Como analisa o cenário nacional que está posto, considerando os resultados das pesquisas divulgadas?
É um cenário novo, a partir de um episódio muito triste, que foi a morte de Eduardo Campos (PSB). Marina Silva (PSB) está demonstrando maior capacidade de aglutinar o eleitor que não estava se encontrando nas candidaturas postas, justamente aqueles votos brancos, nulos e indecisos foram os primeiros a migrar para Marina. Isso provoca um efeito que parece ser definitivo, que é a eleição ser disputada em dois turnos. Antes do acidente não estava claro se as eleições seriam disputadas em um ou dois turnos.
Tirando a tragédia que aconteceu, eu diria que este é o debate que o país precisa viver. O país está vivendo o esgotamento de um ciclo, que começou com Itamar Franco (ex-presidente da República), e Fernando Henrique como ministro da Fazenda, quando foi instituído o Plano Real, que permitiu ao povo brasileiro voltar a ter uma moeda. O Real permitiu as reformas que foram feitas pelo próprio Itamar, por Fernando Henrique e por Lula.
As reformas impulsionaram o Brasil, que cresceu, gerou empregos e compartilhou prosperidade. Muitos brasileiros saíram da pobreza, da indigência. Melhoraram os indicadores econômicos e os sociais no nosso país. Mas percebemos que o Brasil perdeu velocidade, passou a crescer menos, e a inflação reapareceu em índices que precisam ser controlados.
Qual o rebatimento dessa realidade no Espírito Santo?
As eleições têm dinâmica própria, é o que mostra a experiência. O eleitor olha as questões locais e o que está sendo debatido. Acho que a influência é muito pequena ou nenhuma, pois os debates feitos nos estados têm características próprias.
Qual a sua análise sobre o quadro no Espírito Santo e o debate nas campanhas majoritárias?
A minha campanha é propositiva; antes de decidir pela candidatura eu rodei o Estado inteiro. O que me levou a ser candidato foi que a população pedia para debater o presente e o futuro do estado. Vou cumprir esse roteiro e se me jogarem pedras farei cara de paisagem e toco a vida pra frente. O povo não quer agressão, mas debate: o que será feito em relação à educação, para melhorar a saúde, a mobilidade urbana na Grande Vitória. São temas importantes que mexem com a vida das pessoas; esta é a agenda do povo e é nesta direção que vou caminhando, com tranquilidade e serenidade para apresentar um projeto bem estruturado para o Espírito Santo.
O que está reservado para a Serra no governo de Paulo Hartung?
Tenho uma relação com o município na marca da minha primeira eleição, em 1982, quando larguei na Serra com uma votação surpreendente. De lá pra cá sempre me relacionei bem com o município e como governador pude fazer muito pelo município nas diversas áreas. Construímos o terminal de Jacaraípe, ligamos Manguinhos a Jacaraípe e a Serra Dourada; preparamos o projeto do Contorno do Mestre Álvaro, mas perdemos três anos e meio. Mas se for desejo dos capixabas que eu volte para o Governo, vamos fazer essa obra, que transforma a BR 101 em uma avenida; consegui o terreno e o projeto para a construção e ainda licitei a obra do Hospital Jayme Santos; obras do Caminhos do Campo e outras. A Serra pode esperar de mim muito trabalho e parceria; o desenvolvimento do Espírito Santo passa pela Serra. Trabalho com todos os prefeitos e não tenho picuinhas partidárias; o dinheiro pertence ao povo e o governante não tem direito de discriminar município.
Dá para garantir para a Serra um aeroporto internacional de cargas ou um porto de águas profundas?
São dois assuntos que não dependem apenas do Governo do Estado, mas da articulação com as autoridades federais. O porto de águas profundas precisa ser instalado em um local que tenha grande retroárea; é preciso mesclar capital privado com público. Não é uma operação simples que seja possível prometer. Um aeroporto de cargas nós vamos precisar e é possível ser instalado em dois municípios, Vila Velha ou Serra, que tem um potencial muito grande. O aeroporto de Vitória, mesmo tendo sua obra concluída, é insuficiente para suportar o desenvolvimento do Estado, mas isso depende de uma articulação conjunta.
Em uma eventual vitória de Dilma Roussef, acredita que o Espírito Santo poderá ficar isolado?
Comigo não isola, eu não deixo. Tive o PT contra mim quando me elegi governador em 2002. Após as eleições de governador e de presidente da República, telefonei para Lula e nos aproximamos. Pedi que fizesse pelo Estado o que Fernando Henrique fizera pelo Acre, e trouxemos o PT para o Governo. Um governador não pode deixar o seu estado isolado. Se for escolhido pelos capixabas, vou trabalhar para tirar o Espírito Santo do isolamento.