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O lindo adeus a um ícone

Por Clarice Poltronieri

Na última quarta – feira (24) o ambientalista e cientista capixaba André Ruschi estaria completando 61 anos. Uma partida precoce, mas que deixou um legado de muitas conquistas e esperança para o meio-ambiente do Brasil e, especialmente, do Espírito Santo. André fez jus à história de seu pai, Augusto Ruschi, e construiu também sua própria, deixando-nos, entre diversos trabalhos, sua contribuição no artigo 225 da Constituição Federal que trata do meio-ambiente e trabalho na CPI da Poluição que investigou a contaminação do ar na Grande Vitória, principalmente pelas empresas de siderurgia.

Foi também um dos primeiros a alertar que a lama da Samarco atingiria o litoral do estado, tendo acompanhado uma equipe de reportagem da revista Veja para mostrar os estragos causados no rio Doce e nas comunidades ribeirinhas.

O ambientalista, educador ambiental e ativista preservou as pesquisas de seu pai e as aprimorou, embasando e criando duas reservas no mar capixaba, além de preservar o patrimônio dos Ruschi, a reserva de mata Atlântica em Nova Lombardia e Santa Lúcia, em Santa Teresa, bem como a casa da família na Rua do Lazer daquela cidade. Concordou com a doação do Museu Melo Leitão, fundado por seu pai, em Santa Teresa, para o Museu Nacional, onde hoje está o Instituto Nacional da Mata Atlântica.

Um homem simples, de grande garra, inteligência e sabedoria, cuja homenagem no último sábado (20) feita por familiares e amigos, honrou suas escolhas. As cinzas de André foram jogadas no mar de Santa Cruz, em frente à Estação de Biologia Marinha Augusto Ruschi, após um belo e saudoso encontro entre família, amigos e apoiadores de sua causa. Um desejo de André, que tinha na estação a maior de suas paixões e que marcou sua despedida em uma cena singela e poética, digna de um filme de Benini, enchendo de esperança os presentes.

Que André tenha uma boa viagem e que seus ensinamentos sejam eternos, tal qual foram e são o de seu pai. E que seus herdeiros sejam tão iluminados quantos esses grandes ícones da preservação ambiental no estado, no país e no mundo, continuando a saga do clã Ruschi.

Ana Paula Bonelli

Moradora da Serra, Ana Paula Bonelli é repórter do Tempo Novo há 25 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal.

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