Mestre Álvaro | Portal Tempo Novo

Serra, 21 de julho de 2019

Portal Tempo Novo - O Portal da Serra, ES

Mestre Álvaro

por Eci Scardini

Cheque em branco para Amaro

Eci Scardini 

Na política local, muito se fala na vinda do deputado federal Amaro Neto (PRB) para disputar a Prefeitura da Serra na eleição no ano que vem. A expectativa aumenta no meio político, uma vez que o deputado teria dito a alguns agentes políticos que, até meadosde agosto, daria a resposta se vem ou não.

Nos bastidores, o que se ouve dizer para justificar a vinda de Amaro para disputar a eleição de prefeito seria ganhar visibilidade administrativa para uma possível disputa de governador em eleição futura. A escolha pela Serra seria pelo fato de que na cidade a maioria do eleitorado é de classe social inferior ao de Vitória, atual reduto eleitoral do deputado.

Direito de transferir o seu título para cá e ser candidato a prefeito, Amaro Neto tem. Mas o povo da Serra, ou mesmo parte dele, tem o direito de achar isso ridículo, tanto para a cidade quanto para a classe política. Nada, a não ser ointeresse pessoal justifica uma candidatura de Amaro Neto a prefeito do município.

A cidade não vive um caos para precisar de um salvador da pátria e, se fosse o caso, provavelmente esse salvador não seria Amaro; ele não tem nenhuma referência em administração e gestão pública, apenas como apresentador de telejornal de cunho policial.

O que causa estranheza é que as lideranças locais assistem a essa movimentação, aparentemente, de forma apática, com medo de reagir, e alguns até concordando e dando asas a isso. Sérgio Vidigal (PDT), Vandinho Leite (PSDB), Bruno Lamas (PSB), Xambinho (Rede) e Audifax (Rede) assistem a tudo sem sequer levantar a voz para um questionamento.

Já pensou, o povo da Serra dando um cheque em branco de oito bilhões de reais (que é a soma do orçamento municipal nos quatro anos de mandato) para um desconhecido, que traz consigo mais duas dezenas de estrangeiros para serem secretários, mandando e desmandando na cidade, só pelo fato de ganhar notoriedade para, depois, ver se consegue se eleger governador? E pior, fugindo de Vitória, porque lá o eleitor é mais esclarecido e mais difícil de ser manipulado.

Catapulta para o Anchieta

Eci Scardini 

A história política recente do Espírito Santo mostra que não é necessário ter sido prefeito em uma cidade para chegar ao cargo de governador. Gerson Camata foi o primeiro governador depois da redemocratização do país, chegando ao cargo em 1983 sem ter administrado qualquer cidade. Ele se notabilizou pelo seu jeito conciliador, despojado e por ter sido um deputado federal que viabilizava recursos para cidades do estado.

Em 1986, Max Mauro foi eleito governador graças à sua postura firme e austera na defesa da democracia, dos direitos fundamentais e no combate à corrupção. Foi deputado estadual três vezes e federal uma e sempre com o mesmo estilo combativo. Quando chegou ao Palácio Anchieta, em 1987, poucas pessoas lembravam que ele havia sido prefeito em Vila Velha, de 1970 a 1974.

Na sequência, veio Albuíno Azeredo, sem nenhum histórico político, mas foi ungido por Max. Ganhou a eleição de governador com a fama de bom secretário de Planejamento do Estado. Isso em 1990.

Em 1994, Vitor Buaiz foi eleito governador pelo PT. Esse sim havia sido prefeito da capital capixaba e era deputado federal. Mas não ganhou por isso não, e sim graças a uma união de forças para impedir que Cabo Camata ganhasse a eleição.

Chega-se a José Ignácio Ferreira, em 1998. Brilhante orador, nunca administrou uma cidade sequer, mas ganhou a eleição de governador. Notabilizou-se como um atuante senador da República, em Brasília.

Paulo Hartung se elege governador do Estado pela primeira vez em 2002. Este construiu uma carreira política que incluiu a passagem pela Prefeitura de Vitória.

E, por fim, chega-se a Renato Casagrande, que está em sua segunda passagem pelo Palácio Anchieta sem ter sido prefeito em nenhuma cidade. As principais características de Casagrande são a determinação, o arrojo, o poder de articulação e aglutinação de forças em seu entorno.

Portanto, para se chegar ao posto de governador do Estado, necessariamente, não precisa passar por uma prefeitura, muito menos a de Serra. Pelo contrário.Quem conseguiu ir mais longe na política serrana foi João Baptista da Motta, como senador, uma vez que era suplente de Paulo Hartung. O outro foi Givaldo Vieira, porque estava no partido certo (PT) naquele momento e foi o escolhido para ser o vice de Casagrande, em 2010.

Entre Audifax e Vidigal?

Yuri Scardini 

Desde o início do ano e mais intensamente após abril, Audifax enfrenta uma oposição de 16 vereadores que controlam a Mesa Diretora e as principais comissões da Câmara. Várias acusações foram desferidas de ambos os lados e oposicionistas passaram a abrir frentes de investigação inócuas e travar matérias de interesse da Prefeitura. Depois de meses de desgastes mútuos e intensa disputa nos bastidores – que se enveredou para intermináveis guerras judiciais -, essa briga foi dando sinais de esfriamento nas últimas semanas.

Na segunda passada (08), um fato marcou a política local. Trata-se do encontro público entre o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), e líderes da oposição, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Caldeira (Rede). O objetivo formal foi sancionar um projeto de doação de área para o Ibama. Na primeira leitura, o mercado interpretou o movimento como o fim da crise institucional no município; no entanto, passados quatro dias, pairam dúvidas sobre a solidez dessa dita “trégua”.

A oposição perdeu força, e isso é consenso, até mesmo entre os próprios envolvidos; mas, não obstante, continua viva. Após o encontro e as trocas de afagos entre Caldeira e Audifax, um clima de euforia foi sentido, que em pouco tempo transmutou-se em incertezas. Isso se explica por um personagem central nessa trama: o vereador Aílton Rodrigues (PSC).

Embora tenha sido um dos interlocutores da retomada do diálogo entre Executivo e Legislativo, Aílton, curiosamente, não foi à reunião citada acima. A ausência pode ser explicada por uma sombra que emergiu aos 45 do segundo tempo e com poder de aglutinar aqueles que insistem em permanecer num movimento sistemático de oposição: trata-se do deputado Sérgio Vidigal (PDT).

Na verdade, não está claro o tamanho da influência de Vidigal nesse grupo e nem mesmo se ele tenta reagrupar a oposição. O fato é que Vidigal teria ligado para Aílton na iminência de um acordo de paz com Audifax, fazendo com que o vereador recuasse e, por tabela, lançasse dúvidas no grupo de oposição (cerca de oito parlamentares). Já o restante ficou à deriva, uma vez que o articulador teria se retirado.

Vidigal é candidato em 2020. Audifax é sua antítese. Se o prefeito alcançar seus objetivos, com R$ 300 milhões em empréstimos, ele vai transformar a cidade num canteiro de obras a céu aberto até o ano que vem (já está em curso); caso ainda haja uma facilidade política com a Câmara, Audifax pode chegar com forte densidade eleitoral para tirar votos de Vidigal e levar para seu sucessor. Por isso, o pedetista pode ter entrado no circuito para reorganizar a oposição por meio de Aílton. Por hora, o mercado político segue atento e esperando os próximos lances.

Cesan é cara e ineficaz | OPINIÃO TN 

Bruno Lyra

É 80% mais cara a conta de água por causa da tarifa de coleta e tratamento do esgoto. Significa que se o boleto da Cesan for R$ 108, R$ 48 é de esgoto e R$ 60, de água. É justo que se pague esgoto, afinal, é um serviço essencial para a saúde humana e a proteção ambiental.    

O problema é quando a qualidade do serviço do esgoto é duvidosa. Essa é a sensação e até a constatação para grande parte dos moradores da Serra. Paga-se um serviço que impacta não só o orçamento das famílias, como também as finanças de empresas, notadamente as menores. Mas não se nota melhora nas águas de córregos, rios, lagoas e praias sujas por cursos d’água transformados em valões.

Em 6 de janeiro de 2015, a cidade virou palco da nova fase na gestão do esgoto no Espírito Santo, através da Parceria Público Privada (PPP) entre o consórcio Serra Ambiental e Cesan. Com posterior mudança de controladores, o consórcio passou a se chamar Ambiental Serra.

A promessa da PPP era de que o dinheiro da iniciativa privada ampliasse a coleta e melhorasse a qualidade do tratamento, universalizando o serviço até 2023 na cidade. De fato, tem havido ampliação das redes de coleta, mas com ela também mais gente passou a pagar tarifa de esgoto aumentando a receita da PPP.

A qualidade é que é o problema. Nenhuma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi feita pela PPP. E a maioria das ETEs é de tecnologia mais simples, com menor capacidade de purificação dos rejeitos. São os conhecidos “penicões” feitos nos anos de 1970 e 1980, quando a população da Serra era bem menor. Hoje a cidade tem meio milhão de pessoas e é a maior do ES.

Custa caro fazer uma estação de esgoto. Uma das mais modernas da Serra, a ETE Manguinhos, por exemplo, foi construída à base de empréstimos do Estado via Programa Águas Limpas. E olha que ele é inferior à ETE Mulembá, a maior de Vitória. 

O grupo Aegea, que atua em 49 municípios do país, controla a Ambiental Serra. No ES, também gere o esgoto de Vila Velha e, agora, mira o de Cariacica. Atua também na Região dos Lagos, Rio de Janeiro. Lá protagonizou triste espetáculo no início do ano, quando esgoto vazou e sujou praias da paradisíaca Arraial do Cabo. Se num lugar de turismo internacional é esse o padrão do serviço, o que esperar na Grande Vitória?

