientais nem indenizar adequadamente a vida de quem ela arruinou. O mesmo vale para a falta de restauração ambiental. É uma tragédia crônica de prazo indeterminando. Basta ver a cor grená-alaranjada das águas do rio Doce e do mar de Regência nesses tempos de chuva.  

 

Malabarismos (im) populares de Audifax

Por Yuri Scardini

Medidas absolutamente impopulares ao funcionalismo público, mas que atende aos anseios de parte da população que defende o enxugamento da máquina administrativa e a diminuição das desproporcionalidades nas condições de trabalho entre o meio público e o privado.

Surfando nessa dicotomia de medidas impopulares para “dentro” e populares para “fora”, o prefeito Audifax Barcelos (Rede) nesta semana mandou para Câmara um projeto de lei que mais parece uma banana de dinamite.

É o PL 292/2017 que pretende mudar uma penca de coisas diferentes ao mesmo tempo. As questões que envolvem as mudanças nas relações de trabalhado de parte dos servidores, foi o que mais causou reações, natural, por trás dessa turma, existe a atuação de sindicatos vigilantes e barulhentos. Mas nem de longe, o PL se resume a isso. Audifax está se adaptando a Reforma Trabalhista, e tentando fazer fluir uma máquina engessada.

Para se ter ideia, segundo dados do Tribunal de Contas – ES, o gasto com pessoal só fez crescer nos últimos anos. Desde quando o prefeito assumiu o município pela segunda vez, o gasto com pessoal cresceu cerca de 43%, pulando de R$ 363.7 milhões em 2012, para R$ 521.4 milhão em 2016. A prefeitura está no limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), mas se vê com necessidade de nomear novos servidores, como professores, médicos e guardas municipais. Sobrou para o prefeito se adequar a lei trabalhista de Temer, flexibilizando jornadas de trabalho e alterando a relação da prefeitura com algumas categorias de servidores.

O prefeito também quer encarecer taxas, licenças e documentos emitidos pelo município. Não há aumentos desproporcionais, Audifax quer ganhar no atacado e não no varejo. É um pacotão de “inúmeros pequenos aumentos” no valor dos impostos. Com isso, o prefeito dilui esse acréscimo e diminui a percepção da população, já que aumento de imposto é quase uma punhalada na opinião pública.

Preocupante é o que tange o uso dos fundos municipais para custeio de máquina, também previsto no projeto. Enquanto o prefeito usa esse recurso para pagar pessoal, ele quer contrair empréstimos na ordem de R$ 250 milhões para fazer obra. É um malabarismo fiscal para driblar a crise no curto prazo, mas no médio e longo prazo, é no mínimo perigoso.

Agora, duas coisas chamam a atenção: a coragem de Audifax em tratar de assuntos tão espinhosos. E segundo são os motivos que o levaram a colocar esse calhamaço numa lei só. Será que o prefeito está se precavendo contra futuras instabilidades políticas, e está querendo liquidar a agenda administrativa?

 

 

Vale é melhor do que nós

Por Bruno Lyra

‘Não lugar’ é um conceito do antropólogo francês Marc Augé, para designar um espaço de passagem incapaz de dar forma a qualquer tipo de identidade.

Pois o que a Vale fez ao lançar rejeitos do beneficiamento de minério de ferro na Praia Mole no último final de semana faz pensar que o arranjo minero-siderúrgico, capitaneado pela própria mineradora, considera essa região do planeta Terra como um não lugar. Trata-se do moribundo vale do Rio Doce em Minas, por conseguinte, o escondido e inexpressivo Espírito Santo.

É uma região condenada a produzir um dos pilares da civilização contemporânea: o ferro e o aço. Caminho que não foi escolhido pela população capixaba ou mineira, mas decidido nos escritórios de grandes corporações e gabinetes de governos. Era – e ainda é – preciso suprir a demanda global por metais.  

No rio Doce, com a Samarco (Vale + BHP), o lançamento de rejeitos foi há dois anos. É um desastre/crime ambiental continuado e, com as chuvas de agora, o rio voltou a ficar grená-alaranjado e sujar com força o Atlântico sul. O caso foi considerado acidente pelas empresas.

Já no episódio de Praia Mole, a Vale afirma que foi algo controlado, autorizado e previsto como procedimento de segurança. O Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) negou. Olha que o Estado (e também os municípios e a União) tem o histórico de ser bem generoso com a mineradora.  

Se foi um procedimento de segurança, então havia risco de um rompimento de barragem/tanque de resíduos em Tubarão? Isto pode afetar moradores de Serra e Vitória nos bairros vizinhos?  Quais substâncias químicas estão presentes na enorme descarga do último final de semana? Quantos litros foram lançados no mar? Isso acontece em toda chuva forte? Que risco isso traz a quem consome peixes e mariscos em contato com esses resíduos? A quem se banha nas praias? São perguntas ainda não respondidas.

Em 30 de outubro 2014, durante a superchuva que atingiu a Serra, um tanque de tratamento de resíduos oleosos da Vale extravasou, atingiu a lagoa Pau Brasil e inundou casas em Hélio Ferraz. Pelo crime ambiental, a Vale foi multada em R$ 4 milhões. Não pagou até hoje. Aliás, desde 2000 há pelo menos 19 multas não pagas pela Vale somente nas operações de Tubarão.   

