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Meio Ambiente

Serra, 16 de junho de 2017 às 10:02

Lagoa Jacuném agoniza com a poluição


Mulher se arrisca para pegar peixe nas águas verdes e cheias de gigoga da lagoa Jacuném, próximo a sede da Apa. Foto: Fábio Barcelos

Bruno Lyra

Nem o fato de estar numa Área de Proteção Ambiental Municipal consegue blindar a lagoa Jacuném da poluição. Pelo contrário: repleta de esgoto doméstico e industrial – tratados ou não – a Jacuném agoniza.

Desde o início da década de 2000, o espelho d’água da Jacuném vem perdendo espaço para plantas aquáticas, que se espalham aceleradamente nutridas pela forte carga de esgoto doméstico que chega à lagoa. A sujeira desce de bairros como Colina de Laranjeiras, Taquara, Barcelona, Porto Canoa, Eldorado, Barro Branco, Cidade Pomar, Maringá, Residencial Tubarão e Serra Dourada, onde estão os córregos que formam a lagoa.

A Jacuném é também rodeada por indústrias nos Civit´s I e II. Além disso, o novo pólo industrial Cercado da Pedra fica às suas margens. Apesar do belo visual que proporciona ao visitante da sede da Apa Jacuném em Barcelona, basta chegar perto da lagoa para ver a realidade. As suas águas estão extremamente verdes.

Mestre em Biologia e pesquisador da Ufes, Ian Drumond, explica que as águas estão verdes por conta do excesso de esgoto, que geram a proliferação de cioanobactérias. Estas produzem cianotoxinas que podem prejudicar a saúde humana e, em casos extremos, levar à morte de quem beber a água. “Estudos recentes feitos por pesquisadores da Ufes confirmaram essa situação na Jacuném”, explica.

E não e só. Em seu projeto de graduação realizado em 2011, Ian constatou que na época havia presença de metais pesados em quantidades acima do que a legislação permite. Dentre eles, alumínio e cádmio. “No estudo coloquei peixes e cebolas em contato com água da lagoa e nos dois casos houve mutação genética dos organismos por causa da quantidade de metais na água”, frisa.   

Do Instituto Brasileiro de Fauna e Flora (Ibraff), Claudiney Rocha, diz que a situação da Jacuném agrava a poluição em outra lagoa famosa, a Juara. Isto porque há um canal que leva água da Jacuném ao rio Jacaraípe. “Este, quando a maré sobe, retorna com as águas para a Juara. E quando a maré desce, as águas poluídas da Jacuném e da Juara vão para a praia de Jacaraípe. Infelizmente hoje não há nenhuma ação efetiva para a recuperação das duas lagoas”, lamenta.

Análise periódica da água até o fim de 2017

O secretário de Meio Ambiente da Serra, Marcos Franco, disse que até o final do ano a prefeitura vai iniciar um programa de análise periódica das águas de rios, córregos e lagoas – entre elas a lagoa Jacuném.

Quando a poluição por esgoto, Marcos afirmou que a Parceria Público Privada (PPP) entre Cesan e Serra Ambiental vai ampliar a coleta e tratamento no município. Quanto ao lançamento de esgoto industrial, Marcos disse que a Semma fiscaliza as empresas que licencia. “Já pedimos ao Iema (Instituto Estadual de Meio Ambiente) que fiscalize as empresas que foram licenciadas pelo órgão. E peço a população que denuncie casos de lançamentos indevidos”, conclui.      

  




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