Por Leidiane de Souza dos Santos
O crescimento da população idosa no Brasil sempre nos remete à questão: é possível chegar à terceira idade de forma saudável, tendo uma vida ativa e sociável?
Segundo o IBGE, o crescimento da população produtiva não é proporcional ao da população idosa. As previsões são de que nos próximos dez anos a população idosa crescerá quatro vezes mais que a população produtiva.
Certamente isso impacta a previdência, os gastos públicos e privados com saúde e o mercado de trabalho. E também atinge a esfera social. O aumento dos divórcios e a inserção da mulher no mercado de trabalho redundam em menor disponibilidade de familiares para cuidar do idoso, que acaba por envelhecer sozinho.
É aí que surgem os Centros de Convivência para contribuir para a qualidade de vida do idoso, promovendo socialização. Pensando nisto, me propus a avaliar os efeitos que o Clube da Boa Convivência de Laranjeiras, Serra, produz em seus expectadores.
Por meio de entrevistas e observação, a pesquisa constatou uma satisfação pessoal dos idosos quanto à terceira idade. Ao conceituarem qualidade de vida, eles se basearam naquilo que já conquistaram e não em algo almejado, o que indica satisfação e realização pessoal na idade senil. A pesquisa revelou ainda que o valor mais significante para esta faixa etária era a autonomia e a independência: seja ela financeira – não depender do dinheiro de terceiros; física – ser saudável e não depender dos cuidados de terceiros; ou de locomoção – viajar e não depender de terceiros para locomover-se.
Os participantes da pesquisa demonstraram um envelhecimento ativo com manutenção de atividades físicas, de lazer e sociabilidade. Todos afirmaram praticar algum tipo de atividade física com frequência semanal, sendo que a incidência é maior entre as mulheres. Dentre as atividades citadas estão: caminhada, ginástica, ciclismo e, acreditem, até ultramaratona.
No quesito saúde, mais da metade dos entrevistados afirmou estar bem e, os que afirmaram ter algum problema, não se tratavam de doenças graves. Quase metade dos entrevistados disseram que moravam sozinhos e tinham no Centro de Convivência um ambiente de socialização.
A conclusão é que o espaço em Laranjeiras funciona, de fato, como uma alternativa de interação social para este público. Os idosos têm reinventado a experiência do envelhecimento de maneira positiva, contradizendo todo discurso de incapacidade e fragilidade que se tem propagado socialmente sobre o idoso.
Prova de que é possível chegar à terceira idade de forma saudável, tendo uma vida ativa e sociável. Notei que a população idosa tem apresentado um estado de plenitude pessoal nas relações, livre de preocupações associadas à aprovação do coletivo. Essa postura muito tem a ensinar às novas gerações que, por vezes, de forma insegura e apreensiva, perseguem reconhecimento e aprovação social. O envelhecimento saudável depende da transformação de valores sociais para os quais os gestores de políticas públicas para a população idosa precisam estar atentos.
Uma vez que o envelhecimento é natural para todos e que neste processo a capacidade de aprendizado e memória é afetada, faz-se necessário pensar nestes espaços de convivência e em atividades que conservem as habilidades já existentes e busquem desenvolver novas.
Leidiane de Souza dos Santos é Psicóloga