Mas ela segue tendo licenças ambientais renovadas e sendo chamada para acordos com o Governo, os chamados Termos de Compromisso Ambiental (TCA).  Diferente de um cidadão comum que, se não pagar uma reles multa de trânsito, não consegue renovar seu licenciamento. E se rodar com o documento vencido, terá seu veículo confiscado pelo Estado  sumariamente na primeira blitz.

Entre a Rede e o arreio

Por Eci Scardini

O mercado político capixaba se agitou no final da semana passada com o lançamento da pré-candidatura do prefeito Audifax Barcelos por parte da Rede ao governo do ES, na eleição de 2018. Nessa época do ano, normalmente marcado pela apatia política, qualquer movimento ganha repercussão. E foi o que aconteceu.

Mas, efetivamente o que está por trás disso? Há uma necessidade extrema da Rede, a nível nacional, de ter um bom rendimento nas urnas, principalmente para deputado federal, e com isso obter o número mínimo de votos que a legislação exige para continuar a existir como um partido de respeito e não ficar embolado na ‘faixa de gaza’, com um monte de partidos nanicos, sem direito a fundo partidário e a tempo de televisão.

Esse é o temor de Marina Silva e sua turma. Como a Rede não vem atraindo nomes considerados ‘bons de voto’, a ordem é fazer barulho, e ‘lançar’ os principais cabeças do partido em cada estado a condição de candidatos a governadores, mesmo que não venha a ser. E assim está sendo feito no ES, com o prefeito Audifax.

No íntimo o prefeito sabe que ele não será candidato, a menos que o ‘cavalo passe arreado’, algo muito difícil para uma disputa de governador e Audifax não vai deixar para trás dois anos e nove meses de prefeito apenas para o partido fazer bonito nas urnas em 2018.

O que a Rede quer é emplacar a vice numa chapa provavelmente encabeçada por Renato Casagrande, que hoje, está mais próximo do PPS do prefeito de Vitória Luciano Rezende. Por isso houve essa alinhamento de Audifax com a senadora Rose de Freitas, é para valorizar o passe. É o jogo de forças do grupo “não-Hartung” se desenhando.

Já o governador Paulo Hartung (PMDB) fica lá no alto de sua majestade, com toda a sua habilidade, com um turbilhão de informações e com um saco de ‘bondades’ para ser lançado no ar a qualquer momento, mas que por enquanto a boca está amarrada. E o PSB de Renato Casagrande está lá, pronto para ser a tábua de salvação da Rede, assim como a nível nacional, mas deixando-os fazerem seus movimentos, que são legítimos.

Para tudo virar lixo no final

Por Bruno Lyra

É lamentável que a Serra não tenha conseguido consolidar a coleta seletiva e a reciclagem do lixo doméstico e outros resíduos gerados, como entulho, eletrodomésticos e eletroeletrônicos descartados, restos de madeira, poda de árvores, móveis e outros. 

Até há coleta seletiva, mas de parcos 0,1% do total do lixo doméstico recolhido. Um número irrisório, considerando que já estamos beirando a terceira década do século XXI. Tanto que as associações de catadores de material reciclável da cidade estão com dificuldade por conta da baixa quantidade de produtos que tem chegado para eles. Há ainda o problema da mistura com resíduos úmidos, o que não deveria ocorrer, pois se trata de coleta seletiva.

Já os pontos viciados de lixo e entulho continuam a prosperar em terrenos baldios e áreas verdes da cidade, apesar dos esforços da prefeitura e das comunidades em combatê-los. E perde-se muito dinheiro. Tanto nos gastos com limpeza desses terrenos quando no que se deixa de injetar na economia com a reciclagem. Conta mais salgada se contabilizar os gastos com saúde decorrente de doenças cujos vetores proliferam nesses pontos viciados.

Já o que se consegue coletar no método convencional, ou seja, o lixo todo junto e misturado, vai parar no aterro da Marca Ambiental, localizado em Cariacica perto da divisa com a Serra e com o rio Santa Maria. Há cada vez menos espaço para enterrar lixo lá, e quanto mais se enterra, mais caro fica para a Serra. 

O insucesso na coleta seletiva não é exclusividade da Serra, basta olhar as cidades vizinhas. Nem Vitória com todos os seus recursos financeiros conseguiu avanço relevante, cenário que se repete em praticamente todo o país.

Uma pena. A coleta seletiva e a reciclagem podem gerar muitos empregos e melhorar o muito a qualidade ambiental e a saúde pública. Na Serra, onde pelo menos 1/5 da população está na linha da pobreza ou abaixo dela, isso é ouro.

Fica a dúvida: a falta de investimento público na reciclagem é fruto da miopia política ou do lobby a favor do atual modelo de gestão do lixo? 

 

Quem é grande pode encolher

Por Yuri Scardini

Enquanto lideranças políticas já concentram suas agendas para eleições de 2018, a Serra, há pouco proclamada como locomotiva econômica capixaba, se vê em meio a grandes desafios para o desenvolvimento. Entre tantos, há de se destacar ao menos quatro:

 A insegurança hídrica, que pode por em risco a produtividade e atração de novos investimentos;

O futuro Porto Central em Presidente Kennedy, com conceito de porto indústria, pode atrair grandes plantas industriais e ameaçando polos da Serra, como o de mármore.

Aracruz na Sudene – que se passar no Senado federal – ficará ainda mais atraente para investimentos, com seu complexo portuário, a construção do Terminal de Uso Privado (TUP) da Imetame e a expansão e dinamização de PortoCel de responsabilidade da Fíbria, criando um grande entreposto, principalmente de Linhares à Serra.