Na Serra, a PPP coleciona multas ambientais. E usa todos os artifícios legais para não pagá-las. Enquanto isso, o serrano tem que meter a mão no bolso para quitar a conta todo santo mês.

Meio ambiente em vertigem

Bruno Lyra 

Terminou o 1º semestre de 2019 e, para o meio ambiente, não há o que comemorar. O bom avanço conceitual e a parca conquista prática da Constituição de 1988 para cá retrocederam nos últimos anos. Retrocesso acentuado no governo de Jair Bolsonaro (PSL). 

Comandado por um condenado por crime ambiental, Ricardo Salles, o Ministério do Meio Ambiente quase foi extinto. O Ibama foi demonizado e ficou mais frágil. O desmatamento da Amazônia vem batendo recordes. O governo titubeia sobre acordo já assinado para a redução dos gases do efeito estufa. Situação que,aliadaao relaxamento da política ambiental, ameaça as exportações.  

Na contramão dos países desenvolvidos, o Brasil vem liberando a entrada de novos agrotóxicos em ritmo acelerado. Indígenas, cujas terras e comunidades significam floresta de pé, vêm sendo atacados sistematicamente. No Espírito Santo, o cenário também não é animador. Apesar de ser de partido de oposição a Bolsonaro, o governador Renato Casagrande (PSB) escolheu o ex-diretor da Vale para presidir seu órgão de meio ambiente, o Iema.

Órgão este que passou a negar informações públicas ao TEMPO NOVO, fato inédito para um jornal que tem editoria dedicada à temática ambiental há 14 anos. Enquanto isso, o famoso pó preto segue castigando a Grande Vitória. Há duas semanas, ele apareceu ainda mais brilhante em precipitação visível sobre casas e moradores de Carapebus.

Rejeito siderúrgico descartado pela Vale na Praia de Camburi pode vir parar na Serra, num aterro da Marca Ambiental licenciado pelo mesmo Iema aos pés do Mestre Álvaro. A cidade tenta reagir, mas as rusgas entre Legislativo e Executivo municipais atrapalham.  

E o que dizer da Suzano, que comprou a Fibria e assumiu os cerca de 2,5 mil hectares de eucaliptais no município? A empresa não explica como é a pulverização de agrotóxico que faz com aviões sobre áreas entre Putiri, Jacaraípe e Nova Almeida, onde estão a lagoa Juara, o rio Reis Magos, incluindo a captação de água que atende Serra sede.

Também preocupam os impactos do futuro Contorno do Mestre Álvaro. Falta clareza sobre as medidas de redução dos danos, sobretudo passagens de animais silvestres – a região é corredor ecológico – e proteção ao que sobrar de alagados. O saneamento também vai mal. Quatro anos e meio após a celebrada PPP do esgoto na Serra, rios, lagoas e praias onde há desembocadura de riachos seguem com águas fétidas e enegrecidas.

 

De Bicanga para o Brasil

Eci Scardini 

Saiu de um quintal de Bicanga o frisson político que agitou parte da política, até em nível nacional, nesta semana. Foram dois áudios atribuídos ao auditor fiscal da Prefeitura da Serra José Nicodemus Venturini, que não mediu palavras para demonstrar o seu descontentamento com o senador Fabiano Contarato (Rede), na sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nodia 19 de junho. Lá, o senador teve um embate com o ministro Sérgio Moro sobre os vazamentos de supostos diálogos do ministro, quando ainda era juiz federal, com o procurador de Justiça Federal Deltan Dallagnol acerca da Lava Jato.

Os áudios supostamente foram gravados no dia 21, à tarde, em um momento de descontração, na residência de Venturini, onde se encontravam parentes e amigos.

Venturini destilou sua indignação com o senador, usando palavras de baixo calão, homofóbicas e ainda – mesmo que não seja o que passa em seu coração – fez ameaças de usar um facão.

O auditor fiscal interpretou que o parlamentar se posicionou contra Moro e a força tarefa da Lava Jato durante a sessão na CCJ.

Possivelmente já tomado pelo forte teor alcoólico das bebidas e com os comentários políticos que deveriam estar tomando conta do ambiente, Venturini teve o impulso de gravar os áudios, sem se dar conta da gravidade das palavras usadas. No jargão popular, desceu a ripa com força.

Em um país tomado por fortes discursos de direita contra esquerda e vice-versa, os áudios de Venturini, declaradamente bolsonarista, ganharam as redes sociais – principalmente o WhatsApp – e viralizou pelas mãos dos admiradores de Moro e do presidente Bolsonaro.

Esses comentários gravados e algumas outras postagens fizeram com que Contarato viesse para as redes sociais explicar detidamente o seu posicionamento, que deixa claro não ser contra a Lava Jato, mas sim contra o uso de alguns métodos.

Venturini está hoje acuado com a possibilidade de ações penais movidas por Contarato na esfera criminal e cível (ameaça de morte e calúnia e difamação) e, também, abertura de sindicância administrativa no âmbito da Prefeitura da Serra. 

A hora e a vez dos novos senadores

Bruno Lyra 

Os senadores capixabas Fabiano Contarato (Rede) e Marcos do Val (Cidadania) têm em comum, além de serem estreantes no Senado e estarem em primeiro mandato eletivo, o fato de terem carreira ligada à segurança pública. Delegado da Polícia Civil, Contarato já comandou a delegacia de Meio Ambiente, de Delitos de Trânsito e foi chefe do Detran no ES. Militar da reserva, Do Val ganhou notoriedade com vídeos na internet sobre seu trabalho como consultor e palestrante para policiais no Brasil e EUA.

As semelhanças terminam por aí. Os senadores têm ideologias diferentes, o que já era nítido na corrida eleitoral de 2018, quando derrubaram os veteranos Ricardo Ferraço e Magno Malta. Diferenças que ficaram ainda mais evidentes nestes primeiros seis meses de atuação como parlamentares.

O maior exemplo é a segurança pública. Enquanto Do Val é ferrenho defensor das propostas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para facilitar porte e posse de arma, Contarato é crítico feroz. Tema de profunda relevância para a Serra, cidade campeã de homicídios e apreensão de armas.

No Senado, Do Val trabalha para a manutenção das propostas de Bolsonaro para facilitar o acesso às armas. Já Contarato usa o mandato para fazer o contrário, da mesma forma que é opositor ferrenho da retirada de radares das rodovias e do afrouxamento das regras de trânsito, medidas defendidas pelo presidente. Outro tema que é caro à Serra, uma vez que o trecho de 40 km da BR 101 no município é o mais letal de toda a rodovia que corta o litoral brasileiro.

Do Val é relator e entusiasta do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro.  Embora Contarato não tenha manifestado oposição ao pacote, atacou Moro – o que ganhou repercussão nacional – quando o ministro foi ao Senado explicar os diálogos com procuradores da Lava Jato na época em que ainda era juiz e publicados pelo site The Intercept.

Homossexual – condição que nunca fez questão de explicitar ou negar – casado e com filhos adotivos, Contarato é opositor a Bolsonaro. O que é natural, pois foi eleito pelo partido de Marina Silva, crítica do presidente. Contarato virou alvo da ira bolsonarista e das fakenews.

Embora tenha sido eleito por um partido de centro (PPS, que virou Cidadania) que inclusive apoiou os governos Lula, Do Val faz o gênero hétero, conservador, rude com bandidos, estereótipo em alta na política. Hábil com armas e artes maciais, tem uma namorada jovem e bonita, que ganhou cargo no Senado, inclusive. Por fim, Do Val se diz ameaçado de morte por defender o pacote anticrime.

Fisiologismo, populismo e periferia política

Yuri Scardini

Está cada vez mais intensa a conversa de bastidor de que o deputado federal Amaro Neto (PRB) pode ser candidato a prefeito da Serra. Para alguns, pode parecer uma informação irreal, que é justificável pelo caráter fisiológico deste fato. Mas fisiologismo e política têm andado de mãos dadas já há algum tempo – e é uma das origens da crise de representação brasileira.

Feita a observação, eleitoralmente, Amaro na Serra faz todo sentido. Este município tem inclinação ao populismo (seja de direita ou de esquerda): cidade com PIB alto, mas com renda per capita baixa; população conservadora, com forte influência do neopentecostalismo; e forjada através de processos de imigração em massa e desorganizada, que gerou um subproduto de ausência coletiva do sentimento de pertença e identidade local.

No campo mais objetivo, Amaro sempre vai partir na dianteira em qualquer pesquisa de intenção de voto para qualquer cidade capixaba. Por isso, a preocupação do deputado é ser desconstruído, assim como foi feito em Vitória na eleição de 2016. Na Serra, não tem programa eleitoral na TV. A eleição é na rua e na internet, duas searas que Amaro domina.

O cenário político também contribuiu muito: depois de 12 anos, encerrou-se um ciclo de disputa direta entre Audifax e Vidigal, e este último, que ainda pode ser candidato, perdeu muita capilaridade eleitoral.

Mas a quem interessa uma candidatura de Amaro na Serra? A resposta é cristalina: para todos… de fora da Serra, é claro. Interessa para o PSL, de Carlos Manato, já que desobstrui a eleição de Vitória e torna o bolsonarista favorito – de acordo com recentes pesquisas eleitorais divulgadas.

Interessa ao PT, do ex-prefeito Coser; ao PSB, do governador Renato Casagrande; ao PPS, do prefeito Luciano Rezende; ao próprio PRB, do presidente da Assembleia, Erick Musso. Enquanto isso, lideranças da Serra – maior economia do ES – são passadas para trás como se fossem descartáveis. Será que o contexto político de Vitória vai atropelar a Serra?

