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Maior rede de supermercados do Brasil fecha 29 lojas e manda demitir 6 mil funcionários em várias cidades

A rede de supermercados mandou demitir 6 mil funcionários em várias cidades.
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Rede de supermercados fecha lojas e manda demitir funcionários
A rede de supermercados fechou 29 lojas e mandou demitir 6 mil funcionários. Crédito: Divulgação
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Milhares de trabalhadores deixaram seus empregos após uma das maiores empresas do varejo alimentar brasileiro iniciar uma ampla redução de custos. Além das demissões, a rede de supermercados encerrou as atividades de dezenas de lojas em diferentes estados.

A mudança surpreende pelo tamanho da companhia envolvida. Afinal, a rede fatura bilhões de reais, emprega dezenas de milhares de pessoas e ocupa uma das primeiras posições entre os maiores grupos supermercadistas do país.

O corte ocorreu durante uma revisão completa das operações. Depois de avançar rapidamente pelo Brasil, a empresa decidiu reduzir estruturas, eliminar despesas e concentrar os investimentos nas unidades que oferecem melhores resultados.

A companhia responsável pela medida é o Grupo Mateus, proprietário de bandeiras como Mix Mateus, Mateus Supermercados e Eletro Mateus. No primeiro trimestre de 2026, o grupo fechou 29 lojas e reduziu o quadro em 6.673 trabalhadores.

Apesar da dimensão dos cortes, a empresa não anunciou a saída do mercado brasileiro, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. Pelo contrário, a estratégia busca reorganizar uma operação que cresceu de forma acelerada e passou a enfrentar um cenário mais difícil para o consumo.

Rede de supermercados manda demitir funcionários

A redução do quadro ocorreu em poucos meses. No encerramento de 2025, o Grupo Mateus mantinha aproximadamente 47,9 mil empregados.

Entretanto, esse número passou para cerca de 41,2 mil trabalhadores no primeiro trimestre de 2026. Portanto, a companhia eliminou 6.673 postos, o equivalente a uma redução superior a 13% no período analisado.

Os cortes alcançaram seis estados das regiões Norte e Nordeste. Assim, a reorganização não ficou restrita a uma única cidade ou loja.

Durante a apresentação dos resultados, o presidente do conselho de administração, Ilson Mateus Rodrigues, afirmou que a empresa ainda pretende reduzir outras despesas. No entanto, segundo ele, os próximos cortes não devem atingir novamente o número de funcionários.

Grupo Mateus fecha 27 lojas

Além de diminuir o quadro, a rede encerrou 29 unidades no primeiro trimestre. Ao mesmo tempo, inaugurou quatro novas lojas.

Desse modo, o grupo não interrompeu completamente seus projetos de crescimento. A companhia passou a selecionar com mais cuidado os locais onde pretende manter ou ampliar a presença.

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Na prática, unidades com desempenho mais fraco perderam espaço. Enquanto isso, lojas consideradas mais rentáveis receberam prioridade dentro da nova estratégia.

O fechamento também atingiu formatos diferentes. O Grupo Mateus atua com supermercados tradicionais, atacarejos, lojas de eletrodomésticos, atacado e unidades de vizinhança.

Por isso, a redução não representa necessariamente o encerramento de 28 grandes supermercados. Parte dos pontos fechados pertencia a outros formatos administrados pela companhia.

Por que a rede de supermercados decidiu fechar as lojas?

O Grupo Mateus passou vários anos ampliando rapidamente sua estrutura. Nesse período, abriu unidades, entrou em novos mercados e fortaleceu principalmente o modelo de atacarejo.

Contudo, uma expansão dessa dimensão também eleva os gastos. Cada nova unidade exige funcionários, transporte, estoque, aluguel, energia, manutenção, segurança e estrutura administrativa.

Quando as vendas não acompanham esse aumento, a loja pode deixar de entregar o retorno esperado. Nesse caso, manter o ponto aberto passa a pressionar os resultados de toda a companhia.

Por esse motivo, o grupo adotou medidas para melhorar a produtividade e ajustar a estrutura a um ritmo menor de crescimento das vendas.

Além disso, a companhia diminuiu as chamadas vendas de balcão realizadas dentro das lojas. A intenção foi priorizar operações com maior rentabilidade, mesmo que a mudança reduzisse parte do volume comercializado.