Cariacica e Viana, despontando como fortes concorrentes, principalmente na área de logística. Com a construção da Leste Oeste ligando o arranjo produtivo de Cariacica e Viana ao porto de Vila Velha, diminuindo os gargalos nas BR’s 262 e 101 e dando fluidez ao escoamento de mercadorias.

A Serra passou por dois grandes ciclos de desenvolvimento, entre os anos 70 e 80 com a economia do abacaxi, e o segundo após  os anos 80, com a vinda da antiga CST, atual ArcelorMittal, que trouxe a era da industrialização à cidade.

Agora, precisa preparar sua economia para um terceiro ciclo de desenvolvimento. É necessário segurar as empresas que aqui estão, gerando impostos, atrair novos empreendimentos com tendências de sustentabilidade, tecnologia e inovação. A Serra não sustenta mais os modelos econômicos poluidores e impactantes.

Investir no setor de serviços, grande gerador de emprego e renda, com polos gastronômicos, por exemplo, e criar uma nova grande âncora da economia. Como um aeroporto Internacional de Cargas com potencial de escoar a produção do agronegócio do centro oeste brasileiro.

Dois anos sem solução

Por Bruno Lyra

Há pelo menos dois anos a prefeitura da Serra diz estar estudando uma solução para impedir que carretas que transportam rochas ornamentais acima do peso passem pela estrada rural de Muribeca.

Tempo Novo voltou a mostrar o problema na semana passada. Em 2015 o jornal já havia feito matéria denunciando o uso da estrada pelo setor de mármore e granito, onde os veículos com excesso de peso usam a rota para fugir da balança na BR 101 que fica em frente ao posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no bairro Belvedere.

Soa estranho a prefeitura demorar tanto tempo para agir, haja vista que a colocação de barreiras físicas (gelo baiano) seria suficiente para impedir o tráfego de carretas. A implantação dessas barreiras foi a solução encontrada na região de Formate, entre Viana e Cariacica. O setor de rochas usava a estrada vicinal da região para driblar a balança da BR 101 que fica na altura do bairro Ribeira, em Viana, onde também há posto da PRF.

Hoje nenhuma carreta com rochas consegue passar lá, apenas veículos menores. Outras ações como videomonitoramento e até parceria com moradores para fotografar as placas e enviar as autoridades poderiam ser feitas, são soluções simples. Enquanto a prefeitura da Serra não age, resta a comunidade de Muribeca e entorno conviver com estradas esburacadas, poeira, pontes danificadas e o risco permanente que esse tipo de transporte gera.

Basta lembrar os dois gravíssimos acidentes que ocorreram no estado este ano. O de Guarapari em junho, que matou 23 pessoas, e o de Mimoso do Sul em Setembro, que ceifou 11 vidas. Em comum o fato de rochas estarem sendo transportadas em desacordo com as regras de trânsito.

É ensurdecedor o silêncio do Sindicato das Indústrias de Rochas (Sindirochas) no caso de Muribeca. A Serra é o principal polo beneficiador e exportador do estado. Como o município não tem extração, as pedras vêm do interior capixaba e até de fora do ES para cá.

É preciso mais responsabilidade do setor, que já acumula passivos ambientais, de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais nada desprezíveis. E com um retorno fiscal duvidoso ante os custos que os efeitos colaterais de suas atividades geram.   

Vaga aberta para gerir R$ 6 bilhões

por Yuri Scardini

A campanha eleitoral de 2018, por si só já é bastante imprevisível. Imagine então a eleição de 2020? Mas movimentos já são desenhados. Uma das cadeiras que estará em jogo no ES, é a de prefeito da Serra, hoje ocupada por Audifax Barcelos (Rede), responsável por gerir R$ 6 bilhões em 4 anos.

Sem a opção de reeleição, já que irá concluir os 8 anos de mandato, Audifax é absolutamente relevante. Para criar condições e manutenção do poder tem que construir uma linha de sucessão. Até porque, seu grande inimigo político, o atual deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) nutre o desejo de ser prefeito novamente.

O deputado estadual Bruno Lamas (PSB) seria o candidato natural à sucessão de Audifax. Mas dentro da Rede e na turma da cozinha do prefeito não é esse o desejo. Além de haver o entreposto de 2018, quando a condição de Bruno como deputado vai estar em jogo, a família Lamas tem vida, força e pernas próprias. Na Serra desde os anos 70, os Lamas já estiveram com os ex-prefeitos Motta e Vidigal, e agora aliados à Audifax.

Por isso, a saída seria um nome “de fora da política”. E um que vem aparecendo é o médico Remegildo Gava. De confiança do prefeito, Remegildo e Audifax estreitaram seus laços após a internação do prefeito ano passado.

Remegildo não é uma figura da massa, mas não é nenhum desconhecido aventureiro. Já presidiu o Serra Futebol Clube, Associação dos Empresários da Serra (ASES) e dirige um dos hospitais mais importantes do ES, o Metropolitano. Dentro do grupo do prefeito, essa vontade de apadrinhar Remegildo já é perceptível.

Alem de sinais aqui e ali, teve a indicação do secretário de Saúde, Benicio Santos, pessoa com ligações intensas com Remegildo. Em condições mais adversas, com a cidade macro dividida em dois grupos, Audifax se vê na mesma berlinda que Vidigal nos idos de 2003-2004, tentar formar uma sucessão sustentável, coisa que o pedetista fracassou.