Opinião TN | Jeito de abandono

Yuri Scardini

Passados quase seis meses do ano, a Serra segue à espera de investimentos do Estado. A lista é grande e conta com obras de expressão, como a recuperação da Avenida Abdo Saad, no valor de aproximadamente R$ 10 milhões. Avenida importante, mas que está se esfacelando. Outra obra é a construção da escola Aristóbulo Barbosa Leão, uma novela pavorosa que já consumiu R$ 12 milhões (entre aluguel, obras e demolição). Inclusive, a escola está no chão, servindo como ponto de prostituição e consumo de drogas.

Outro investimento a ser incluído nessa lista é o Contorno de Jacaraípe, via estruturante para o turismo da região praiana da Serra e para estabelecer uma nova área de expansão urbana. Podemos citar, ainda, a construção do Faça Fácil, que sequer saiu do papel desde 2014.

E não dá para esquecer dos convênios. Em seu primeiro ato de governo, Renato Casagrande (PSB) suspendeu R$ 24 milhões destinados ao município, distribuídos em cinco convênios para áreas de mobilidade urbana e saúde. Mesmo com a promessa de retomada das parcerias, apenas 10% foram concretizados.

Casagrande tem uma boa oportunidade de ficar bem com a Serra, já que foram aprovados dois fundos bilionários provenientes de acordos de distribuição de royalties de petróleo. Um deles é o Fundo da Infraestrutura, para obras. Resta saber o que vem para o município. Outro “detalhe” é a relação de Casagrande com o prefeito Audifax Barcelos (Rede), que está estremecida. 

Entretanto, há informações de que os dois estariam iniciando um diálogo. Mas será que o governador vai condicionar isso a um eventual apoio do prefeito ao deputado licenciado Bruno Lamas (PSB)?

Locomotiva desacelerando

Bruno Lyra

Após a década de 1970, a Serra foi paulatinamente virando a locomotiva econômica do Espírito Santo. Tanto que foi escolhida para ser o centro industrial de Vitória. Mas essa concentração de investimentos na cidade tende a mudar nos próximos anos, a julgar pelo redesenho das intervenções viárias em curso na Grande Vitória.

Uma delas, o Contorno do Mestre Álvaro. De cara, o tráfego nacional e regional de passagem deixará de fluir pela planta urbana do município. Postos de combustível, oficinas, autopeças, restaurantes e pousadas de beira de estrada tendem a ser impactadas. E a despeito de aquecer ocupações nas regiões de Jachuy, Piracema, Queimado, Muribeca e Chapada Grande, o Contorno colocará outros municípios em condições de brigar com a Serra por empreendimentos.

Outra é a duplicação da BR 101 entre Guarapari, Viana e Cariacica. Ali, a obra avança a passos largos. Dois viadutos estão sendo feitos em pontos pouco ocupados – Amarelos e Universal -,o que indica interesses empresariais nas regiões. Fora o viaduto do entroncamento das BRs 101 e 262.

Esse eixo sul da Grande Vitória também recebeu outro empreendimento viário notável, a Rodovia Leste-Oeste. Projeto que ainda prevê uma nova via federal fazendo ligação com a área em frente à extinta Braspérola.  

Há, ainda, o projeto de pavimentação da estrada do Xuri, em Vila Velha. Esta via liga a BR 101 na altura do bairro Jucu – hoje um polo industrial e logístico em ascensão – à rodovia do Sol na Barra do Jucu. Tanto o eixo da Leste-Oeste quanto o da estrada do Xuri possuem vastas áreas passíveis de ocupação.

Junta-se a isso o pedido do governador para a retomada da Samarco e o esforço local para que a Vale construa ferrovia no litoral sul capixaba, como contrapartida à renovação da concessão da Estrada de Ferro Vitória-Minas. Por outro lado, a obra da rodovia do Contorno de Jacaraípe, que poderia melhorar a logística do eixo centro-norte – Serra, Aracruz e Linhares -, está parada há cinco anos. E a duplicação da BR 101 entre Serra e Fundão, que era para estar pronta há dois anos, nem começou.  

Enquanto isso, Guarapari não esconde o desejo de receber o aeroporto internacional de cargas. É… Parece que os capixabas não querem que a Serra concentre mais tantos investimentos. 

 

O que você fez do seu mandato?

Por Yuri Scardini

Nesta semana, vereadores de oposição derrubaram sumariamente um projeto de lei do prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), que regulamentava o descarte de resíduos sólidos no município. Na prática, visava inibir que a Vale descartasse toneladas de areia com minério vindo de Vitória, totalmente à revelia do Município. O projeto tramitou por quatro meses na Casa, sequer recebeu parecer das comissões, foi incluído na pauta por determinação judicial e, finalmente, derrubado.

Depois que entenderam a pisada na bola, os parlamentares correram para se justificar, desmerecer a proposta e apontar equívocos. Por que não fizeram isso durante a tramitação da matéria? Tempo eles tiveram. Se havia equívocos – como foi afirmado -, por que não ajustaram nas comissões? Por que não houve emendas ao projeto, uma ferramenta constitucional e absolutamente normal em qualquer parlamento?

A resposta é única: a crise política na Serra está provocando cegueira. O que ocorreu nesta semana é só um exemplo sintomático, mas há outros. Como a tramitação agarrada do Projeto de Lei 16/2019, que autorizava a Prefeitura a contratar 80 médicos, precisou esperar dois meses para ser votada e só foi possível por causa de mobilização nas redes sociais.

Ou mesmo o Projeto de Lei 225/2018, que alterava a legislação do Aluguel Social na Serra e visava beneficiar 55 famílias pobres que estavam prestes a ser despejadas. Ficou mais de 100 dias na Câmara para ser votado e aprovado. E o que falar do PL 209/2018, que autoriza a Prefeitura a regularizar 100 escrituras para moradores de Vila Nova de Colares? Este precisou de quatro meses para andar.

Tem também o PL 46/2019, que foi inviabilizado. O objetivo era regularizar a gratificação por escala especial de trabalho para a Guarda Municipal. Por meio de emenda, a oposição dobrou o valor fixado pela Prefeitura, o que é notoriamente inconstitucional. Nessa lista, ainda cabe o PL 66/2019, que atendia a uma lei estadual que proibiu carroças no estado. O PL da Prefeitura dava indenização aos carroceiros e os encaminhava para cursos de qualificação profissional, mas foi derrubado.

O bom senso já foi embora da política municipal há tempos. Agora, só falta ir o humanismo. Depois que este juntar as malas e partir também, vai sobrar o quê? O poder escorre como chuva; o que fica é o legado de cada um. Como querem entrar para a história?

Eu pago, tu pagas e não levamos

Bruno Lyra

São salutares as agendas tocadas por lideranças da cidade questionando serviços prestados por concessionárias no município: água/esgoto e energia. No caso da primeira, a briga está na Câmara de Vereadores por meio de um Projeto de Lei para obrigar a Cesan a instalar bloqueadores de ar ao lado dos hidrômetros de cada consumidor. A proposta é de autoria do vereador Pastor Ailton (PSC).

A justificativa é que o ar é contabilizado no hidrómetro como se fosse água. Segundo o projeto, a presença de ar nas tubulações é comum por conta de mudanças de pressão da água e até mesmo interrupções, programadas ou não, no fornecimento do líquido. Com isso, o consumidor estaria pagando ar. Seria, na contabilidade do vereador, cerca de 30% do valor da conta. E como o valor do esgoto é calculado em cima do consumo de água, o cliente estaria pagando, também, pelo ar nesse serviço.

Se for isso mesmo, é grave, pois o consumidor está pagando por algo que não consumiu, como se já não bastassem os problemas com a água. O rio que abastece a Serra, o Santa Maria, recentemente foi alvo até de descarte de sangue humano na represa de Rio Bonito. Crime até hoje não esclarecido.

O mesmo rio recebe esgoto não tratado de áreas urbanas e rurais. Recebe, também, agrotóxicos, contaminantes que vêm aparecendo cada vez mais na água de abastecimento das cidades brasileiras.

E o que dizer do esgoto? Desde janeiro de 2015, a Cesan tem Parceria Público-Privada (PPP) com a empresa Ambiental Serra (ex-Serra Ambiental). E o que se vê são córregos, rios, lagoas e praias cada vez mais poluídos, a despeito de o serviço encarecer 80% da conta de água.

Já no item energia, o foco é a taxa de iluminação pública, que na Serra custa três vezes mais que na capital Vitória, apesar de a cidade serrana ser mais mal iluminada que a capital. A conversa foi encampada pelo deputado estadual Vandinho Leite (PSDB),que articulou com o vereador Gilmar Dadalto (PSDB), o Raposão, o Projeto de Lei municipal aprovado na última terça-feira (11), que reduz em até 3,5 vezes a taxa. Para valer, a regra precisa ser sancionada pelo prefeito Audifax Barcelos (Rede).

Vale lembrar que o valor da taxa é definido pelo Município. E não pela EDP, fornecedora do serviço.

Opinião TN | Sem contornar o meio ambiente

Bruno Lyra

Tido como fundamental para a mobilidade na BR 101 no Espírito Santo e para melhorar a qualidade de vida dos serranos que moram ao longo do trecho da rodovia entre Carapina e Serra Sede, o Contorno do Mestre Álvaro começou a sair do papel.

Na rota dos 19 km da via, uma das áreas mais sensíveis ambientalmente do estado: as turfas e alagados, morada de animais e plantas nativos ameaçados, além de rota de passagem da vida silvestre. Tanto que integra o Corredor Ecológico Mestre Álvaro – Duas Bocas, duas das mais importantes reservas ambientais capixabas.  

A área é acomodadora de água no tempo das chuvas. O Contorno fatalmente vai impactar isso tudo. Por esta razão, a sociedade precisa vigiar a adoção de medidas amenizadoras e compensatórias. Ainda mais em tempos de retrocesso ambiental promovido pelo próprio governo federal.

