Serra, 20 de julho de 2017

Portal Tempo Novo - O Portal da Serra, ES

Nosso Lugar e Tempo

por Pedro Paulo

O ocaso da Fams

O início da década de 1980 foi pura efervescência nos movimentos social e comunitário da Serra.

A população organizada parecia finalmente acordar para a triste realidade: a cidade não estava devidamente preparada para receber os grandes projetos industriais. As obras de implantação da CST, hoje Arcelor Mittal, e de novas usinas de pelotização da Vale, além de outros projetos em cidades vizinhas, expuseram essa dura realidade.

Os governos não anteviram a necessidade de infraestrutura adequada. Faltavam escolas, hospitais, serviços públicos e sobravam problemas. As poucas associações comunitárias organizadas foram pegas de surpresa. Reagiram. Com o apoio de partidos de esquerda e das atuantes Ceb’s (Comunidades Eclesiais de Base), em 1982 nascia a Fams (Federação das Associações de Moradores da Serra), uma preciosa ferramenta popular a serviço das comunidades no embate com a prefeitura por melhores condições de moradia. 35 anos depois essa história pode estar encaminhando para o seu final. Eleição realizada no dia 9 de abril colocou a entidade no “colo” da administração. Que outra definição possível, se a presidência é ocupada por um secretário adjunto da prefeitura?Aliás, o fato é recorrente, embora não deveria.

Em 2010 Vanuza Petri, então secretária municipal, presidiu a Fams. Nenhum dos casos é exemplo a ser seguido. Todos perdem com isso, principalmente as comunidades.Suas reivindicações não terão a mesma força, embora alguns pensem o contrário. Perde também o poder público, pelo mascaramento ufanista ante suas realizações. Veremos mais fechamento da BR 101 como forma de mostrar serviço e faixas – muitas faixas- agradecendo por algo que não passa de obrigação da prefeitura. E só. A exemplo da moribunda discussão do Orçamento Participativo, e se assim continuar, a Fams pode estar a caminho de um imerecido fim.

A saúde doente

Que a saúde pública em todo o país está com morte cerebral é fato. Ai de quem dependa exclusivamente do SUS. Quando a necessidade for um procedimento de alto custo o caos é total. Descaso, mau atendimento e falta de medicamentos básicos é uma realidade. E demora na marcação de consulta.

Como foi o caso da pequena Alessandra Souza, de apenas cinco anos, cadeirante e moradora na Rua Colibri, em Serra Dourada. Indignados pela demora de consulta para ortopedista, os pais resolveram procurar a Secretaria de Saúde da Serra. A bota ortopédica adquirida com tanto sacrifício já estava por perder a utilidade. A resposta da funcionária assustou de vez: “Não adianta reclamar. Tem outros pedidos na frente”.

Nem a matéria com uma rede de tevê acelerou o processo. Moradores da região que utilizam os serviços da Policlínica não suportam mais tanto descaso e ficam ainda mais assustados quando ao deparar, com área tão prioritária quanto a Saúde, ser utilizada como trampolim político por detentores de mandato público.

Ou qual nome deve-se dar quando resultados de exames ou data daquela consulta antiga e quase esquecida são informados ao morador na própria residência por assessores de um vereador? O que pode ser visto pelos mais humildes como bondade é, na verdade, um ato claro de corrupção feito possivelmente com a complacência de servidores da prefeitura.

Para piorar o quadro, agora a população é obrigada a conviver com o fantasma da gripe H1N1, responsável até esta data por 21 mortes no Espirito Santo e capaz de matar em poucas horas. Espera-se que as poucas vacinas oferecidas à população não estejam sofrendo esse tipo de influência política. Lutar por uma saúde de qualidade é dever de todos, mas usá-la em benefício próprio é crime.

Desemprego e esperança

Passos lentos e irregulares, cabeça baixa quase ao ponto de o queixo tocar o peitoral… As costas curvadas como se carregassem o próprio globo terrestre. No entanto, a carga é composta de papéis.