Se isso fluir, Remegildo vai ter que tomar um banho de povo, até porque aqui é a Serra, cidade de 100 mil pessoas na linha da pobreza, e começar pelo óbvio, se mudar para a Serra o mais rápido possível.  Apesar de parecer distante, 2020 já bate a porta.

 

 

O enigma da educação

por Bruno Lyra

É quase um consenso de que a educação é uma panaceia. E se até meados do século passado poucos podiam ir à escola, com a urbanização e as políticas de universalização do ensino esse acesso aumentou nas décadas seguintes.

Nos últimos 20 anos isso se aprofundou. Com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), recursos para livros didáticos, merenda, transporte escolar, ainda na era do governo do PSDB. Cotas, políticas de financiamento na era PT. O orçamento da educação nos níveis federal, estadual e municipal é o maior, seguido pela saúde.

Na Serra, por exemplo, para este ano o custo estimado é de R$ 380 milhões, quase 40% do orçamento total da cidade. Sendo que 2/3 desse custo é para pagar os quase 7 mil servidores da pasta, do total de 11 mil servidores municipais. Cada um dos 65 mil alunos têm custo anual de R$ 5,1 mil. Proporção de custo que se repete em outros municípios.

Nunca o Brasil foi tão educado quanto agora. Paradoxalmente, cai o apreço pelas minorias, vemos um claro desmonte da rede de proteção social. O nível de intolerância aumenta. O cuidado com o meio ambiente cai. Empresários vêm a público, em todos os cantos do país, reclamar da falta de mão de obra qualificada. A violência e corrupção se espalham.

É também nesses últimos 20 anos que a internet chega pra valer e paulatinamente se populariza. Assim como em quase todos (senão todos) aspectos da vida moderna, a educação sofre o impacto.

Se antes a escola e o professor monopolizavam o saber, agora há ainda o agregado do turbilhão de informações acessíveis na tela de um computador e agora na palma da mão.

No entanto, o velho modelo ocidental permanece. Salas de aulas, alunos confinados nelas sentados, ouvindo e reproduzindo o conteúdo ditado pelo mestre ainda são a regra. E pouco há distinção nesse aspecto entre escolas públicas e privadas. As últimas, dos filhos das famílias mais abastadas, se resumem a treinar para vestibulares/Enem, salvo exceções.

O caminho para requalificar a educação no Brasil terá que ser inventado. E certamente não passará por escolas com ultra disciplina que copiam modelos bélicos cujo o foco é a guerra, caminho que certamente não sustenta o avanço da civilização e da permanente construção da paz.      

Também quero ingresso grátis

Por Yuri Scardini

Esta causando polêmica na Serra, a lei 4.691 que dá aos profissionais da segurança gratuidade em eventos, shows e cinemas na Serra. O projeto de lei, de autoria do vereador Cabo Porto (PSB) foi aprovado por unanimidade pela Câmara em agosto, e virou lei após o prefeito Audifax Barcelos (Rede) perder o prazo para sancionar ou vetar o projeto. Com isso, a lei que foi promulgada já está valendo, e está causando preocupação entre os produtores de eventos na cidade.

Na prática eles se perguntam, afinal, quem vai pagar a conta? Este tipo de medida é controversa, e pode abrir precedente. Porto diz que a medida é para valorizar a categoria. É verdade que as policias precisam de valorização e são parte substancialmente importante da sociedade, carecem de atenção e respeito. Porém, há outras formas mais apropriadas e justas de promover valorização. Além disso, há de se relativizar que professores, médicos, empresários, e uma outra penca de categorias também precisam ser valorizadas.

A intenção do vereador é absolutamente louvável, só o formato escolhido que deixou a desejar. Se a moda pega, o que dizer para o médico e vereador Luiz Carlos Moreira (PMDB) que os médicos não podem entrar de graça, ou o gari e vereador Robson Miranda (PV) que os garis não podem entrar de graça. Ou até mesmo o enfermeiro e também vereador Basílio da Saúde (Pros), que enfermeiros não têm o direito de entrar nos eventos de graça.

Além disso, tem que considerar o caráter privado dos eventos. Qual a diferença para outros serviços ou mesmo produtos? Comprar um pão, fazer supermercado, colocar gasolina. Todos pagam impostos, empregam pessoas, produzem riquezas. Tem que se respeitar o princípio de isonomia.

Para onde vão as meninas moças?

Por Bruno Lyra

O caso da menina Thayná e o sofrimento público de sua mãe escancara um drama que vem atingindo muitas famílias na Grande Vitória: o desaparecimento de adolescentes, principalmente de meninas.

Dados da secretaria de Segurança do Estado apontam que, até o final de agosto, 128 dos 442 desaparecimentos de pessoas na região metropolitana eram de meninas de 12 a 17 anos. Isso representa 29% do montante. Um número alarmante.

Embora a maioria das meninas acabe aparecendo, há aquelas que nunca são vistas. E assim como nas demais situações de violência, a resposta do poder público é pífia. Óbvio que em alguns casos a família tem boa dose de responsabilidade e também as próprias jovens.

Mas quando são vítimas de criminosos, fica evidente a falha do estado. Seja pela incapacidade das polícias em investigar e reprimir, seja pela demora da Justiça em condenar ou mesmo relaxar a prisão de criminosos que atacam meninas.

Para além da atuação de criminosos com o perfil do suspeito de raptar Thayná, há também à hipótese de que parte desses desaparecimentos possam estar ligados ao tráfico de mulheres. Há fortes indicadores de que o Espírito Santo é rota do tráfico internacional de drogas, seus portos se conectam com muitos lugares do planeta, por aqui flui parte das comodities que o Brasil oferece ao mundo.