A nova pista tem que ter passagens para animais silvestres. O EIA-Rima (Estudo – Relatório de Impacto Ambiental) aprovado pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), licenciador da obra, até prevê isso. Mas não especifica quantas e nem onde, o que é preocupante.

O mesmo Estudo obriga a instalação de placas avisando sobre a presença de animais silvestres, bem como a colocação de redutores de velocidade para proteger os bichos. Elementar e necessário.

Outro item é o fluxo das águas. A nova pista será um dique a dificultar o já lento escoamento das águas na região. Algo que precisa ser bem gerido, sob pena de piorar os alagamentos nas empresas do Jacuhy, Piracema, TIMS e bairros da Serra nas baixadas marginais ao Mestre Álvaro.

Atenção também com uso de escória da Arcelor para aterro na obra. Item não previsto no EIA, foi usado pela empreiteira Contractor para testes de estabilidade do solo. Ação embargada pelo Iema, que alegou riscos ambientais com rejeitos siderúrgicos em alagados, o que a Arcelor nega.

Outro item é o controle de incêndios, por ser região de turfas. Margens de estradas são extremamente suscetíveis ao fogo. Olho vivo, ainda, na eventual suspensão da obra sob alegação de impacto ambiental, como está ocorrendo com a duplicação da BR 101 norte. Parte da elite econômica e política não tem pudor em usar a natureza como bode expiatório para ocultar a própria incompetência ou interesse escuso. É moda constranger ambientalistas e jogá-los contra a turba enfurecida. 

 

Populismos, legislativos e civilização

Yuri Scardini

Está em progressão no Brasil uma ideia torpe de demonização da política. Na verdade, esse fenômeno já vem em franca evolução há alguns anos, mas agora tem navegado em águas ainda mais perigosas para a democracia e surfam na revolução da ignorância. O conceito de demonização da política tem progressivamente evoluído para as instituições.

Não é atípico nos depararmos com discursos demagogos de “fim dos privilégios”, por exemplo. Esse tipo de narrativa embusteira encanta aos ouvidos de muita gente que acorda cedo para ralar o dia todo, mas que não guarda nenhum significado objetivo que não seja o populismo mais chulo.

A partir dele, defende-se descalabros em nome de uma pseudo-faxina moral. Acusa-se principalmente o Poder Legislativo de ser o culpado da quebradeira geral no Brasil, quando, na verdade, este Poder da República – em termos de orçamento – significa apenas uma “microfatia” do orçamento geral. Para exemplificar: a União tem um orçamento estimado em R$ 1,4 trilhão, enquanto o Congresso Nacional deve gastar R$ 10 bilhões em 2019 (menos de 1%). Obviamente, nenhuma cifra em bilhão é pouco; mas num país de proporção continental, não é esse valor que será determinante para a Saúde, a Educação ou a Segurança, para citar algumas áreas.

Fala-se que são muitos deputados, que ganham bem, que têm muitos assessores. É uma meia verdade, apenas. Entre mais de 200 milhões de brasileiros, a Câmara conta com 513 deputados e o Senado, com 81 parlamentares. Nessa perspectiva, o número parece minúsculo. Para ser mais exato, nossos políticos em Brasília significam 0,0002965% da população brasileira.

De fato, esses políticos ganham bem, se tomarmos com base a média da população. Mas como explicitado acima, eles são muito poucos e responsáveis por regular uma realidade de proporção continental.

Pode até soar como um barulho aos ouvidos, mas é justo defender que o Brasil tenha muitos deputados e senadores para ampliar a diversidade de representação, e que estes utilizem os recursos possíveis para executar com propriedade a função para a qual foram eleitos, isto é, fiscalizar, propor e votar leis; mas, principalmente, ser a voz de uma população plural e diversa.

O Brasil precisa votar melhor e não prostituir a função da política, a única ferramenta civilizatória capaz de conduzir o mundo para a prosperidade e garantir a sobrevivência da humanidade.

Opinião | Serra: À Sede o que é da Sede

Edson Quintino do Nascimento é Filósofo, Comerciante e Presidente da Associação Comercial e Empresarial da Serra Sede.

A Serra Sede, berço da tradição cultural serrana, é considerada a Atenas capixaba de outrora. Passou de rural (que carece de politicas integralizadas) à urbana e seu entorno abriga hoje quase um terço da população da cidade da Serra.

De forte tradição politica, econômica e cultural, nestas terras, serranos ilustres marcaram indelevelmente a história do município. Refiro-me aos ex-prefeitos Romulo Castelo, Naly da Encarnação Miranda e José Maria Feu Rosa. De economia baseada na cultura do abacaxi, portanto rural, no inicio dos anos 70 este panorama social, politico e econômico começa a mudar.

Inicia-se o processo de industrialização do estado, e o município da Serra abruptamente recebe plantas industriais como a antiga CST – Companhia Siderúrgica Tubarão (hoje Arcelor) e os polos industriais CIVIT I e II. Daí experimenta o crescimento populacional exponencial, com o surgimento dos bairros no entorno destes centros. Recebe forte impacto imigratório, advindos principalmente de estados vizinhos, como Bahia e Minas Gerais, assim como do próprio interior do Espirito Santo.

Diante deste contexto, a Serra Sede que possuía a maior concentração populacional do município da Serra, até meados da década de 1970, a partir deste fenômeno da industrialização, começa a perder importância relativa politica, econômica e social, em relação ao surgimento de novos bairros, assim como surgem outras fronteiras comerciais, como por exemplo, Laranjeiras.

Entretanto, por estar geograficamente no centro do município, é de se pensar que as outras áreas urbanas da Serra, num futuro próximo, encontrar-se-ão com a Serra Sede, com a eliminação dos vazios urbanos, que a separa do distrito de Carapina. Ao mesmo tempo, com o advento da rodovia do Contorno do Mestre Álvaro, a planta urbana do município tende a expandir-se ao norte, a oeste e a leste rumo ao litoral.

 Diante deste fato, é necessário que projetos viários de ordenação da ocupação do solo urbano, sejam pensados e traçados nos dias de hoje.

Por esta razão, após décadas de atordoamento e “cochilo histórico” por parte dos comerciantes e das lideranças politicas e empresariais, identificado as causas do fenômeno, a lucidez brota com força total no sentido de movimentos da sociedade civil. Eclode daí duas forças irresistivelmente poderosas e aglutinadoras que são o MSSF– Movimento Serra Sede Forte e a ACESS – Associação Comercial e Empresarial de Serra Sede.

O MSSF tem o papel de aglutinar as lideranças politicas, comunitárias, eclesiais, empresariais e a população em torno do grande projeto que viés de crescimento ordenado que visa a construção da Nova Serra Sede.

 A ACESS, que muito me orgulha ser sócio fundador e o primeiro presidente, por seu turno, foca o desenvolvimento do empreendedorismo local, na formação continuada destes e dos trabalhadores, ao aproxima-los das ferramentas como o Sebrae e IEL.

A intenção é aprimorar a competitividade desses estabelecimentos comerciais, ao investir em eventos como campanhas de vendas em datas comemorativas e palestras periódicas com dois eixos bem definidos: da excelência/ desenvolvimento da praça comercial e desenvolvimento regional.

Portanto, o crescimento e fortalecimento destas duas recentes instituições, visam, sobretudo, fazer retornar a Serra Sede a administração pública, que hoje se encontra dispersa em vários bairros, porque buscamos a construção da Nova Serra Sede e queremos que justiça seja feita: A Serra Sede o que é da Serra Sede!

Edson Quintino do Nascimento é Filósofo, Comerciante e Presidente da Associação Comercial e Empresarial da Serra Sede.

Peças no tabuleiro eleitoral

Yuri Scardini 

A Serra tem sido muito visada no que tange à eleição para prefeito, e por uma razão muito simples – não somente pelo orçamento bilionário (estimado em R$ 1,7 bilhão em 2019): após 12 anos, o prefeito Audifax Barcelos (Rede) e o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) não irão se enfrentar diretamente nas urnas. Fato que deixa a eleição bastante “sedutora” para a classe política.

Ambos, porém, são figuras centrais no contexto eleitoral. Invariavelmente, Audifax estará na eleição, seja apoiando explicitamente um candidato ou dando suporte pelos bastidores.

Entretanto, a quase um ano do pleito, ainda não está claro quem seria este nome. As apostas recaíam sobre o coronel Nylton Rodrigues, que figurava no secretariado de Audifax, mas essa possibilidade se reduziu na semana passada após o militar pedir exoneração do cargo. Ainda não se descarta totalmente que Nylton esteja na disputa; vale lembrar que, ao TEMPO NOVO, o coronel deu a senha: “se a eleição fosse hoje eu não seria candidato”. Como a eleição de fato não é hoje, então, assume-se que Nylton pode sim ser candidato.

Outra incógnita é Vidigal. Apesar de ter se desidratado politicamente, o ex-prefeito é um força com muita expressão nas urnas. Ocorre que Vidigal enfrenta processos judiciais que podem deixá-lo inelegível até 2020. Recentemente, ele foi condenado por nepotismo, mas não foi penalizado com a perda dos direitos políticos. No entanto, adversários para pedir impugnação da chapa com base na Lei da Ficha Limpa não faltam, o que pode dar dor de cabeça ao deputado.

Apesar disso, comenta-se que Vidigal tem se animado com a eleição. Ele tem transitado bem entre lideranças comunitárias e intensificou muito sua atividade parlamentar. Hoje, entende-se que Vidigal é candidato.

