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Mestre Álvaro

por Eci Scardini

Serra, 7 de dezembro de 2016 às 13:12

Mais 30 km para bebês da Serra lutarem pela vida


Por Yuri Scardini

Presente de grego para a Serra

O Governo de Paulo Hartung (PMDB) passou o trator sobre o debate saudável, e esta semana no punho de ferro, anunciou a transferência da UTI Neonatal do Hospital Dório Silva para o Hospital e Maternidade Infantil de Vila Velha (Himaba).

Um ato friamente planejado e que pegou todos da cidade no susto, pois em 2015, o Estado havia desistido da medida após a repercussão negativa da mesma, tão logo foi anunciada.  E o pior: desta vez, a gestão Hartung pretende agir à lá Congresso Nacional, na calada da noite, promovendo essa transferência na madrugada da quinta-feira (08), dia do aniversário da cidade. Por ironia ou não, o Governo do Estado quer dar um presente de grego para a Serra.

O anúncio causou reações entre sindicatos voltados a área da saúde; movimentos sociais; lideranças populares e políticas da Serra, além dos próprios funcionários que trabalham na UTI Neonatal. Para isso, nesta quarta feira (07), o conselho gestor do Dório Silva e várias lideranças e organizações da cidade decidiram se reunir e brigar pela permanência dos 26 leitos da UTIN na cidade.

Até agora o Estado não apresentou argumentos convincentes que justifiquem a transferência do serviço para mais de 30 km de distância. Ainda mais, levando em consideração que a cidade é a campeã de número de nascimentos de alto risco. Agora, é preciso questionar ao Estado, se as autoridades que promovem esse ato unilateral irão assumir possíveis casos de óbito de recém-nascidos enfermos durante o transporte por mais de 30 km da Serra para Vila Velha.

É claro que tem que se debater isso, visto que recém-nascidos enfermos são extremamente vulneráveis. Segundo médicos ouvidos pela coluna, tais recém-nascidos têm altas chances de se desestabilizarem, ainda mais se estiverem entubados, correndo o risco de sofrer hemorragias, sequelas graves, até morrer durante o procedimento. Inclusive os próprios médicos do Dório afirmam que no Estado não há pediatras experientes no transporte de recém-nascidos de alto risco.

Falta de respeito com a maior cidade do ES

O entendimento por parte de profissionais da saúde presentes na reunião da última quarta-feira é a de que o hospital Jayme Santos não conseguirá suprir a demanda, caso a transferência ocorra. Disseram inclusive, que o Dório Silva é um hospital de referência no tratamento de recém-nascidos de alto risco.

A bem da verdade, o nosso Dório já salvou muitos bebês à beira da morte. E todo esse reboliço versa sobre a incompatibilidade da ação do Estado, que priva uma população altamente depende de tais serviços.

Isso prova que não está havendo um mínimo de respeito com a cidade mais populosa do Espírito Santo e que tanto contribui financeiramente com ele. Apesar do discurso governista de que valoriza a Serra, o município vive à duras penas. Haja vista a redução de repasses e convênios do estado nos últimos anos. E o que dizer das obras paradas como reforma do colégio Aristóbulo, reforma da Norte x Sul, Contorno de Jacaraípe ou das que nem começaram como o Faça Fácil e o Contorno do Mestre Álvaro?  

Outro ponto que circula nos bastidor, ainda em voz bem baixinha, são os possíveis interesses políticos por trás dessa brusca movimentação. Segundo algumas lideranças envolvidas na luta pela permanência, essa transferência seria uma demanda do prefeito eleito de Vila Velha, Max Filho (PSDB) por mais vagas de leitos infantis, e estariam envolvidos nessas articulações o médico e deputado estadual Hércules da Silveira (PMDB) e o vice-governador César Colnago, tucano como Max. Porém, não há confirmação sobre tais informações, podendo ser apenas especulações.

Verdade é que tem caroço nesse angu, pois mexer com um assunto tão melindroso desse sob os fracos argumentos que foram colocados, não parece ser uma atitude inteligente. A menos que haja interesses ainda não conhecidos por trás.    

Portanto, a luta pela permanência da UTIN na nossa cidade é legítima e só a partir do enfrentamento às ações como estas, tomadas pelo Estado, é que nossos bebês de alto risco poderão ter mais chance à vida.

 

 

 




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