Para efeito pré-eleitoral, o deputado Pablo Muribeca foi o primeiro a dar a largada rumo ao pleito de 2024. Sua pré-campanha começou poucos dias depois de ser eleito deputado estadual, quando passou a falar publicamente sobre o assunto. Enquanto alguns atores do meio político optam por esconder o jogo, como o próprio prefeito Sergio Vidigal, ou mesmo o ex-prefeito Audifax Barcelos e o colega deputado Vandinho Leite, que têm adotado postura mais cautelosa, Muribeca não economiza esforços para se apresentar como pré-candidato.
Pablo está filiado ao Patriota, partido do qual pretende se desfiliar em breve para ingressar, possivelmente, no Republicanos. A sigla é organizada pelo ex-deputado estadual Erick Musso e pelo federal Amaro Neto, aliados de Pablo. Muribeca ganhou certa notoriedade entre uma parcela do eleitorado por sua postura oposicionista a Vidigal, utilizando maciçamente as redes sociais em um modelo inaugurado nacionalmente pelo ex-vereador carioca Gabriel Monteiro e seguido por diversos outros atores políticos. Tal proposta lhe conferiu muita visibilidade e também problemas subsequentes. O chapéu de cowboy foi um adereço importante, pois permitiu que sua assinatura política fosse mais facilmente identificada.
Pablo não foi eleito vereador em 2020 utilizando o chapéu como marca registrada, mas o adotou meses depois, já no exercício de mandato na Câmara da Serra. Até sua eleição para deputado estadual, essa estratégia lhe rendeu êxito. Historicamente no Brasil, atores políticos considerados folclóricos e barulhentos conseguem certo sucesso nas eleições proporcionais, e atualmente as redes sociais potencializaram ainda mais essa tendência. Pablo não é o primeiro e não será o último. Mas, em geral, o cenário muda quando se trata de uma eleição majoritária. Embora existam exemplos opostos, candidatos excêntricos costumam ter menos destaque. Nesse sentido, Pablo pode cair no limbo de se tornar refém do seu próprio chapéu, no que diz respeito ao simbolismo de seu jeito folclórico. Evidentemente, ao falar do chapéu, não estamos nos referindo apenas ao adereço em si, mas ao que ele representa.
A manutenção da postura politicamente exagerada e excêntrica de Muribeca, simbolizada pelo chapéu, pode ser um dificultador na promoção de sua imagem como um hipotético prefeito-gestor da 41ª maior cidade do Brasil em número populacional. A Serra é uma cidade com mais de R$ 2 bilhões/ano em receita orçamentária; na prática, é a cidade que mais contribui para o Produto Interno Bruto do Espírito Santo, portanto, é estratégica para o estado e recebe mais atenção das instituições. Uma Prefeitura da Serra, hipoteticamente em desordem, resultaria objetivamente em caos, visto que a população da Serra é fundamentalmente dependente desse arranjo; para se ter uma ideia, dados do Censo do IBGE apontam que 85% dos habitantes da Serra são usuários do Sistema Único de Saúde.
É com esse pano de fundo que transita uma eleição na Serra; e a mesma volatilidade do eleitor da Serra para cargos proporcionais só é comparável ao seu extremo conservadorismo eleitoral para o cargo de prefeito. Conservadorismo de comportamento enquanto eleitor. O maior exemplo disso é a própria longevidade de Sergio Vidigal e Audifax Barcelos na prefeitura; a esses somam-se as duas eleições de João Batista da Motta e as duas eleições de José Maria Feu Rosa.
Sem entrar em especificidades de cada eleição, os eleitores serranos optam por projetos mais austeros. Certamente, parte expressiva desse conservadorismo decorre do processo de formação da Serra após 1960, quando a indústria foi inserida e alguns traumas sociais foram vivenciados. Para contorná-lo, foi necessário um amplo esforço que culminou na ascensão de Sergio Vidigal à prefeitura em 1996. Historicamente, o eleitor da Serra buscou se afastar de projetos aventureiros para não correr o risco de perder o que foi conquistado. Evidentemente, pode-se questionar a qualidade do serviço público prestado na Serra, mas o status de caos absoluto de três décadas atrás foi superado.
O que joga a favor de Pablo é que, desde a elevação de Vidigal à prefeitura, uma grande leva da população foi inserida na Serra e que desconhece tais episódios, sendo, por isso, mais receptiva a novos projetos eleitorais. Mas será que, mesmo para o eleitor que não vota em Vidigal e Audifax, a figura de Muribeca é aceitável? Para deputado, Muribeca já mostrou que sim. Mas e para prefeito? Trata-se de um cargo que interfere no cotidiano da população. É a escola onde o filho estuda, o posto de saúde que o cidadão frequenta, a rua por onde ele anda… É a condição de vida cotidiana na cidade entregue às mãos de uma pessoa, explicitada pelo voto, e essa população já demonstrou sua tendência à austeridade eleitoral.
Nesse sentido, se o chapéu, e o que ele transmite, pode ser uma barreira para que Pablo cresça além da sua própria bolha, retirá-lo – o que significa mudar para uma postura mais moderada – pode acarretar a perda do que ele já alcançou. Isso deixa o deputado refém do seu próprio personagem. Vidigal, por sua vez, parece receptivo à ideia de disputar uma reeleição contra Pablo Muribeca. É possível até que ele prefira isso a ter que bater chapa novamente com Audifax ou enfrentar um candidato mais experimentado e moderado, como Vandinho Leite ou Bruno Lamas, por exemplo. No fim, a pouca combatividade política de Vidigal em relação a Pablo pode refletir isso.
A rejeição de Vidigal e Audifax é grande e origina-se do desgaste do tempo, mas ambos podem ter uma sobrevida caso, do outro lado, esteja uma personalidade que não consiga transmitir segurança, seriedade e moderação a uma população altamente dependente do serviço ofertado pelo sistema público. Pois, por mais que essa população seja humilde e muito volátil/vulnerável eleitoralmente, no que tange à prefeitura da Serra, ela parece agir com muita resistência a mudanças. Além disso, Pablo ainda não conseguiu se inserir no meio evangélico tão eficientemente quanto Audifax e Vandinho Leite, o que deixa Vidigal mais confortável para tentar reagrupar essa importante fatia do eleitorado.
Talvez o maior desafio de Muribeca seja ressignificar o personagem político de maneira que consiga manter aqueles eleitores simpáticos a ele e agregar novos, menos propensos ao midiatismo exagerado.
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