Outro figurão neste jogo é o deputado Amaro Neto (PRB). Ao TEMPO NOVO, ele já expressou a possibilidade de ser candidato a prefeito da Serra. Amaro tem histórico de grandes votações no município. No início do ano, ele abriu um escritório em Laranjeiras e se aproximou de lideranças locais, como Audifax e o deputado estadual Alexandre Xambinho (Rede). Este, aliás, deve se filiar ao partido de Amaro e prepará-lo para eleição na Serra.

Emergentes, ma non troppo

Quem surge bem posicionado em pesquisas eleitorais de consumo interno de partidos, às quais o TEMPO NOVO teve acesso, é o deputado Vandinho Leite (PSDB). Discreto ao tratar do tema, Vandinho prefere não antecipar. Entretanto, em uma das raras declarações sobre o tema, ele disse ao jornal que o PSDB (do qual é presidente estadual) deve lançar 40 candidatos para prefeituras capixabas e que a Serra estaria nesse contexto.

O que pode jogar a favor de Vandinho é o seu mandato de deputado estadual, que tem tido muito apelo popular – especialmente pela campanha contra a EDP -, tem encurralado a empresa campeã de reclamações no Espírito Santo e dado forte recall ao parlamentar.

Outros que estão na corrida são Xambinho (já citado) e o secretário de Estado Bruno Lamas (PSB). Xambinho tem se movimentado muito bem nos bastidores; aproximou-se do grupão de Amaro Neto e do presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), o que pode dar sustentação a uma possível candidatura.  No entanto, ainda carece de mais popularidade e mais presença nas ruas e nas redes sociais.

Já Bruno é cotadíssimo e tem o apoio de muitas lideranças locais; mas, politicamente, está isolado.  Há dúvidas sobre o apoio do governador Renato Casagrande. Recentemente, uma fonte em off vazou uma reunião entre Casagrande e Amaro, em que o governador teria “oferecido” apoio em uma futura candidatura na Serra com o objetivo de desobstruir a eleição em Vitória e atender aos aliados do PPS.

Bruno se mudou da Assembleia para a Setades, e ainda suscitam dúvidas no metiér político se esta foi uma decisão acertada. Preso em agendas internas e reuniões enfadonhas, Bruno tem perdido a pegada da rua.

Bolsonaro X Lula versão local

Outras forças que querem estar presentes na eleição são os antagonistas PSL de Bolsonaro e PT de Lula. O secretário da Casa Civil, Carlos Manato (PSL), tem estruturado a sigla na Serra e já disse ao TEMPO NOVO que pode ser o candidato. Ele tem relação umbilical com a imagem do presidente; portanto, seu tamanho na eleição será ditado pela popularidade de Bolsonaro até lá. Já o PT pode lançar a deputada e ex-ministra de Dilma, Iriny Lopes. São conversas recentes ainda, mas têm potencial para embaralhar o jogo.

Correm por fora outros nomes e siglas, como o pentacampeão mundial de beach soccer, Goleiro Mão, que adiantou ao jornal que quer ser candidato. Ele ainda busca partido. Também tem a turma do partido Novo, que está animado com o recente salto de filiados e promete lançar um candidato, mas ainda não definiu nomes.

A agonia de Bruno

Por Yuri Scardini

Nesta semana, surgiram informações nos bastidores de uma suposta reaproximação política entre o governador Renato Casagrande (PSB) e o prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede), além de um suposto convite para filiar o prefeito no PSB. Na imprensa e no métier político local, a informação foi disseminada pelo secretário estadual Bruno Lamas (PSB). A mesma notícia chegou para deputados da Assembleia, por vias do também secretário de Estado, Thyago Hoffman.

E ao longo da semana, a informação foi sendo literalmente desmentida, tanto por correligionários do PSB quanto por aliados de Audifax. Nos bastidores, a situação pegou mal demais para Bruno. A fake news teve cara de ação coordenada, com objetivo de criar constrangimento em Audifax, uma vez que o prefeito vem costurando aliança com o grupo político liderado por Erick Musso (PRB), o qual vem travando uma espécie de guerra velada no Parlamento. Além disso, desde meados de 2018, Audifax afastou Lamas da linha de sucessão na Serra.

Para dar uma roupagem de veracidade, Bruno criou um factoide em torno da exoneração do coronel Nylton Rodrigues do comando da Secretária de Defesa Social. Nylton era cotado para ser candidato pelas mãos de Audifax e sua saída encorpou a fake news lançada pelo secretário estadual.

É natural que um governador e um prefeito da maior cidade do estado dialoguem; entretanto, politicamente, uma reaproximação entre Audifax e Casagrande parece algo mais distante.

O sentimento que ficou é que Bruno está encurralado. Recentemente, Casagrande tentou vender sua candidatura a prefeito da Serra para o deputado Amaro Neto (PRB), com objetivo de limpar a área em Vitória e atender os aliados do PPS. Além do mais, tem a vigília do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), que cobra do governador apoio na Serra e é notoriamente mais competitivo nas urnas do que Bruno.

Do lado oposto, vê as possibilidades de apoio de Audifax cada vez mais improváveis e tem adversários como os deputados Alexandre Xambinho (Rede) e Vandinho Leite (PSDB) se armando e articulando um grupão para invadir a eleição de 2020. À distância tem outros mais, como o secretário da Casa Civil, Carlos Manato (PSL), que em 2018 obteve um resultado muito expressivo na corrida para governador, ficando em segundo nas urnas.

 

Desinvestimento da Vale

Por Bruno Lyra

O iminente rompimento de outra barragem de rejeitos da Vale é mais um sinal da decadência do setor mínero siderúrgico no eixo MG-ES. Se a lama da barragem em Barão de Cocais (MG) descer para o rio Doce, não é só o desastre ambiental que irá novamente atingir o Espírito Santo; será mais um golpe duro na economia capixaba e mineira, enquanto a mineradora acaba de anunciar uma siderúrgica de R$ 5 bilhões no Pará.

Os efeitos ambientais, sociais e econômicos do rompimento de outra barragem, a de Mariana (MG), da Samarco (Vale + BHP), já são conhecidos aqui. Barragens de mineração existem há décadas, e não estouravam em sequência. O fato de agora várias estarem à beira do colapso é revelador sobre o declínio do setor em nossa região. O caso da barragem de Brumadinho, rompida em janeiro deste ano, é emblemático.

A tragédia – que soterrou vivas mais de 300 pessoas levando devastação ao rio Paraopeba e contaminação ao São Francisco – fez autoridades revirem protocolos de segurança das barragens. Por isso, várias foram fechadas, bem como as cavas (lavras). O efeito foi a redução da circulação e beneficiamento de minério de ferro em Tubarão, um duro golpe na economia da Serra e do estado, uma vez que o setor mínero-siderúrgico movimenta mais de 15% do PIB do ES.

PIB este que já havia sofrido com a paralisação da Samarco. Transformou Anchieta em cidade fantasma, bambeou as pernas da vizinha Guarapari e atingiu em cheio até a Serra, município que abrigava terceirizadas e fornecedoras da Samarco. A indefinição sobre a volta dessa siderúrgica é outro forte sinal de desinvestimento do setor.

Lembrando que já havia desistido, no início da década, de implantar a Companhia Siderúrgica de Ubu, na mesma Anchieta, aproveitando os pellets da Samarco. E que, na figura da grande líder, a Vale, sinalizou que a prometida ferrovia litorânea ligando a Grande Vitória ao Rio de Janeiro pode ser substituída por uma estrada de ferro na região Centro Oeste.

A riqueza da siderurgia, sempre relativizada pelos impactos sociais e ambientais que geram quando configurada em mega parques industriais, poderá ser a ruína do ES, caso os capixabas não encontrem alternativas, as quais podem estar na vocação logística e portuária, no turismo e na produção de alimentos pela agricultura familiar, por exemplo.   

Eco 101 acima de todos

Por Bruno Lyra

Depois de tantos anos de expectativa, o Contorno do Mestre Álvaro pode sair do papel. Mas ficará de mão beijada para a Eco 101, uma vez que os R$ 290 milhões previstos para a nova via sairão dos cofres públicos; e com isso, conforme contrato de concessão do trecho capixaba da BR 101, será transferido à Eco. Empresa que, por sua vez, aumentou o pedágio em 43% nos últimos cinco anos, mas só duplicou 15,5 km dos mais de 200 km que já deveria ter feito, segundo a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT).

A expectativa é de que o Contorno do Mestre Álvaro melhore a mobilidade e a qualidade de vida na Serra, uma vez que vai tirar – aponta o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte) – cerca de 30% do tráfego no trecho urbano da BR 101 na Serra, entre o Jacuhy e Belvedere. Com os 18 km da nova via, que já será entregue duplicada e com ciclovia, a estimativa é de redução em 40 minutos da viagem para quem está só de passagem pelo município.

A tendência é que o trecho urbano da BR 101 seja municipalizado; a prefeitura, inclusive, já demonstrou interesse. Entretanto, quer que Eco 101 e DNIT entreguem o respectivo trecho em boas condições,  o que inclui a construção do trevo de Cidade Pomar, dentre outras melhorias. Mais do que justo, uma vez que a concessionária receberá, sem custo para ela, o Contorno do Mestre Álvaro novinho em folha para explorar.

Contorno que deverá abrir a penúltima frente de expansão urbana da Serra, a porção oeste do Mestre Álvaro, que inclui as regiões de Queimado, Aroaba, Calogi, Muribeca, além de incrementar o mercado imobiliário no entorno da sede do município. Sobrará como flanco rural apenas a região de Putiri, encravada entre Serra Sede e Nova Almeida.

Boa parte do Contorno passará sobre uma área de grande riqueza e sensibilidade ambientais: a zona de alagados e turfas do corredor Ecológico Duas Bocas – Mestre Álvaro. Espera-se que a obra gere contrapartidas para a preservação da natureza que sobrará após tamanho impacto, incluindo maior preservação do próprio Mestre Álvaro, passagens para fauna silvestre, sistema de drenagem que dê conta das periódicas cheias na região e não piore as inundações nos polos industriais Jacuhy, Piracema, Tims e nos bairros Jardim Tropical, Central Carapina, Cantinho do Céu e José de Anchieta II.

