Eci Scardini
As convenções partidárias estão acontecendo e com elas as definições dos partidos quanto às coligações, tanto para as chapas majoritárias (prefeito), quanto para as proporcionais (vereadores). Até aqui não tem havido surpresa: partidos que estavam sob as asas do prefeito Audifax continuam e aqueles que estavam sob as asas de Vidigal também continuam.
Os que estão fora das asas dos dois continuam soltos, mas sob a suspeita de que esse status só dura até as convenções, tendo em vista que o mercado político dá como certa a migração deles para o colo de Vidigal, como é o caso do PSDB e do PR.
Givaldo Vieira tão logo se elegeu deputado federal pelo PT, se colocou como pré- candidato a prefeito. Mas, como era esperado, não segurou a onda e há um bom tempo não se fala dele. A aparição mais recente de Givaldo foi quando o deputado usou o microfone para fazer um discurso eloquente contra o afastamento da presidente Dilma Roussef, na Câmara dos Deputados.
O PT ficou órfão e vagueia por aí afora buscando o melhor abrigo para os seus três vereadores. No pântano que é a política, por ironia, juntou-se ao seu algoz nacional, o PMDB, que também tem três vereadores e no ‘abraço de afogados’ estão à espera de uma mão, da Rede de Audifax ou do PDT de Vidigal. Por ironia, vê-se o governador Paulo Hartung (PMDB) mais empenhado em eleger Vidigal do que salvar o seu partido desse atoleiro.
Os três únicos nomes que se colocaram entre Audifax e Vidigal para disputar a eleição de prefeito estão com as suas pré-candidaturas com os dias contados. Vandinho Leite (PSDB) que se mostrava o mais musculoso, recebeu uma ‘sugestão’ do Palácio Anchieta e também de caciques de seu partido para se juntar a Vidigal. Isolado foi conversar; não fechou nada, está tudo em aberto, mas só o fato de Vidigal e o PDT falarem publicamente nesse sentido, já tira a esperança que o povo tinha de ter Vandinho como opção nesse monopólio político eleitoral que já dura 20 anos.
Pode ser que alguma outra negociação em outra cidade dê errado, desfaça essa aliança PDT/ PSDB e Vandinho volte para o jogo, o que seria salutar para a democracia serrana.
Política a lá torcida organizada
Coragem não falta para o presidente do Sindicato dos Servidores da Serra, Osvaldino Luiz Marinho (PRTB) e para o vereador Gideão Svenson (PR), que enxergando o alto grau de saturação do povo para com esse domínio exercido por Vidigal e Audifax, clamam por uma alternativa eleitoral e não se acanham em ir para as urnas contra eles dois.
Gideão esbarra na desconfiança de que a amizade entre Vidigal e o senador Magno Malta (PR) fale mais alto que o anseio da cidade e não permita sua pré-candidatura a prefeito em favor de Vidigal.
Osvaldino parece aquele galo garnizé, pequeno, mas brigão. Não tem medo dos gigantes Audifax e Vidigal, encara os dois como se fosse do mesmo tamanho, mas padece de um partido para coligar com ele e assim, formar uma chapa de vereador com condições de eleger pelo menos um dos candidatos.
Se ao final das convenções e dos respectivos registros de chapas ficarem só Audifax e Vidigal, pode-se resumir o seguinte: Givaldo foi medroso; Vandinho atropelado; Gideão sacado e Osvaldino jogado para escanteio.
Em meio a tudo isso há interesses de pessoas e partidos com o que pode vir na eleição de 2018, quando estarão em jogo os cargos de governador, vice, dois senadores (Ricardo Ferraço e Magno Malta) e de alguns deputados, tanto federal quanto estadual. Como não há compromisso dos caciques da política estadual para com a Serra, prevalecem os interesses pessoais.
É uma pena, uma cidade de 500 mil habitantes, 300 mil eleitores, se ver tolhida de ter cinco ou mais candidatos a prefeito e assim ter ampla liberdade de escolha. Estão fazendo da Serra um ringue, onde no tatame, encontram-se somente os dois postulantes ao cinturão de prefeito e nas arquibancadas a plateia, as torcidas organizadas, hostilizando o oponente e ovacionando o seu ídolo.
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