São as contas do mês com os companheiros códigos de barras, das poucas correspondências ainda entregues no prazo pelos Correios. Elas se avolumam numa gaveta qualquer. As desculpas são várias e a resposta não muda: Não há vagas. Mais um dia perdido acompanhado de outra noite mal dormida. Falo, ou melhor, escrevo por experiência própria. Numa dessas crises, já me encontrava na fase do “faço qualquer coisa”. Indicado por um vizinho conhecido por Gaúcho, me vi no interior da caixa d’água da Cesan em construção em Jardim Limoeiro. Na carteira, ajudante de pintor.

Um mês depois e o vento começou a soprar a favor. Um telegrama – hoje seria um e-mail – da então Companhia Siderúrgica de Tubarão me chamava para testes e futura admissão. Graças a Deus, agradeci assim. Difícil encontrar quem nunca passou pelo drama do desemprego.

É de doer o coração a atual situação da Serra. Antes uma referência de empregabilidade e hoje uma campeã na supressão de postos de trabalho. Mais triste ainda é não identificar ações eficazes no poder público local no combate ao desemprego. É preciso botar a mão na massa e criar oportunidades incentivando o empreendedorismo e criações de cooperativas, entre outras ações.

O trabalhador em busca de uma vaga não pode perder nunca a esperança. Ela funciona como força motriz que nos impele em busca de dias melhores. E dias melhores chegarão quando menos se espera. Às vezes pela ajuda de um vizinho, ainda uma das melhores formas de retornar ao mercado de trabalho.

 

 

 

 

Ódio e eleições

 

Não é um ódio qualquer; é ódio alimentado. E assustador, ao ponto de levar o arcebispo D. Luiz Mancilha Vilela a usar o tema na Missa do Oitavário, no Convento da Penha. A intolerância antes ocultada virou protagonista na vida de boa parte do povo brasileiro. Negros, nordestinos, comunidade LGBT, religiões de matriz africanas e classe política.

Li no Facebook de uma amiga: “Bom seria se político fosse gado e pegasse aftosa. A gente sacrificava o rebanho e pronto.” Para demonstrar o desprezo por aqueles que não honraram a confiança depositada e se apropriaram indevidamente de recursos públicos a pessoa tende a jogar todos no mesmo saco levando a uma avaliação equivocada.

Questionada fraternalmente alegou decepções pessoais quando ocupava cargo de confiança em certa administração pública. É pouco. O risco da contaminação pelo ódio é perigoso. Quando envolve a política então o efeito tende a ser trágico. As pessoas estão perdendo a capacidade de discutir suas diferenças dentro do respeito e da decência. A violência é o caminho. Primero verbal para daí descambar a troca de insultos e até socos e pontapés.

As eleições estão chegando e em nossa cidade da Serra veremos o confronto das duas principais forças políticas. Pesquisa recente mostrou a incapacidade de convencimento de quem se arvorou em se colocar como via alternativa para o eleitor serrano. Cada vez mais exigente quer saber de projeto e vai à busca do que entende ser o melhor para a cidade. No entanto, é necessário que a disputa se dê em clima respeitoso. A continuar o fomento do ódio e da intolerância principalmente nas redes sociais as eleições municipais poderão ser desastrosas do ponto de vista da segurança. Atentemos.

Dia Internacional da Mulher

Adotado em 1977 pelas Nações Unidas para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, o Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, deveria ser o momento ideal para nos levar a uma reflexão acerca do desrespeito ao público feminino na sociedade. Verdade seja dita, muitas conquistas já foram alcançadas.

No entanto, muitas vidas foram ceifadas, a exemplo das mais de uma centena de trabalhadoras da Triangle Shirtwaist, indústria têxtil na periferia de Nova Iorque, em 1911. Trazendo para os dias atuais, a luta continua! E a falta de respeito também. Na política, por exigência da lei eleitoral, geralmente são buscadas pelos partidos para completar a chapa de candidatos.

Ao final abandonadas à própria sorte, o mapa das eleições expõe a desigualdade e várias delas aparecem entre as menos votadas. Vale destacar: dentre os 23 vereadores da Serra apenas uma mulher. “Mas é a presidente!” gritariam aqueles a quem os dados cruéis possam não interessar.  No mercado de trabalho, outro quadro triste e acintoso.