Reagindo ao obscurantismo

Por Yuri Scardini

O brasileiro se acostumou a entender a complexidade da vida em sociedade simplificada na superficialidade do binarismo entre “esquerda e direita”. Assumiu-se “lados” de uma guerra inventada, quando na verdade os mais apaixonados se assemelham pelo radicalismo e pelo corporativismo ideológico ingênuo.

Qualquer sociedade que almeja se desenvolver, deve olhar para seus professores como um dos focos de esperança e investir em educação. Quem defende menos dinheiro para essa área, pautado por informações de fontes duvidosas, definitivamente não conhece e muito menos teve oportunidade de vivência em uma universidade pública.

A pós-verdade chegou como um tsunami através das redes sociais e potencializou um processo que já vinha em curso e que se orienta pelo anti-intectualismo e pelo ataque a professores, docentes, cientistas, personalidades do meio cultural etc. Sinal disso é a encorpada de subdiscursos simplórios como a “terra plana”, “vacina faz mal”, “aquecimento global é farsa”, por exemplo.

E se apegou a teorias da conspiração e retóricas rasas e pouco aplicáveis. A fantasia da “doutrinação marxista” nas instituições de ensino é uma delas, a qual, inclusive, é refutada pela realidade dos fatos, no momento em que o brasileiro optou por um político autointitulado de direita para governar o Brasil. Essa conta não fecha.

A educação esbarra em problemas reais, fora da redoma fantasiosa. Nos últimos anos, o Brasil avançou na cobertura educacional e, agora, era a vez de avançar na qualidade do ensino; mas esse setor vem sendo literalmente desmontado anos após ano e, em 2019, chegou ao ápice do desmonte. Bolsonaro avolumou os cortes na Educação, que já vinham desde os governos Dilma.

E esse desmonte não passa apenas pela questão estrutural, mas também conceitual, como a demonização de personalidades como Paulo Freire, que tem projetos e pesquisas reconhecidas no mundo todo. Este é um dos custos do populismo, que apresenta soluções fáceis para realidades bem complexas. A distopia chegou com força ao Brasil. Mas a reação da sociedade é um dos pontos altos e deu sinais que tem fôlego de sobra para tentar barrar o obscurantismo.

Fundo de quintal de Vitória

Por Eci Scardini

 Pode doer, soar mal, ou muitas pessoas não enxergarem assim; mas a Serra, com toda a potência econômica que é, não tem autonomia no seu destino político. Infelizmente, ela ainda é comandada por Vitória.

De todos os juízes que compõem a Comarca local, nenhum reside na Serra; todos os nossos promotores residem fora da cidade. Metade do secretariado municipal reside na capital. Dos grandes empresários da Serra, pouquíssimos moram aqui. Os grandes nomes da advocacia do estado estão em Vitória, e nós não temos nenhum grande escritório de negócios.

É no Palácio Anchieta que são tomadas decisões importantes que irão impactar no nosso destino. É na Assembleia Legislativa que é “costurada” boa parte da nossa política. É do Tribunal de Justiça que saem, hoje, as principais decisões que garantem a ordem (ou desordem) político-administrativa.

É na Federação das Indústrias onde se discutem novas plantas de grandes negócios; é no Sinduscon que se amarram os negócios na área imobiliária, setor que por anos foi o responsável pelo desenvolvimento da Serra.

O polígono principal das grandes decisões é Praia do Canto, Ilha do Frade, Enseada do Suá e a Cidade Alta. É onde se concentram as residências, os escritórios e os órgãos de quem decide o nosso futuro.

A nós aqui só resta dizer “sim senhor”; acatar, votar, aliar-se às escolhas que vem de lá e torcer para que tudo dê certo e, em algum momento, tenha autonomia nos seus destinos, assim como Vila Velha tem.

 Habemus Amaro, Coragem e Coração

Agora mesmo estamos vendo (à revelia dos políticos locais) a Serra ser oferecida na “bandeja” para o deputado federal Amaro Neto (PRB), com o objetivo de desobstruir a eleição para prefeito em Vitória. Acredita-se que a eleição de Amaro na Serra seria “mamão com açúcar”, ainda mais que têm vazado pesquisas eleitorais de intenção de votos para consumo interno dos partidos e que indicam um caminho fácil para Amaro no município.

Corre nos bastidores da política que o próprio governador, renegando o seu partido (o PSB), teria “oferecido” ao deputado Amaro a Prefeitura da Serra. O pano de fundo seria três: tirar Amaro Neto e o presidente da Assembleia Legislativa, Erik Musso – ambos do PRB – do “colo” do ex-governador Paulo Hartung; desidratar uma possível candidatura de Audifax Barcelos ao Palácio Anchieta, em 2022 e tirar Amaro da disputa pela prefeitura da capital, onde aparece bem na frente dos até então possíveis candidatos do PPS, partido de Luciano Rezende, fiel aliado de Casagrande e do PSB.

Ainda segundo as informações de bastidores, nesse “pacote”, entraria inclusive o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), que perdeu autonomia e hoje estaria muito dependente das vontades do governador.

Migalhas para quem ficar na sobra

Mas não é só Casagrande que está “paparicando” Amaro não. O prefeito Audifax, vendo a “onda”, antecipou-se e formou uma aliança com o presidente da Assembleia e com Amaro, em que entra a Prefeitura da Serra.

Nesse tabuleiro político, o que está em jogo é o poder. Casagrande não quer “pagar o mico” de perder a eleição em Vitória para Amaro e quer vencer na Serra para enfraquecer Audifax. Por sua vez, Audifax precisa passar o bastão para um aliado e continuar no jogo para o Palácio Anchieta.

Onde ficam aí Bruno Lamas (PSB), Sérgio Vidigal e Vandinho Leite (PSDB)? Bem, esses seriam coadjuvantes. Bruno, por falta de forças para contrapor o “chefe” Casagrande; Vidigal, por assistir às suas forças reduzirem a cada eleição; e Vandinho, para não ser “atropelado” pelo contexto político.

 

PSB e a crise na Serra

Por Yuri Scardini

Há duas semanas, houve uma reunião a portas fechadas, fora da agenda oficial, entre o governador Renato Casagrande (PSB) e o presidente da Câmara Municipal, Rodrigo Caldeira (Rede). O fato causou surpresa no meio político serrano, uma vez que o município vive uma grave crise institucional entre o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), e vereadores de oposição, liderados por Caldeira.

Perguntado sobre a reunião, Casagrande não quis falar pessoalmente e escalou a assessoria para blindá-lo. Esta, por sua vez, respondeu sem de fato esclarecer as dúvidas levantadas pelo Tempo Novo. Afirmou que Caldeira apareceu fortuitamente no Palácio Anchieta e Casagrande o atendeu, pois estaria com tempo disponível. A informação por si só já causa espanto.

Já sobre a pauta da reunião, o governador afirmou que era para tratar de investimentos na Serra, mas sequer detalhou o assunto. Segundo informações de bastidores, outra reunião (dessa vez com mais vereadores) estaria para ocorrer a qualquer momento.

Não dá para negar que Casagrande já se envolveu nesse cabo de força político que se instalou na Serra. Mas por quais motivos um governador entraria numa briga local, repleta de acusações gravíssimas e com bastidores tão perversos?

No primeiro olhar, a resposta mais superficial à pergunta é: derrubar Audifax transformará a vice, Márcia Lamas, em prefeita da Serra; e, é claro, ela é do PSB, e pode dar sustentação política à futura candidatura do filho, o secretário de Casagrande Bruno Lamas.

É um raciocínio linear, mas não combina com o perfil de Casagrande e, segundo informações do QG dos Lamas, eles próprios andam meio divididos com esse papo de derrubar Audifax.

Estamos em 2020 ou em 2022?

Mas talvez Casagrande tenha outros pontos de vista. Ele é governador pela segunda vez, está na vanguarda da leitura de realidade. Será que ele não estaria se antecipando para 2022?

Vale lembrar que, no próximo dia 7 (terça-feira), o Tribunal de Contas (TC-ES) vai julgar as contas de Audifax referentes ao exercício de 2016. O documento que será apreciado pelos conselheiros é a Instrução Técnica Conclusiva de nº 02296/2018-3, que recomenda ao TC-ES enviar um parecer à Câmara da Serra orientando a rejeição das contas de Audifax.

Segundo a pauta publicada no site do Tribunal, a relatoria do processo (nº 05186/2017-1) caiu exatamente nas mãos de Luiz Carlos Ciciliotti, ex-presidente estadual do PSB – partido de Casagrande – e nomeado pelo mesmo em fevereiro desse ano para ocupar a vaga de Conselheiro do órgão de contas.

Caso o TC-ES mantenha a orientação pela rejeição das contas de Audifax, o documento será encaminhado à Câmara para apreciação dos vereadores. Lá, entre 23 parlamentares, são 16 oposicionistas que dominam a Mesa Diretora e as principais comissões internas.

A previsão é que a tramitação do documento galope pela pauta legislativa, confirmando a rejeição e, consequentemente, deixando Audifax inelegível por oito anos, tirando-o sumariamente da disputa para governador em 2022.

Além desse flanco, tem as contas de 2013 e 2014 que tramitam no Legislativo Municipal. Apesar de o Tribunal de Contas orientar pela aprovação nos dois casos, o momento político da Serra está tão friccionado que não se pode descartar a hipótese de os vereadores ignorarem o parecer técnico e votarem pela rejeição.

