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Meio Ambiente

Serra, 24 de maio de 2019 às 9:56

Óleo da Vale cai em lagoa, invade casas e moradores protestam

Por Bruno Lyra
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Trecho atingido por água e óleo em Hélio Ferraz. (Foto: Divulgação)

As famílias das casas às margens da lagoa Pau Brasil, em Hélio Ferraz, voltaram a sofrer com água de alagamento misturada a óleo da Vale no último fim de semana, após as chuvas fortes que atingiram a Serra e a demais cidades da região da Grande Vitória. A Vale e a Prefeitura da Serra confirmaram o vazamento de óleo de uma oficina do Complexo de Tubarão, mas negam que a substância tenha chegado ao interior das casas junto com a água de alagamento. 

Afirmação contestada pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente do bairro e morador, Vágner de Paula Gomes. Segundo ele, a inundação aconteceu na madrugada de sexta (17) para sábado (18). Inclusive, há vídeos do espelho d’água da lagoa com óleo que também mostram funcionário da Vale num barco ajeitando boias de contenção na lagoa, sábado pela manhã.

Vágner e os moradores da área afetada – cerca de 200 pessoas foram atingidas – também afirmam que as águas demoraram a abaixar por culpa da mineradora. É que a lagoa Pau Brasil dá origem ao córrego Camburi, que antes de desaguar na famosa praia da capital, corre no interior do Complexo de Tubarão formando outras lagoas. “A Vale tem comportas que ficaram fechadas para a água com óleo não descer para Camburi e piorar a imagem da empresa”, afirma.

Os moradores atingidos chegaram a fazer, na manhã da última terça (21), um protesto na Avenida Dante Michelini, em Camburi, bloqueando o acesso a uma das portarias da Vale.

Vazamento de óleo da Vale misturado à água de alagamento já havia ocorrido em Hélio Ferraz há quase cinco anos, entre 30 e 31 outubro de 2014. Na ocasião, além de transbordar, a lagoa Pau Brasil recebeu carga de óleo e graxas que transbordaram do tanque de tratamento de efluentes da oficina de locomotivas da Vale em Tubarão.

Na ocasião, a empresa foi multada em R$ 4,6 milhões pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), mas até hoje não pagou. A Prefeitura cobra o débito na Justiça.

Empresa nega controle de vazão de córrego e afirma que recolheu material

Sobre a situação do último final de semana, a Prefeitura confirmou o vazamento e que está monitorando a área desde sábado (18). Mas, diferente do que afirmam moradores, diz que não atingiu as casas. Em nota, também afirma que notificou a Vale para realizar dragagem e limpeza trimestral da lagoa, além de exigir o envio de relatório de atividades realizadas no local para evitar novos acidentes. A Prefeitura reitera que está dando assistência as cerca de 60 famílias afetadas.

Já a Vale enviou nota confirmando que novamente houve vazamento de óleo de uma oficina no Complexo de Tubarão, vizinha a Helio Ferraz. Mas nega que tenha chegado até às casas junto com o alagamento e que esteja retendo o fluxo de água da lagoa Pau Brasil, ressaltando que não há comportas para controle de vazão da bacia em Tubarão. Informou, ainda, que o vazamento foi notificado aos órgãos ambientais e que a empresa tomou todas as medidas para conter e recolher o material, que não chegou à comunidade.




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