Mesmo executando tarefas iguais e em posição de igual relevância a mulher recebe, em média, salário 30% menor do que o homem. Mas é no seio da sociedade que a tragédia se aprofunda. Os números da violência à mulher no ES nos assustam, ainda que tenhamos uma pequena queda a comemorar. Mais triste ainda é saber da contribuição negativa de nossa querida Serra.

Nem a recém-sancionada lei federal do Feminicídio (13.104/2015) foi capaz de frear a violência contra a mulher. Isso só vai acontecer quando a sociedade através da família entender a necessidade de uma mudança de postura e deixar de ver a mulher como simples objeto.   Então, além dos votos de congratulações de sempre sugiro acrescentar o compromisso de cada um para diminuir os índices da desigualdade. Ai, sim, teremos condições de explodir de alegria e gritar uníssonos: Viva o Dia Internacional da Mulher!

Chegou o carnaval!

A Serra é uma cidade festeira. No ciclo religioso rende homenagens a cinco santos diferentes: Nossa Senhora da Conceição e do Rosário; São Benedito, São Pedro e São Sebastião, responsável por deixar Nova Almeida ainda mais aprazível. Quando o assunto é festa popular, não poderia ser diferente. Descontando aquela parcela que aproveita para cuidar de questões de espiritualidade e fé, o carnaval toma conta da cidade. Iniciada oficialmente com o imperdível Banho de Mar a Fantasia, em Maguinhos, a folia se espalha por vários bairros e regiões.

Ritmos como marchinhas, congos e sambas de enredo – entremeados pelo axé amado por uns e odiado por outros – dão o tom da festa. São cerca de trinta blocos, sem contar os vinte do Banho de Mar. E três escolas de samba. Vivendo a realidade de Serra Dourada, onde o quase trintão “As Moças” é paparicado até por moradores não afeitos aos festejos de Momo, afirmo que a atual crise despertou no folião o desejo de se divertir ainda mais.

Ou seja, como diz o samba de 1983 do Salgueiro: “O carnaval é a maior caricatura/Na folia o povo esquece a amargura”. Mensagens nas redes evidenciam o desejo por uma brincadeira sadia. No carnaval, identifico na Serra a mesma animação de meus tempos de criança no Rio de Janeiro e o bairro Serra Dourada coirmão de Madureira pelo respeito à cultura popular.

Problemas infelizmente vão existir (acontecem fora do carnaval e até em festas cristãs). O importante é cada um fazer da principal festa popular brasileira um momento de diversão cercado no mais profundo respeito. Então, aos foliões: feliz carnaval! À turma determinada às orações: feliz Vinde e Vede! E sejamos todos felizes sem moderação.

Reaja, tricolor serrano!

Certas lembranças existem para nos fazer sofrer. Ou para que, sofrendo, reajamos.

Em 1999 os serranos amantes do futebol tinham finalmente motivo para comemorar. Acostumado a torcer para equipes do Rio de Janeiro, o serrano , enfim, batia no peito cheio de orgulho:
O Serra FC era campeão estadual com uma rodada de antecedência após derrotar o São Mateus por 1×0, gol do artilheiro Betinho.

Era noite de 15 de julho e o Engenheiro Araripe, lotado, viu a uma verdadeira explosão de alegria dos orgulhosos serranos. Ainda naquela noite, e rompendo a madrugada, os atletas desfilaram em carro aberto pelas ruas de Serra Sede.

A euforia tomou conta da cidade. Participei nos dois momentos naquela noite. Sempre que podia acompanhava os jogos do Serra. O time campeão contava com os seguintes atletas, entre outros: Cláudio Márcio; Carlinhos, Silvério, Cavalini e Alex Passos; Juninho (atual prefeito de Cariacica), Leco, Gerson e Geovani (ex-Vasco e Seleção Brasileira); Joelson e Betinho. Bons tempos. O motivo de tanto saudosismo, explico: Inconformidade maiúscula.

O Tricolor Serrano cinco vezes campeão da primeira divisão do Capixabão (1999,2003,2004,2005 e 2008), rebaixado em 2012 amarga inacreditável ostracismo sem que nenhuma voz se levante em protesto à situação constrangedora. Cadê a vibrante e aguerrida torcida Cobra-Coral? O futebol no Espírito Santo dispensa comentários.