Consumo pressiona os supermercados

A reorganização também ocorre em um período desafiador para o varejo alimentar. Embora as famílias continuem comprando produtos essenciais, muitos consumidores reduziram quantidades, trocaram marcas ou passaram a procurar promoções com mais frequência.

Além disso, o crédito mais restrito e o endividamento familiar afetam principalmente as vendas de eletrodomésticos, móveis e produtos de maior valor.

O Grupo Mateus também enfrentou a deflação de determinados alimentos. Ou seja, alguns produtos ficaram mais baratos, o que diminuiu o valor registrado nas vendas, mesmo quando o volume comercializado não sofreu uma redução equivalente.

Analistas ainda identificaram vendas mais fracas nas lojas que já funcionavam havia pelo menos um ano. No primeiro trimestre, esse indicador apresentou retração de 7,3%.

Diante desse cenário, a empresa escolheu operar com uma estrutura menor. Assim, tenta proteger as margens, controlar despesas e recuperar a rentabilidade.

Lucro do grupo no primeiro trimestre

Apesar das demissões e dos fechamentos, o Grupo Mateus continuou lucrativo. A companhia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de aproximadamente R$ 213 milhões.

No entanto, o resultado ficou 22% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. O Ebitda, indicador usado para medir o desempenho operacional, também recuou 18,2% e terminou o trimestre em cerca de R$ 400 milhões.

Portanto, a rede não fechou lojas porque deixou de vender ou porque entrou em recuperação judicial. O movimento faz parte de uma tentativa de melhorar os resultados após a desaceleração do mercado.

Além disso, a companhia busca manter estoques menores, gerar mais caixa e controlar com maior rigor os investimentos em novas unidades.

Rede de supermercados está entre as maiores do Brasil

Mesmo depois dos cortes, o Grupo Mateus permanece entre as maiores empresas do varejo alimentar brasileiro.

A companhia ocupa a terceira posição no Ranking ABRAS 2026. Apenas o Carrefour Brasil e o Assaí Atacadista aparecem à frente.

O levantamento considera o faturamento bruto das empresas. Em 2025, o Grupo Mateus registrou aproximadamente R$ 43,5 bilhões, resultado que mostra a dimensão nacional da companhia.

Assim, a redução de lojas e funcionários envolve uma empresa que mantém forte presença no setor. A rede continua operando centenas de unidades e empregando mais de 41 mil pessoas.

Quais marcas pertencem ao grupo?

O grupo administra negócios voltados para diferentes perfis de consumidores. Entre as principais bandeiras estão:

  • Mateus Supermercados;
  • Mix Mateus;
  • Eletro Mateus;
  • Armazém Mateus;
  • Camiño Supermercados;
  • Spazio Mateus;
  • Bumba Meu Pão;
  • Food Service Mateus.

O Mix Mateus atua principalmente no atacarejo. Nesse modelo, o cliente pode comprar produtos em maiores quantidades e obter preços diferentes conforme o volume.

Já o Mateus Supermercados atende consumidores que procuram o formato tradicional. Enquanto isso, a Eletro Mateus comercializa móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.

A companhia também mantém centros de distribuição e operações próprias em áreas como panificação e produção de alimentos. Dessa forma, consegue abastecer parte das lojas por meio de uma estrutura integrada.

Rede de supermercados quer abrir novas unidades

Embora tenha fechado 29 lojas durante o trimestre, o Grupo Mateus não abandonou os planos de expansão. A abertura de quatro unidades no mesmo período confirma que a companhia continuará investindo em mercados selecionados.

A principal mudança está no ritmo. Antes, a rede priorizava o avanço territorial e a abertura constante de pontos de venda. Agora, cada projeto deve passar por uma avaliação mais rígida de custos e retorno.

Portanto, a nova fase combina duas decisões: fechar operações com desempenho abaixo do esperado e abrir lojas onde a empresa identifica maior potencial de crescimento.

Para os trabalhadores, porém, o impacto já ocorreu. A redução de 6.673 empregados e o encerramento de dezenas de unidades mostram que até grupos bilionários estão revendo estruturas para enfrentar o consumo mais fraco e a disputa cada vez maior por preços no varejo brasileiro.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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