Não é absurdo pensar que tal logística também facilite a circulação de malfeitores que levam meninas capixabas para serem escravas sexuais em outros lugares. Os órgãos de segurança e justiça também têm de abrir os olhos para casos de feminicídio e ocultação de corpos de adolescentes.

Mais do que nunca, cabe às famílias e amigos orientar as meninas para que não caiam em ciladas. O tema precisar ser trabalhado nas escolas, igrejas e outras instituições onde adolescentes convivem. E aos órgãos de justiça e segurança, redobrar a atenção e ação para proteger as adolescentes capixabas, fazendo jus a tanto dinheiro que a sociedade gasta para manter policiais, promotores, agentes penitenciários, juízes e mandatários.       

Receita para isolar Casagrande

Por Yuri Scardini

Em 11 de novembro devem acontecer as eleições internas do PSDB capixaba, que caminham para uma conflagração cada vez mais rivalizada. De um lado um grupo encabeçado pelo vice-governador César Colnago, que defende manter o partido na base do governador Paulo Hartung (PMDB). Do outro lado, o grupo do prefeito de Vila Velha, Max Filho, que segue por um rumo menos umbilical com Hartung.

As eleições tucanas expõe o racha interno do PSDB. Certamente o governador não vai deixar um partido de tal envergadura correr solto. Até porque, esta é a estratégia do governador: dominar os diretórios estaduais e encurralar seus adversários, em especial o ex-governador Renato Casagrande (PSB).

Hartung enraizou sua influência principalmente no PDT, no PT, no DEM e por fim, no PSDB de Colnago. Dessa forma, Hartung aperta Casagrande que, como primeiro secretário da nacional do PSB, tenta fechar alianças de cima para baixo.

O PSDB tem chances de caminhar com o PSB a nível nacional, isso porque, caso o governador paulista Geraldo Alckmin venha como candidato a presidente, o Governo de São Paulo, ficará nas mãos do PSB, com o vice Márcio França, por pelo menos 8 meses. E esta moeda de troca vem aproximando os partidos. Essa possibilidade assombra Hartung, já que se o PSDB entrar no palanque de Casagrande abre caminho para uma possível debandada, incluindo o PDT numa aglutinação de centro esquerda.

Dominar os diretórios locais é fundamental para o controle partidário, mas mesmo isso, nos tempos de hoje, não é mais garantia. A política nacional está radicalizada, e muitas alianças locais na contramão da nacional que aconteceram no passado não vão se reproduzir, o clima é de guerra em Brasília. Mas tratando de Hartung, sempre espera-se uma coelho saindo da cartola.

Maior que o Estado Brasileiro

Por Bruno Lyra

Domingo (05) completam dois anos do rompimento de rejeitos da extração de minério da Samarco (Vale + BHP Billiton) em Mariana. O maior desastre/crime ambiental do Brasil é também o maior da história da mineração no planeta.

Nos últimos dias, a Fundação Renova, criada pela Samarco para gerir as indenizações aos atingidos e fazer recuperação ambiental, tem reforçado a publicidade sobre suas ações. Fala que há 47 mil hectares em restauração florestal, já pagou R$ 500 milhões em indenizações e auxílios e que aplicou R$ 2,5 bilhões em recuperações e compensações.

Se for verdade, ainda assim soa como quase nada diante do caos ambiental, social e econômico gerado aos mineiros e capixabas. Em Mariana, os refugiados de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo – após perderem seus bens, a identidade e alguns até parentes – sofrem preconceito. São acusados de serem “come e dorme”, aproveitadores. É aculpabilização da vítima. É como dizer que uma moça foi estuprada porque usava roupa curta.

A lama depositada ao longo de 600 km do rio Doce, castigado pela pior seca já vista, agora é pó a intoxicar olhos, pele e respiração dos que vivem no vale. Os rejeitos no leito do rio e a contaminação com metais pesados na água afetam agricultura, criação de animais e expõe ao risco populações das cidades que não têm outra fonte de abastecimento.

No mar, a lama grossa inviabilizou a pesca na foz do rio Doce, até então a mais piscosa do litoral capixaba. A lama fina, já se estende de Abrolhos no Bahia, a Cabo Frio no Rio de Janeiro, incluindo toda a faixa de mar do ES. Essa lama seguirá descendo pelo rio Doce por não se sabe quantos anos.

Regência, vila histórica e turística, ficou moribunda. Pescadores agora criam galinha. Donos de pousadas, restaurantes, dançaram. O surf perdeu um de seus picos no país. O baque na economia capixaba é monumental com a paralisação da Samarco e isso chegou forte a Serra, cidade onde estão prestadoras de serviços e fornecedoras à siderurgia em Anchieta.

O não pagamento de multas por parte da Samarco e suas controladoras, Vale e BHP, junto com a suspensão do processo criminal, encerram o sentimento de injustiça. Background do consumo e consumismo planetário, o arranjo minero – siderúrgico dá mostras de ser mais forte que o próprio Estado brasileiro.   