Estado não consegue sair da Série D e um dos principais problemas certamente tem a ver com a falta de profissionalismo do setor. No entanto, pode ficar ainda pior se não houver mobilização por parte dos amantes do esporte. O ocaso do Serra FC não pode ser aceito com tanta complacência. Não podemos aceitar um patrimônio da cidade ser tratado com tanto descaso.

Em briga de marido e mulher…

O cronista é antes de tudo um forte (ou um ladrão de frases, como essa inspirada em passagem de Os Sertões, Euclides da Cunha). Para ele ganha dimensões literárias um fato corriqueiro deixado de lado em minutos por outros mortais.

Uma força superior diz: “Põe no papel. Deve interessar a alguém”. E a crônica começa com uma frase ridícula: Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Noite de domingo após a missa.

No caminho para a casa um bar e muitos conhecidos. Serra Dourada é uma festa constante. Cumprimento a todos da calçada. Então, uma senhora chega e pede ajuda apontado pro outro lado da rua onde um casal rola pelo chão. Beberam e estão se matando, ela diz chorosa ligando para a polícia. Nenhuma das cerca de vinte pessoas, a maioria homens, se dispõe a ajudar. Lá vou.

Ele está por baixo e tenta acertar-lhe nos francos, enquanto ela derrubada por um soco no rosto agora lhe crava os dentes no peito. Sagram. Quadro horrível. Como as palavras são insuficientes, sou obrigado a usar de energia para separa-los. Beberam além da conta, agora quem manda é o álcool. Cada um cobra do outro contas atrasadas provenientes de supostos casos de infidelidade.

De hoje ela não passa, garante ele. A vizinha a conduz para casa. O homem quer ir atrás, mas não deixo. Lembro-me dos números nada animadores que colocam a Serra como uma das cidades campeãs (triste título…) da violência à mulher e procuro evitar o pior. A briga acabou. A polícia demorou, mas chegou e agora toma procedimentos padrões.

Retornando à calçada do bar ouço novamente a frase abertura da crônica. A sociedade tem muito a fazer para diminuir os números da violência na cidade. É uma luta contra ela mesma. Ainda assim não perco a esperança de dias melhores.

Bloco do Enganation

A chamada minirreforma eleitoral aprovada recentemente trouxe menos novidades do que se esperava. Uma das mudanças mais significativas foi a redução do prazo de filiação partidária, que caiu de um ano para seis meses. A exigência de domicílio eleitoral, entretanto, continuou inalterada, permanecendo em 1 (um) ano.

Outra mudança relevante, que está relacionada à redução de custos, foi a redução do período de campanha, que cai de 90 para 45 dias, e do período de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, que cai de 45 para 35 dias. Mas nada disso parece estar realmente valendo. Pelo menos na Serra.  É comum encontrar pelas ruas da cidade adesivos tipo “Fulano vem aí” numa clara alusão a uma possível candidatura.

Não apenas isso. Nos bairros, pretensos (pré) candidatos a vereador já começaram a botar o na rua o ”Bloco do Enganation”. Geralmente descabidas e sem qualquer compromisso com a verdade tais promessas, além de ser uma forma de burlar a legislação, mostra bem o caráter de quem as utiliza. Abusando da bondade e até certa ingenuidade do morador, prometem tudo que esteja abaixo do céu.

A lista é extensa e vai desde cargos na futura assessoria até – pasmem! – lote ou escritura de casa. Aliás, o assunto rende até um comentário. Após a promessa da tal escritura, o “escolhido” da vez, um morador de um conjunto na região do Civit, ético ao contrário do “bondoso” candidato, resolveu abrir o jogo informando que no caso dele não seria possível por morar de aluguel.

O corrupto tascou: “Sem problema. A escritura será feita no seu nome mesmo assim”. É hora de o Tribunal Eleitoral lembrar que a campanha só começa em 15 de agosto e que a compra de votos é crime.

 

A Serra Sede merece respeito

Temos acompanhado com atenção a luta dos moradores e comerciantes do centro da Serra pela manutenção do fórum e instalações na sede do município. Ainda que em nenhum momento ninguém do judiciário capixaba bateu o martelo decidindo pela retirada das instalações, a movimentação por parte da comunidade é um claro recado às autoridades judiciárias.

