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Serra, 12 de agosto de 2019 às 7:13

Por conta de greve, Grande Vitória está sem ônibus do Transcol nas ruas

Por Gabriel Almeida
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Passageiros estão enfrentando dificuldades para conseguir chegar ao local de trabalho. Foto: Gabriel Almeida

Os capixabas que dependem do transporte público para se locomoverem estão enfrentando dificuldades na manhã desta segunda-feira (12). Isso porque não há nenhum ônibus do Transcol circulando nas ruas da Grande Vitória.

A afirmação é do próprio presidente do Sindicato dos Rodoviários, José Carlos Salles. Em conversa com o TEMPO NOVO, ele disse que a categoria aderiu ao movimento, mas o Sindirodoviários está dando as orientações para que os ônibus circulem. “Não tem nenhum ônibus circulando. A categoria aderiu ao movimento”, disse José.

O presidente foi questionado pela reportagem sobre a decisão Judicial que obriga que o sindicato mantenha 75% dos ônibus em circulação e disse que o sindicato recebeu a notificação no final da tarde do último domingo (11). “Recebemos a decisão e nosso papel é obedecer, mas a categoria decidiu aderir ao movimento. Estamos apenas orientando”, afirma.

Garagem da Unimar que fica em Laranjeiras Velha: nenhum ônibus saiu do local. Foto: Gabriel Almeida

Passageiros enfrentam dificuldades

Nas ruas da Serra, os pontos de ônibus estão lotados de passageiros que ainda tem esperança em conseguir chegar ao seu local de trabalho. É o caso da Marinete Couto, moradora de José de Anchieta, que foi até a parada de ônibus próxima a sua casa, mas até às 7h desta segunda não conseguiu embarcar em nenhum coletivo.

“Uma das minhas amigas de trabalho vai passar aqui para me buscar. Não tem ônibus nenhum nas ruas, pelo jeito. Estou aqui desde as 6h e até agora nada. É complicado”, disse Marinete.

Outra serrana que também está enfrentando dificuldades é a Isadora Santos. “Estou tentando pegar um ônibus desde cedo, mas até agora não vi nenhum na rua”, informa.

O TEMPO NOVO entrou em contato com a Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Sebomi), mas até o fechamento dessa reportagem não obteve retorno. Assim que a demanda for respondida, será publicada neste espaço.

Motivo da greve

A ameaça de greve já tinha sido anunciada na terça-feira (6) passada, mas o sindicato não tinha definido um dia para a greve acontecer. O motivo da manifestação é a implantação dos novos ônibus do Transcol que terão ar-condicionado, mas não haverá cabine para os cobradores.

Apesar do Governo do Estado afirmar que não haverá nenhuma demissão por conta dos novos coletivos, o Sindirodoviários diz que serão quatro mil postos de trabalho eliminados com a mudança.

Na tarde da última sexta-feira (9), através do seu perfil oficial do Facebook, o Sindirodoviários publicou um comunicado informando sobre a greve. “Sem cobrador não roda. Vamos parar tudo”, afirma os rodoviários na imagem publicada.

Em junho, o Governo do Estado anunciou os novos ônibus com ar-condicionado e sem a cabine dos cobradores, até o momento, foram entregues 20 destes novos veículos, mas nenhum deles está em circulação. Nesta sexta-feira (9), o Estado anunciou que os coletivos vão começar a circular na segunda-feira (12). 

Ainda em junho, após a entrega dos ônibus, o Sindirodoviários já tinha prometido uma greve contra a mudança, o que até agora não se concretizou. De acordo com o sindicato, a mudança do Governo do Estado irá desempregar cerca de quatro mil trabalhadores.

Vale destacar que o Sindirodoviários fez três manifestações em junho, mas a circulação dos coletivos não foi prejudicada. Os protestos foram realizados na Avenida Vitória, na capital capixaba.

“Estado já está comprometido para manter os empregos”, diz Semobi

A Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), classificou o movimento dos rodoviários como “injustificável”. Por meio de nota, disse que a paralisação é “uma ação despropositada  por parte de alguns dirigentes sindicais” e que a população não pode ser prejudicada mais uma vez por conta de um “movimento injustificável”.

A secretaria ainda garantiu que “não haverá demissões”. O órgão informou que o Governo do Estado já está comprometido em atuar junto as empresas para manter o empregos de todos os trabalhadores do sistema. “A Semobi esclarece que não haverá demissão por conta dos novos coletivos e que vem realizando reuniões semanais com a categoria. A secretaria destaca ainda que a cobrança exclusivamente por meio do CartãoGV visa trazer mais agilidade no embarque e mais segurança, já que retira o dinheiro do ônibus, além da possibilidade de integração”, disse por meio de nota. 

A Semobi ainda informou em razão da implantação do CartãoGV, haverá maior oferta de emprego no Sistema. “Isso vai permitir que os profissionais que atuam como cobradores atualmente dentro coletivos passem a exercer novas funções, até mesmo fora dos coletivos. As empresas operadoras vão incentivar os funcionários para que participem de cursos de requalificação, por meio de parcerias com o Sest Senat, para aprimoramento profissional e aperfeiçoamento para novas atividades como motorista, mecânico, eletricista, entre outros”. 

Novos ônibus

Os coletivos com ar-condicionado que foram lançados no mês passado não terão a cabine para os cobradores. Com isso, somente passageiros que tiverem o cartão de bilhetagem eletrônica poderão utilizar os novos ônibus, já que não será permitido o pagamento da tarifa em dinheiro.

No dia 26 de junho, o governador Renato Casagrande, juntamente com o secretário de Estado dos Transportes e Obras Públicas, Fábio Damasceno, e o diretor-presidente da Ceturb-ES, Raphael Trés, apresentaram os novos coletivos e entregaram 20 ônibus. A previsão é que até o final do ano sejam 100 ônibus com ar-condicionado.

Os coletivos iniciais irão operar nas linhas troncais – que fazem a viagem de terminal a terminal – e a meta é que até 2022 sejam 600 ônibus com ar-condicionado. O Governo do Estado ainda não divulgou quais a linhas serão contempladas com a novidade.

Os ônibus com ar-condicionado, assim como a implantação de wi-fi nos coletivos, faz parte do pacote de medidas que Casagrande prometeu no início do ano como a “recuperação do sistema” Transcol, que é alvo de muitas reclamações por parte dos capixabas que precisam utilizar o transporte público para se locomoverem: calor, insegurança e superlotação são algumas das queixas dos usuários.




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