Sonho de capixaba virou poeira

Por Bruno Lyra

Para gerações de capixabas da metade do século passado até a década de 1990, trabalhar na Vale (Antiga Companhia Vale do Rio Doce – CVDR) era sinônimo de status e segurança financeira. Estatal criada por Getúlio Vargas em 1942 e privatizada em 1997 na gestão de Fernando Henrique Cardoso, a mineradora, siderúrgica e operadora de logística gozou de imenso prestígio junto à comunidade do Espírito Santo, notadamente na novíssima sociedade urbana da Grande Vitória, formada pelas imensas levas de migrantes que deixavam o interior do ES e de estados vizinhos.

Famílias se esforçavam para que seus filhos entrassem na escola técnica e daí, saíssem empregados da CVRD. Orgulhosas ficavam ao verem seus ‘meninos de ouro’ trajando uniforme cáqui, capacete branco e coturno com bico de aço. Chegar em casa com a pele brilhando de minério de ferro era ideal de vida.

Mas o mundo mudou. Cresceu a consciência de que o modelo de crescimento urbano acelerado e puxado por indústrias de base rejeitadas em países desenvolvidos após a 2ª Guerra traz pesados custos sociais, como a violência e a favelização.

Para ajudar a reduzir o prestígio da Vale, vieram as transformações estruturais da indústria, onde a mecanização e a terceirização reduziram, pelo menos proporcionalmente, o número de empregados da empresa.

A mudança para a ponta de Tubarão, o surgimento da CST lá (hoje ArcelorMittal Tubarão) e as expansões ininterruptas, agravaram a poluição do ar. Décadas de exposição ao pó preto, outras poeiras finas e mais nocivas, além dos gases siderúrgicos, repercutiram na saúde da população. Esta, mais informada, passou a compreender a origem da epidemia de problemas respiratórios que assola a região metropolitana.

E agora, o desastre/crime ambiental de Mariana. A inviabilização do rio Doce num estado em processo de desertificação e a contaminação contínua do mar rebaixaram ainda mais a reputação da Vale. O sonho de outrora das famílias capixabas, para um número crescente de pessoas, se transformou num pesadelo.    

Nós, o Tubarão e a água

Por Yuri Scardini

Nesta semana o Governo do Estado inaugurou o sistema de abastecimento de água Reis Magos, que vai captar cerca de 500 litros de água por segundo, e tem a intenção de abastecer 150 mil pessoas entre as regiões de Serra-Sede e Civit. É um passo importante rumo à superação do fantasma da insegurança hídrica, mas ainda há um grande caminho a ser percorrido. 

 O volume de água que se pretende captar é um quinto da quantidade captada no Rio Santa Maria, que além de abastecer a Serra, vai para a parte continental de Vitória, trecho de Cariacica no Contorno e o Complexo de Tubarão. E está ai um dos grandes desafios. Abastecer as empresas Vale e ArcelorMittal, que são estratégicas na economia capixaba,  num contexto de quebra no ciclo hidrológico de chuva, aumento populacional e baixa vazão e retenção de água nos rios.

Especialmente a ArcelorMittal, que está fisicamente na Serra, é a maior consumidora individual de água no município. Segundo dados passados, a empresa consumia 1.000 litros por segundo de água. Mas em 2015, diante do cenário de seca, informação era que a empresa estava captando 600 litros por segundo.

Para se ter uma ideia, mesmo se a Arcelor manter este nível de captação no Santa Maria, esta quantidade de água é mais do que a totalidade que o Estado pretende com o sistema de Reis Magos. Água doce está virando bem de luxo. Ainda mais num estado que vive desertificação.  Grandes consumidoras como Vale, Arcelor e Fibria terão que investir em novas tecnologias e apresentar soluções para a sociedade, e cada vez mais o uso de água doce em atividades industriais deverá ficar restrito e vigiado.

As empresas do Complexo de Tubarão vêm falando sobre a utilização em escala de água de reuso, mas até agora nada de concreto, enquanto isso, o Estado investe R$ 70 milhões de dinheiro público para captar 500 litros por segundo, num manancial pequeno e de eficiência questionável, e indiretamente exime as empresas de parte da responsabilidade sobre a insegurança hídrica no município. E esse problema todo de falta de água, fica mais perigoso ainda, quando observado sob a macro perspectiva, aí a conversa fica bem mais graúda.

É preciso gerar emprego

BRUNO LYRA

O desemprego é um problema grave no país. Mas ganha contornos especialmente dramáticos numa cidade como a Serra, que mesmo nos tempos de bonança econômica, não conseguiu se livrar das mazelas típicas de um lugar cheio de abismos sociais. A violência é a mais gritante dessas mazelas.

Se a taxa de desemprego local seguir a tendência nacional de 13% da população economicamente ativa, significa que mais de 30 mil moradores da cidade estão sem trabalho formal.    

Em 2016 mais pessoas foram demitidas que contratadas na Serra. Em 2017, pelo menos até o final de agosto, também. A cidade é uma das principais vítimas da lama da Samarco (Vale + BHP Billiton), já que mantinha rede de fornecedores e prestadores de serviços à planta da mineradora em Anchieta.

Ato contínuo, sofreu com o desmonte do centro de distribuição para extração de petróleo da Petrobrás, transferido do TIMS para Macaé no norte fluminense. Isso num contexto de fim de Fundap. Soma-se ainda a paralisia da construção civil.

Todos esses fatos são conjunturais. Porém há fatores estruturais que extinguem empregos. Mais do que isto, extinguem funções.Indústrias, por exemplo, já não geram tantos empregos. A anunciada planta química da italiana Geofin tem previsão de investir R$ 50 milhões e gerar 60 postos de trabalho. Já o atacarejo ‘Oba’ deve empregar 200 pessoas, mas com investimento bem menor, R$ 10 milhões. Os dois exemplos podem servir de pista para os rumos que a cidade deve adotar se quiser empregar tanta mão de obra ociosa.