Futuro da Câmara de Vereadores

Politicamente, Audifax está num contexto de formação de um novo grupo político no Espírito Santo paralelo à Casagrande e que tem o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PRB), e o deputado federal Amaro Neto (PRB). Esse grupo tem DNA remanescente do ex-governador Paulo Hartung, adversário político de Casagrande.

Esse movimento de oposição que quer cassar o prefeito já desgasta a todos os envolvidos, uma vez que a população não irá separar “alho de bugalho”. Além disso, são grandes as chances de ninguém obter êxito: nem Audifax suprimir a oposição em totalidade nem os parlamentares conseguirem cassá-lo.

Enquanto isso, o exército de 500 futuros candidatos a vereador anda por aí apostando numa onda de renovação. Alguns já se perguntam pela cidade se a Câmara não estaria servindo como “boi de piranha” para atender a outros interesses ainda maiores.

 

O trunfo na crise institucional

Por  Yuri Scardini

Com o passar dos dias, desde que estourou a crise institucional na Serra há três semanas, a política local vai caindo na realidade. Na avaliação de muitas lideranças políticas daqui e de fora da cidade, essa crise que colocou em choque o prefeito Audifax Barcelos (Rede) e parte da Câmara de Vereadores vai desgastar a todos e não haverá resultados objetivos para nenhum dos lados.

Isso quer dizer que nem Audifax vai conseguir suprimir em totalidade o movimento de oposição capitaneado pelo presidente do Legislativo, Rodrigo Caldeira (Rede), e nem os vereadores vão conseguir cassar o prefeito. Na prática, esse cabo de guerra vai fazer “sangrar” politicamente ambos os lados por esses longos 21 meses que restam de mandato.

Já a população, alheia a todo esse bastidor, desconfiada, insatisfeita com a política brasileira e mergulhada nas diversas crises federativas de desemprego, fome, dengue e afins, vai colocar todo mundo na mesma vala. Isso porque há um tiroteio de acusações mútuas que faz qualquer um ficar zonzo e também por saber que não há pureza na política, e o que vale mesmo são os diversos interesses.

E os vereadores, que parecem ter pautado suas realidades em torno de grupos de Whatsapp que pouco têm ressonância num sociedade de meio milhão de pessoas e que já vêm de um longo desgaste em suas imagens públicas devido ao histórico de confusões na Câmara, podem acabar todos no mesmo barco.

Quem está morrendo de rir é o exército de cerca de 500 futuros candidatos ao cargo de vereador em 2020, que terão as portas abertas em diversos partidos e que já percorrem nas ruas se vendendo ao eleitor como antítese dessa bandalheira política. Isso deve potencializar a onda de renovação observada no Brasil em 2018 e tem tudo para varrer a Serra em 2020.

O trunfo de Audifax é que ele não estará diretamente na eleição e, na pior das hipóteses, caso saia do mandato desgastado por conta do movimento oposicionista, ele pode se abster de, publicamente (apenas publicamente, para frisar), apoiar alguém em 2020.

Audifax quer ser governador, e mesmo com essa crise política na Serra, há outras 77 cidades capixabas totalmente alheias a isso. Portanto, em nada mudaram os planos do prefeito, que vem em intenso trabalho de bastidor junto com os deputados Erick Musso (PRB) e Amaro Neto (PRB) para formar um “novo” grupo político no Espírito Santo sob olhos atentos do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), queridinho do apresentador Luciano Huck, cotado como presidenciável nos próximos anos.

 

 

A Findes e o pires na mão

Por Bruno Lyra

Questionada sobre os impactos da redução da produção da Vale ao parque industrial capixaba, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) disse, na última semana, que as operações da mineradora estão normalizadas no estado.

A declaração contrasta com informação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou recuo de 9,7 % na produção industrial capixaba em fevereiro. Foi o maior recuo do país entre os estados analisados. E, conforme o próprio IBGE, a queda foi resultado do rompimento da barragem de Brumadinho e a subsequente paralisação de dezenas de outras lavras da mineradora em Minas Gerais, por conta do risco de novos rompimentos.

Aliás, o estado mineiro também sofreu recuo de 4,7% em fevereiro. Para o IBGE, o tombo no Espírito Santo foi maior, porque o estado tem indústria menos diversificada; portanto, mais dependente do arranjo minero-siderúrgico puxado pela Vale.

A afirmação da Findes está na contramão de todas as leituras. Soa como um otimismo por osmose ou hábito que, além de prejudicar visão sobre mudanças no setor minero-siderúrgico, escancara a profunda dependência da modesta indústria local em relação a esse arranjo.

A mesma Findes que abrigou, em seus quadros, Ricardo Vescovi, ex-presidente da Samarco (Vale + BHP Billiton) à época do estouro da barragem em Mariana, episódio que afetou profundamente o ES, derrubando em quase 10% o PIB do Estado. 

A Federação tem o vício de ler o Espírito Santo com a lente dos chamados grandes projetos. Os capixabas não são donos de grandes indústrias e esperam, de pires na mão, o que elas podem dar. Talvez isso explique o viés do discurso.

Esses mesmos capixabas assistem passivamente ao aprofundamento de desigualdades regionais. Agora que os municípios capixabas poderão receber royalties da mineração, a maior parte deverá ficar com Vitória. A capital exerce uma espécie de “pirataria tributária” em Tubarão, devorando impostos municipais nos dois portos do complexo, das oito usinas de pelotização da Vale. E ainda pega metade dos tributos da Arcelor Mittal, que está na Serra.

Está nebuloso o cenário para a economia do Espírito Santo – e da Serra – nos próximos meses, quiçá anos. Para completar o drama, a conjuntura econômica e política nacional seguem instáveis.           

Vitória não é da Serra

Por Bruno Lyra

No último dia 3 de abril, foi publicada a resolução da Agência Nacional de Mineração (ANM) que altera a forma de distribuição dos royalties da mineração. Agora, municípios não produtores, mas que são impactados pela atividade minerária como operações portuárias com minério, poderão receber.

A princípio, é uma boa notícia para o Espírito Santo, que nessa década foi prejudicado com o fim do Fundap e com a mudança nas regras de distribuição dos royalties do petróleo, que também passaram a ser direcionados para estados não produtores.

Não será esta, porém, uma medida para atenuar a péssima imagem do setor de minério após o rompimento das barragens em Mariana e Brumadinho, ambas em Minas Gerais, e justificar a manutenção do atual modelo de produção? Só o tempo dirá.

Outra reflexão é salutar para Serra e até para outras cidades da Grande Vitória impactadas pelas operações nos portos do Complexo de Tubarão. É que, a princípio, só Vitória poderá ser beneficiada pelos royalties referentes à movimentação de minério de ferro no porto, uma vez que, oficialmente, os portos operados pelas mineradoras ficam no território da capital.

Para a Serra, poderá vir um valor bem mais modesto por ter ferrovia, pela qual o produto é transportado. Se de fato os royalties referentes à movimentação de minério nos portos forem só para Vitória, será uma imensa injustiça. E tal injustiça já existe em relação à tributação ao complexo siderúrgico operado por Vale e Arcelor, em que os impostos municipais incidentes sobre as atividades nas oito usinas de pelotização da Vale e nos portos de Praia Mole e Tubarão são faturados em Vitória. E metade do complexo de fabricação de aço da Arcelor – não obstante o fato de a empresa estar em território da Serra – também é faturado em favor da capital.

Vale muito as lideranças da Serra ficarem de olho para a cidade não ser, mais uma vez, prejudicada por interesses da elite política e econômica da capital. Afinal, os acessos rodoviários e ferroviário ao complexo ficam na Serra. O pó preto e os gases siderúrgicos também assolam o morador serrano tanto quanto quem reside na capital. Além disso, há controvérsias quanto à divisão territorial entre as duas cidades e o complexo de Tubarão.

Modelo Jeremias é melhor

Por Helio Maldonado 

O “eu” de hoje não é o “eu” de ontem e nem será o “eu” do amanhã. Essa frase quer simbolizar aquilo que o filósofo grego Heráclito disse sobre a consciência: “Não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, porque a água se renova a cada instante”. Logo, podemos dizer que não existe uma ontologia existencial do “ser” do indivíduo. Em outras palavras do cotidiano: ninguém nasce bandido!

Em verdade, como diagnostica a sociologia, o indivíduo é o produto do meio em que habita. E no Brasil, país periférico, as “promessas da Modernidade” não alcançaram a maioria esmagadora da população. Temos problemas reais de educação (12 milhões de pessoas analfabetas) e desemprego (13 milhões de pessoas desocupadas), gestando esse quadro do atual estado das coisas uma legião de “jovens nem-nem”: nem estudam e nem trabalham.

Inobstante a isso, o Senador Flávio Bolsonaro apresentou, em data recente, proposta de emenda à Constituição para reduzir a maioridade penal para 14 anos nos crimes de tráfico de drogas e sua associação. Doravante, ditos criminosos mirins irão cumprir pena privativa de liberdade no atabalhoado sistema penitenciário brasileiro. Ou seja, esses adolescentes passarão a ser “nem-nem-nem”: nem estudam, nem trabalham, nem têm liberdade para agir de maneira diferente.

A proposta de Flávio Bolsonaro vai de encontro à Constituição, pois agride o dever prestacional dirigente do Estado brasileiro de promover “Justiça social”, por meio da implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento em geral do adolescente.

Exemplo disso é o “Projeto Legal”, executado a partir de parceria público-privada já há duas décadas, em Central Carapina, sendo fornecido a mais de duzentos beneficiários inserção e capacitação cultural para o futuro. O coroado fruto desse trabalho é o do menino Jeremias Reis, de 12 anos. Assim, certo é que, para reversão holística do atual estado das coisas que recai no Brasil sobre a adolescência, em detrimento da visão de mundo de um “Estado Policialesco”, devemos seguir com a realização do “Estado de Bem-Estar Social”, e assim agirmos pela ética da alteridade e da responsabilidade.