O serrano sabe que o seguro morreu de velho. Não obstante o crescimento econômico observado também em outros pontos da mais populosa cidade do Espírito Santo, a região onde está situada a sede administrativa a famosa Serra Sede não pode ser desprezada ou desmerecida por sua importância econômica e histórica.

O serrano, sempre atento na defesa dos interesses da região, é muito precavido e sabe bem como contrapor e lutar ao menor sinal de ameaça interna ou externa. Exemplos não faltam para esse pé atrás. Em meados da década de 1980, o bochicho era por conta de uma suposta articulação política por emancipação do distrito de Carapina.

O tal movimento – se é que existiu- foi debelado mais rápido do que o incêndio causado pela turfa.  O serrano, então, respirou aliviado. Por pouco tempo. No início da década de 1990, nova ameaça: prefeitura e câmara de vereadores e demais órgãos da administração pública municipal sairiam de Serra Sede para uma área onde hoje está localizado o bairro Residencial Centro da Serra (antigo Macafé).

Era a tal Nova Serra, e o projeto não vingou devida a oposição ferrenha de figuras respeitabilíssimas do porte do ex-prefeito Naly da Encarnação Miranda e ex-vereador Luiz de Deus Amado, auxiliados humildemente por este cronista. Então vereador da cidade, emprestava o gabinete para reuniões.

Luiz Amado está vivo, bem de saúde e pode testemunhar. O serrano sabe que se cruzar os braços verá nossa querida Serra Sede se transformar numa nova Cariacica Sede. Uma história tão rica não merece um destino desses.

Um remédio contra as drogas

O Mapa da Violência divulgado recentemente coloca o Espírito Santo em segundo lugar nos homicídios de adolescentes. São 140 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes, ficando atrás do estado de Alagoas. A Serra contribui para esses dados nada honrosos.

A maioria das mortes traz ligação com o uso e tráfico de drogas, uma triste realidade em vários bairros, independente de status social. Drama. Os governos não conseguem dar a resposta necessária e as famílias envolvidas parecem acometidas de cegueira psicológica que as impedem de ver o óbvio.

Não precisa ser especialista no assunto para perceber a mudança de comportamento do adolescente prestes a se lançar no mundo das drogas. Os primeiros sinais são gestos esquivos e pouca fala. Depois, a busca de isolamento para daí incorporar um estilo agressivo que vai aumentando até transformar-se em violência contínua.

É impressionante – e assustador – o poder de atração exercido sobre o jovem desavisado. Cooptado, o pobre viciado vira um mero instrumento a serviço da expansão dos domínios de traficantes. A família, geralmente ausente, só recebe o ente querido de volta para prepará-lo a um sepultamento digno.

Antes de corrigir com sermões, surras e prisões, façamos uma aliança forte e indestrutível que pode começar com uma frase conhecida: Eu Te Amo.  Fale isso para seu filho e sua filha. Fale isso para seu pai e sua mãe. Homens e mulheres separam-se todos os dias, mas nunca veremos ex-pai, ex-mãe ou ex-filhos.

Sabemos que a droga é tão forte que vitima mesmo aquelas famílias onde essa relação de amor sempre existiu. Mas não tenho a menor dúvida de que o melhor remédio na prevenção às drogas é o amor, especialmente o amor entre pais e filhos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um ponto de partida

Em realização conjunta da Academia de Letras e Artes da Serra (Aleas) e Conselho de Cultura começa na segunda, dia 24/8, e segue até sexta-feira, 28/8, a Semana do Artista. A programação reúne várias expressões culturais como literatura, música, dança, artes plásticas e cine vídeo, e será desenvolvida nas dependências da Câmara Municipal. Fechando a Semana, uma sessão solene em comemoração aos 22 anos de fundação da Aleas. O evento tem por objetivo comemorar o Dia do Artista lembrado pelos artistas de todo o Brasil no dia 24/8, em homenagem ao ator e diretor João Caetano, um ícone do teatro brasileiro.