E justamente no momento em que a massa de desempregados e suas famílias mais precisam da rede de proteção social operada pelo município, os recursos para essa área estão sofrendo cortes radicais pelo Governo Federal. É cruel. Pode restar para a Serra parar todas as obras e investimentos para manter a enorme rede de proteção social cuja demanda só faz crescer. 

Magias eleitorais à vista

YURI

Esta semana os brasileiros voltaram a se abespinhar com a política brasileira. O pivô da controversa estória é novamente o senador Aécio Neves (PSDB), que mesmo diante das contundentes provas que atestam seus atos desonestos, foi mantido no cargo de senador pelos colegas senadores. Nada fora do normal para um país que vive sequencialmente acompanhado de escândalos de corrupção e bandalheira política. Mas de qualquer forma é um capítulo a mais que faz crescer este abismo que separa os políticos e a agenda política brasileira dos anseios populares e da demanda por soluções econômicas, sociais e ambientais.

Na prática, a manutenção de Aécio no cargo só faz crescer a desesperança com a política entre os eleitores brasileiros e intensifica a já graúda crise de representatividade. Neste contexto, o marketing eleitoral vai desenhando seus novos contornos para 2018, pois mais fácil que reconstruir as bases políticas, é dar outra roupagem aos velhos candidatos e as velhas práticas. O político João Dória (PSDB), prefeito de São Paulo é um bom exemplo. Que construiu sua imagem na demagogia da negação da política, e vem caindo nas pesquisas exatamente porque está desnudando sua natureza política.

O marketing político deve seguir por dois eixos: Imagem despolitizada e humanizada do candidato, na tentativa de legitimar-se na função, como se tudo que é político fosse ilegítimo, dada a crise de representatividade e a conotação de criminalização que as palavras “deputado” e “senador” tomaram no imaginário do “eleitor comum”.

Já a humanização é para reduzir a distância entre o eleitor e o político, que virou figura caricata como um vilão da sociedade. Algo como o bem e o mal. Humanizar é necessário para aproximar. O político que é humano, que sofre, que adoece, que vive, que é pai/mãe de família, que pratica esporte. Qualquer forma que transforme a política, que é algo degenerado para o “eleitor comum”, em algo secundário na vida do candidato. A final, política não é profissão no Brasil de hoje?   

 

 

Renato mexe e Sérgio cresce

Por Yuri Scardini

Diante da dificuldade em construir alianças de peso no ES, o ex-governador e secretário geral da nacional do PSB, Renato Casagrande, vem fazendo um movimento de fora para dentro, utilizando-se da sua estratégica posição no PSB para desenhar apoios partidários, da qual, obviamente favorece o partido e ao mesmo tempo, a sí mesmo.

A bola da vez é o PDT. Casagrande vem articulando junto à cúpula dos pedetistas, de forma que o PSB apoie Ciro Gomes para a presidência, e o PDT se alia aos socialistas nas disputas regionais, incluindo ai o ES. Se esse cenário ganhar força, e os dois partidos chegarem a um acordo, na prática Casagrande pode levar um dos maiores partidos capixabas. Em 2016 o PDT elegeu o maior número de vereadores (74 parlamentares), detém ainda controle sobre prefeituras como de Fundão e Guaçuí, além de uma bancada de três deputados estaduais e o deputado federal, mais votado em 2014, Sérgio Vidigal.

Com esse eventual embarque do PDT no grupo de Casagrande, o socialista ganha musculatura, ficaria com um caminho livre para ser candidato ao Palácio Anchieta, e obrigaria nomes como a senadora Rose de Freitas (PMDB) a pular em seu palanque. Além disso, dá para supor, que Vidigal numa chapa com Casagrande, teria tamanho para pleitear uma vice-governadoria. Resta saber se Vidigal, atualmente aliadíssimo do governado Paulo Hartung (PMDB) toparia pular de lado.

Pessoas próximas a Vidigal relatam que a movimentação de Casagrande incomodou Hartung, e o governador já teria se antecipado e feito uma proposta de aliança partidária com Vidigal, para que o deputado segurasse o PDT no grupo de Hartung em 2018, essa proposta passaria exatamente pela função de vice na chapa do governador.

Outro fator que pode consolidar o apoio do PDT à Hartung, é a proximidade do prefeito Audifax Barcelos (Rede) com Casagrande e Rose de Freitas. Mas nem isso é certo, já que o prefeito vem fazendo movimentos em ambos os lados. Verdade é que a gana de Casagrande pelo apoio do PDT, só encareceu ainda mais o passe político de Vidigal, que deve pleitear posições estratégicas na chapa que quiser. Em tempo: Essa conversa de vice de Vidigal agrada a muita gente, pois em tese, tira um competidor de peso para a disputa direta pela prefeitura da Serra em 2020.  

Com rua vazia, Temer não teme

Por Bruno Lyra

Tão emblemática quanto às manifestações que tomaram as ruas do país entre 2013 e 2016 e que culminaram com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) é a ausência de protestos populares contra o governo Michel Temer (PMDB).

Temer é ainda mais rejeitado pela população do que Dilma. O peemedebista é o primeiro presidente da história do país a ter contra si a abertura de processo por crime de corrupção durante o exercício do mandato. Há até uma segunda denúncia em curso contra Temer e seus aliados mais próximos são investigados na Lava Jato, alguns deles já estão presos como Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures e Geddel Vieira Lima.

