Por Yuri Scardini
Segundo dados do IBGE, a Serra pulou de 17 mil habitantes em 1970 para cerca de 500 mil habitantes hoje. Além do aumento populacional, a cidade viveu outros tipos de metamorfoses. Entre elas a mudança das bases econômicas, que migraram da economia do abacaxi para a atividade industrial. Tal aumento populacional está largamente associado a esta mudança de matriz econômica. É inegável também o fato que este aumento populacional foi feito de forma descontrolada, criando uma cidade de imigrantes.
A sociologia local mergulhou numa malha de complexidades cada vez maior. O tamanho de uma cidade é ditado pelo tamanho dos problemas que seus tomadores de decisões são capazes de solucionar. Apesar de ter superado vários estágios, a Serra de hoje segue de braços dados com profundos problemas sociais ainda sem previsão de solução.
Tais problemas associados a outras realidades ingratas, como o cenário de falta d’agua, crise econômica, concorrência por parte de outros municípios e a dificuldade de formar novas lideranças, são alguns dos desafios que podem projetar um futuro sombrio para uma das cidades do Brasil que mais cresceu nas últimas décadas.
Na Serra já não cabe aquele vereador que só enxerga e trabalha para poucos bairros, onde está seu reduto eleitoral. É hora de emergir legisladores que tenham uma visão de conjunto, para ajudar e também fiscalizar o executivo na tarefa de desatar o nó que prende o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida de quem aqui mora, trabalha e investe.
A cidade precisa de vereadores com pegada empreendedora, que tenham visão de futuro. Não cabe mais populismo, nem o de esquerda nem o de direita, muito menos o populismo de interesses ainda mais tacanhos. O dia de minerva, 02 de outubro, se aproxima. Pelos arranjos partidários e pelo descontentamento de boa parte da população, espera-se uma renovação de pouco mais da metade dos parlamentares.
Para alcançar novos estágios, a Serra precisa ver suas lideranças consolidadas serem projetadas a nível estadual. E que novas lideranças locais surjam, oxigenando ideias com leitura de realidade abrangente.
Explorar a emoção para vencer nas urnas
Faltando pouco mais de 20 dias para a eleição, dificilmente vence outro candidato que não seja a dupla Vidigal/Audifax. Mas isso já vinha sendo colocado há muito tempo. A internação de Audifax encurtou as eleições da Serra. As campanhas começaram tarde e com muita dificuldade de mobilização popular, mesmo de suas próprias militâncias. O áudio vazado da ex-deputada Sueli Vidigal (PDT), pedindo mais engajamento dos candidatos a vereador do partido, desnuda esta realidade que também é observada nas campanhas dos outros prefeitáveis.
Alguns candidatos a vereador conseguem colocar mais de cem pessoas em suas reuniões, enquanto os que almejam a prefeitura suam para colocar o mesmo número, muitas vezes, sem êxito. Este cenário pode ser em parte explicado pela menor quantidade de dinheiro.
As campanhas devem se intensificar pelos próximos dias, com ataques mais fortes de todos os lados. Vidigal e Vandinho vão se resguardar e mirar nos erros de gestão do atual prefeito Audifax, enquanto o redista, já fora do hospital, vai promover um discurso de superação no sentido de tocar o lado emocional do eleitor. Pode dar certo? Pode. Mas se errar no dedo, é bem possível que seja um tiro no pé, pois se a população desconfiar que está havendo exagero no ‘coitadismo’ o nome de Audifax pode cair na vala comum do descontentamento com os políticos de forma geral.