Na condição de militante da cultura torço para que o evento sirva também para lançar luzes às questões de fundo de uma área que não tem recebido a merecida atenção do poder público. Uma cidade com cerca de meio milhão de habitantes, com uma vasta – e por vezes incubada – perspectiva de produção cultural não pode continuar sem um espaço decente que possibilite aos artistas de todos os níveis mostrarem sua arte a uma população cada vez exigente por melhores condições de vida. Um teatro ou um grande centro cultural é o mínimo a ser feito.

E à cultura cabe o papel de auxiliar no processo de desenvolvimento imaterial da sociedade onde esteja inserida. É necessária a expansão do número de bibliotecas públicas (são tão poucas a contar nos dedos de uma mão…), pois estamos perdendo para pequenas cidades do interior num quesito tão importante.

Passou da hora da Serra contar com uma secretaria de Cultura. Em eventos noutras cidades próximas, o artista serrano é motivo de chacota pela falta de apoio público à sua produção ou mesmo para realização de uma simples feira literária. Que a Semana do Artista sirva como ponto de partida para uma postura nova. A Serra cresceu.

 

Baixaria nas redes sociais

Chega a ser constrangedor o show de baixaria protagonizado por certos usuários das redes sociais. No Facebook então, é onde pegam mais pesado, principalmente se o alvo do ataque é figura pública ou político detentor de mandato eletivo. Na cidade da Serra o “espetáculo” é completo.

Pessoas destilando ódio e mau humor acima da média têm agido como se estivessem numa guerra, transformando a tecla Enter numa metralhadora giratória. Na maioria das vezes a agressão vem de pessoas antes aliadas do alvo atacado e que agora se sentem desprestigiadas. Batem sem dó nem piedade.

“Defeitos” não detectados por anos ou décadas são expostos descaradamente. São detentores da verdade e ávidos por vingança. Acometidos por uma cegueira virtual, nem o pífio número de curtidas ou compartilhamentos de suas sandices os fazem cair na real.

Para esses facebuqueiros a internet é uma terra sem lei onde se permite criar factóides e agredir a quem quer que seja e ficar impune. SQN!#SoQueNão. O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem garante liberdade de opinião e de expressão, mas essa liberdade não é absoluta e não deverá ser usada para incitar a violência e nem ofender a honra alheia.

Quem transgredir corre o risco – segundo a Lei 12.732/2012 – de pegar de três meses a ano de prisão. Ou seja, um passo em falso na rede pode levar o internauta a um local onde a navegação é um pouco mais difícil: a grade de uma prisão. É claro que as agressões não se restringem ao campo político: brigas entre vizinhos e pessoas comuns ganham contornos de novela mexicana. Mas aí já é outra história. Como falo no samba de 2011 do bloco As Moças de Serra Dourada: “Twitter, Facebook e alegria/Sabendo usar não vai faltar…”.

 

Boa Notícia

Por Pedro Paulo de Souza Nunes

Uma boa notícia a aprovação pelo Senado de projeto de lei que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) aumentando o tempo máximo de internação para menores de 18 anos que tenham cometido crimes hediondos. Atualmente o menor infrator cumpre pena de até três anos em centros de atendimento socioeducativo e com a alteração passa para dez anos.

Outro destaque é o aumento da pena para o adulto que usar o menor. A matéria ainda será analisada pela Câmara Federal, comandada pelo centralizador Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O projeto aprovado por 43 votos a 13 é uma resposta a recente aprovação de uma proposta de emenda constitucional (PEC) votada 24 horas após ser rejeitada pelo mesmo plenário (!).

Todo e qualquer membro do legislativo sabe – ou deveria saber – que uma proposta rejeitada não pode ser apreciada na mesma sessão legislativa. Ou seja, não antes de 2016. Uma afronta aos princípios legislativos que virou notícia em vários países, questionada até por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A redução da maioridade penal é uma ação típica de período pré-eleitoral, quando o parlamentar faz média e joga para a torcida dizendo estar votando pela vontade do povo, mesmo sabendo que seu ato poderá em curto prazo piorar a vida do cidadão, pois não vai reduzir a criminalidade entre os jovens.

A medida é questionada por entidades como CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; CONIC- Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil; e OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, entre outras, além de juristas e a maioria dos governadores que acertadamente não a veem como instrumento capaz de resolver os problemas causados a sociedade. O projeto do Senado é um alento e tomara seja aprovado pelos deputados.

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