E mais: o governo vem aumentando impostos, inclusive o da ‘sagrada’ gasolina, cortando radicalmente os programas sociais, mexendo em direitos trabalhistas. Medidas para lá de impopulares. Mas o que explica tamanho silêncio das ruas?

O medo da violência policial é um deles, aponta o cientista social da UFMG, Dawisson Lopes. A crença de que se manifestar muda pouca coisa seria outra razão, apontada pelo cientista social da UFRJ, Paulo Baía. Existe também a tese de que novos protestos podem piorar ainda mais a situação, haja vista que as manifestações anteriores redundaram numa troca de governo que prejudicou a parcela mais pobre da população, como defende o professor da USP, Cícero Romão.

Ele ainda acrescenta que a classe média, motor de várias das manifestações de 2013 para cá, tende a ser muito mais intolerante com o PT. O fato é que uma onda conservadora varre não só o país, mas o mundo neste momento. Da mesma forma, o recrudescimento da polarização ideológica na sociedade dificulta diálogos e agendas comuns.

Nem mesmo temas tão escancarados como o da Eco 101, que se recusa a cumprir contrato para a duplicação da BR mas sem abrir mão do pedágio, foi capaz de produzir manifestações. Por hora, protestos só na internet.

Indústria e ‘chatice’ ambiental

Por Eci Scardini

O prefeito Audifax Barcelos (Rede) veio a público na semana passada dizer que vai acatar as sugestões apresentadas pela Federação das Indústrias do Espírito Santo – Findes, para desburocratização da máquina pública e com isso criar quatro mil novos postos de trabalho na Serra.
As sugestões apresentadas pela Findes são frutos de pesquisas junto à classe empresarial, não só da Serra, mas de vários outros municípios e estão centradas nas questões ambientais e urbanísticas.

Apresentar esses estudos e essas sugestões para as prefeituras fazem parte da plataforma de trabalho do presidente da Findes, o empresário Leonardo de Castro que, entre outros setores, atua na indústria e no imobiliário. Para consolidar esse trabalho, foi contratado o engenheiro ambiental Cláudio Denícoli, com passagens pela Secretaria de Meio Ambiente da Serra e presidência do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema).

Em uma análise superficial das propostas as mesmas parecem fazer sentido, mas há um equívoco nisso: a legislação que se pratica hoje em termos de licenciamento ambiental – que é a grande reclamação do empresariado de qualquer setor da Serra – é a mesma que vem sendo aplicada há mais de 10 anos, inclusive quando da passagem de Audifax pela primeira vez à frente do Executivo (2005 a 2008) e a mesma de quando Denícoli foi secretário de Meio ambiente, na última gestão de Sérgio Vidigal (2009 a 2012).

Até 2012 não havia problemas de licenciamentos ambientais na Serra e nem problemas com índices urbanísticos; tudo funcionava muitíssimo bem, não havia os ‘gargalos’ que os empresários dizem que existem. A legislação é rigorosamente a mesma, os licenciamentos fluíam em prazo razoável sem maiores conflitos urbanos e ambientais.

O que foi que mudou nesses últimos quatro anos e nove meses? Por que a legislação que sempre funcionou hoje emperra, dificulta, atrasa a implantação de novos projetos?

O problema não é a legislação e sim as pessoas que estão no comando das secretarias chaves para o desenvolvimento econômico, que são a Meio Ambiente e a Desenvolvimento Urbano. Até hoje o prefeito Audifax não acertou a mão na escolha de um nome que tocasse a Semma; perdeu-se todo o seu último mandato fazendo ensaios com pessoas que não se mostraram capazes de executar a contento as funções da secretaria; até hoje a equipe ainda é falha, fica a desejar.

Precisa-se de pessoas competentes

Na Sedur, à exceção de Silas Maza, todos os demais nomes que passaram por lá também não deixaram saudades. A atual titular da pasta, Mírian Soprani, que é do quadro técnico da Sedur é uma incógnita, não dá ainda para fazer uma avaliação sobre o seu desempenho, entretanto é perceptível a sua mudança de postura pessoal.

O prefeito Audifax, em sintonia com os empresários, anunciou que vai enviar para a Câmara de Vereadores um projeto de lei propondo as mudanças sugeridas pela Findes, cuja maior preocupação é escancarar o licenciamento ambiental da Serra e também alterar o Plano Diretor Municipal (PDM) para atender aos anseios empresariais.

Tudo isso é muito temerário, pois a Serra tem um histórico de ser parcimonioso com agressões ambientais, haja vista as dezenas de casos de invasões no entorno de suas lagoas e demais recursos naturais. Ademais, as últimas mudanças no PDM, boa parte delas indo de encontro com os mesmo interesses empresariais, tiveram significativa parte delas decretada como inconstitucional pelo Tribunal de Justiça, a pedido do Ministério Público.

Muito mais do que os quatro mil empregos prometidos pelo prefeito hoje, tantos outros foram criados no passado, sem necessidade de mudar a atual legislação. Mudar o PDM, o Código Municipal de Meio Ambiente e o sistema de licenciamento para atender às reclamações da classe empresarial é temerário, é expor o Município a uma acelerada escalada de agressões ambientais e corre o risco de mais uma vez o caso ir parar nas barbas do MP e da Justiça. O que tem que ser feito é colocar pessoas competentes para gerir bem esses setores, como foi no passado.

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