Liberdade de expressão

Yuri Scardini

Nas últimas semanas, a Serra mergulhou numa crise institucional entre Câmara Municipal e Poder Executivo. Em meio ao tiroteio desse cenário político de tom belicista, o Tempo Novo virou alvo de vereadores, assessores raivosos e outros servidores de ambos os poderes.

Para aqueles que ultrapassam os limites da prerrogativa constitucional da liberdade de expressão e navegam pelos turbulentos mares da injúria, da calúnia, das fake news e, especialmente, das ameaças e torpes tentativas de intimidação, um aviso: este jornal não vai se envergar a pressões arguciosas e, muito menos, se afogar nas retóricas conflitantes de ambos os lados; mas, sim, fincar os pés na lucidez de quem respira a Serra há quase quatro décadas e, daqui, acompanhou o surgimento de pretensos poderosos e suas decadências rumo ao ostracismo. O poder é fluido e escorre como chuva.

O Tempo Novo não tem a pretensão de ser o dono da verdade, assim como ninguém o é; muito menos está livre de críticas, assim como ninguém está. Todavia, este jornal não vai se refutar a exercer seu papel junto à sociedade local como um legítimo órgão de imprensa.

Nesse oceano de retóricas conflitantes que tomou a Serra, embarcar de cabeça em movimentos desproporcionais, mal explicados, que guardam elementos anti-democráticos e motivados por duvidosos interesses, é uma irresponsabilidade republicana à qual o Tempo Novo não vai se permitir; assim como deslegitimar a função constitucional dos representantes do povo é um erro inescusável.

Portanto, cabe ao jornal trazer os fatos e apontar as contradições, assim como têm sido feito. Dando espaço para os atores envolvidos darem suas versões, buscando a opinião da sociedade civil organizada e trazendo luz à escuridão por meio do jornalismo livre, que é uma das ferramentas civilizatórias mais retumbantes.

Conforme o degringolar dessa crise, daqui a 20 ou 30 anos, poderá haver pessoas nesta cidade que vão se recordar desse evento político, que colocou em choque os principais líderes dos Poderes locais e, por isso, o prefeito Audifax Barcelos (Rede) e o presidente da Câmara, Rodrigo Caldeira (Rede), estão unidos pelo processo histórico.

E o que o jornal espera é que o subproduto dessa instabilidade seja o amadurecimento das instituições e o aperfeiçoamento da democracia. E que isso possa se transmutar em benefício para a população. Ainda mais nesse cenário nacional de retração econômica e aumento da demanda por serviços públicos, associada ao complexo contexto da Serra e seus 500 mil habitantes. 

Escárnio na Serra não Vale

Bruno Lyra

O projeto de lei de autoria do executivo protocolado na Câmara, no último dia 21 de fevereiro, para proibir descarte de rejeitos da Vale na Serra é justa reação da cidade. A notícia de que uma pedreira abandonada aos pés do Mestre Álvaro seria usada para jogar 36 mil m3 cúbicos de minério de ferro com areia marinha – o que equivale a 1.118 caminhões caçamba de três eixos – surgiu no final de 2017, quando a Vale assinou Termo de Compromisso Ambiental (TCA) com Estado, Ministérios Públicos Estadual e Federal.

O TCA livrou a mineradora de processos judiciais e abriu caminho para a renovação das licenças de Tubarão. Em contrapartida, além da redução do pó preto, a empresa teria que fazer um parque urbano em Vitória (já inaugurado) e retirar o minério que há décadas suja a porção norte da Praia de Camburi.

Esta última ação beneficiaria Vitória e viraria ônus para a Serra. Embora a Vale nunca tenha afirmado nem negado que os rejeitos podem vir para a Serra, a área aos pés do Mestre Álvaro foi licenciada pelo Estado em favor da empresa Marca Ambiental – especializada em aterros de resíduos – para receber rejeitos com as características do minério com areia. Isso dias depois da assinatura do TCA.

É justa a reação do município. A Serra sofre com impactos ambientais e sociais da implantação do complexo de Tubarão. Mas fica com parte menor dos impostos, pois a maior fatia vai para Vitória. Não obstante, o município coloca mais de R$ 1 milhão por ano na Estação Conhecimento, projeto ligado à Vale e usado pela empresa para publicidade e balanço de suas ações de responsabilidade social.

Tudo isso num contexto em que a mineradora deixou o Brasil estarrecido com o estouro da barragem de Brumadinho e Mariana – esta última da Samarco, joint venture controlada por Vale e BHP. Centenas de pessoas mortas e milhares afetadas pela contaminação dos rios São Francisco, Doce e oceano Atlântico, e ainda outros milhares afetados pelo desemprego com a consequente paralisação das atividades do arranjo mínero-siderúrgico.

Estarrecimento que ganhou novos contornos esta semana com a indecente proposta dos governos federal e mineiro de ceder à Vale a gestão de parques nacionais – incluindo o emblemático Caparaó – em troca de a empresa não ter que pagar multas milionárias pelo crime ambiental de Brumadinho. Escárnio tem limite. E a Serra está dando o seu recado.

Reorganizando o crime?

Por Eci Scardini

Desde 1º de janeiro de 2017, a Serra vem protagonizando momentos de muita tensão na esfera política, com desdobramentos na administração municipal. Começou com uma sessão tumultuada, que elegeu a vereadora afastada Neidia Pimentel para a presidência da Câmara. De lá para cá, a política do município não foi mais a mesma e praticamente a cada seis meses um novo round acontece para abalar quem vive na política e também para enlamear o nome da cidade em todo o estado.

Esse de agora é o mais grave de todos, pois atravessou os limites do Legislativo, indo de encontro ao poder Executivo. Como sempre, o caso foi bater as portas do Judiciário e, novamente, é travada uma guerra entre os dois grupos em busca de liminares para fazer valer os interesses e direitos de cada parte.

É possível que as cabeças pensantes da Câmara Municipal, juntamente com alguns atores que se movem de forma oculta nos meandros do nosso Legislativo, tenham subestimado a obstinação do prefeito Audifax Barcelos em defender o seu mandato e, concomitante, a sua honra.

Audifax partiu para o contra-ataque com a fúria de um titã e surpreendeu o mercado. A retórica dos vereadores de apurar supostas fraudes fiscais na prefeitura da Serra – que no primeiro momento agradou o público – perdeu força diante da retórica do prefeito de que o crime organizado, que perdurou por 12 anos na política capixaba, está ressurgindo na cidade, ganhou as ruas e, aos poucos, vai sufocando o discurso dos adversários.

Um organograma com nomes de pessoas ligadas à era Gratz ocupando cargos importantes na Câmara e a vinculação de outros nomes que operam no Legislativo de forma oculta acendeu o sinal amarelo no meio político capixaba e fez com que muita gente graúda ligasse suas antenas. Afinal, trata-se de um passado nebuloso que julgavam estar sepultado.

O caso está longe de terminar; muitas verdades e factóides poderão surgir a qualquer momento. Existem incendiários alimentando a fogueira com combustíveis, mas há também muitos bombeiros tentando apagar a mesma.

O povo, que é o álibi de todos os políticos, não merece passar por essa fogueira.

 

Dando bola ao futebol

Por Bruno Lyra

Desde o final da década de 1990 sem participação expressiva no cenário nacional, o futebol capixaba é sim um produto viável. Este ano, o Estadual vem despertando mais interesse do torcedor que nos anos anteriores.

Até agora, o campeonato tem média de 700 torcedores por partida. No total, já levou mais de 37 mil pessoas aos estádios. Claro, número muito modesto perto dos principais certames do país. Ainda assim, já é um alento e indicador de potencial, uma vez que em 2017 e 2018 a média de expectadores pagantes nos estádios foi, respectivamente, de 356 e 478 torcedores por jogo.

Ajudou a incrementar a média deste ano o fato de vários times tradicionais estarem na disputa: Rio Branco, Desportiva, Serra, Vitória e Estrela. E também o Rio Branco de Venda Nova, que embora não seja tão tradicional quanto os anteriores, é “abraçado” pelos torcedores locais quando joga em casa.

Também ajudou a subir a média de público a contratação do veterano atacante uruguaio Loco Abreu pelo Rio Branco. Isso atiçou o torcedor Capa Preta e também os rivais. Tanto que o clássico contra a Desportiva, na terceira rodada, atraiu 5,3 mil pagantes ao Kléber Andrade. O maior público até agora do campeonato.

O Serra, apesar do desempenho modesto em campo – o time foi eliminado no último final de semana -, ajudou a despertar o interesse no Capixabão ao bater o Remo pela Copa do Brasil e repetir o feito só conquistado por outro capixaba em 1994, com o Linhares: classificar um time do Espírito Santo para a segunda fase da competição nacional.

No duelo contra o time paraense, o Serra levou 1,5 mil torcedores ao Robertão. E depois, contra o Vasco no Kléber Andrade, saiu de cabeça erguida ao perder por “apenas” 2 a 0 contra um clube com investimento muito superior, diante de 15 mil torcedores no estádio e milhões pelo Brasil, já que o confronto foi exibido na TV Globo, em horário nobre.

Destaque, ainda, para as transmissões dos jogos do Capixabão pela internet, através do Torcida ES. Além de milhares de visualizações, cada partida teve centenas de comentários de torcedores. Prova da paixão dos capixabas pelos clubes locais, que merecem mais atenção das grandes indústrias e grupos econômicos que atuam no estado.

Portal Tempo Novo

Rua Euclides da Cunha, 394 - sl 103 e 104 - Laranjeiras, Serra, ES

CEP:29165-310 - Tel: 27 3328-5765

Todos os direitos reservados ao Jornal Tempo Novo © Desenvolvido por